Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Raça Da Noite


Um escritor de terror pra ser elogiado por Stephen King, tem de ser no mínimo bom, mas podemos agregar a Clive Barker qualidades como criativo, impressionante e outras mais.  Sua obra mais conhecida é “Hellraiser”, mas é em “Raça da Noite” que o autor conseguiu sua maior diversificação de produto no tocante à mudança de linguagem.  O livro conta uma história surpreendente a cada capítulo que prende a atenção do leitor de forma cativante.  O protagonista Aaron Boone vive o tormento de visões de criaturas monstruosas, enquanto a cidade de Midian sofre com uma onda de violentos crimes.  Em meio a tramas e suspenses, Boone percebe que seus problemas estão diretamente ligados aos crimes e a um abrigo no subterrâneo do cemitério, o lar de centenas de criaturas mórbidas que se alimentam de carne e sangue, venerando e obedecendo ao demônio Baphomet.  Numa emboscada de corrupção, Boone acaba sendo ressuscitado pela devida raça e no processo libera seus poderes sobrenaturais latentes.  Até o romance que o personagem mantêm com a bela Lori, é prejudicado pela paranormalidade do caso.  A literatura é na verdade uma adaptação da roteirização da produção americana e canadense (20th Century Fox, 115 minutos, do ano de 1990) que recebeu o nome de “Nightbreed”, e curiosamente tem participação de David Cronenberg (atuando como o Dr. Philip Decker), com direção e roteiro do criador Clive Barker.
A obra também recebeu uma versão para os quadrinhos, lançado em 1991 no Brasil pela editora Abril em minissérie quinzenal de 10 edições, com o nome de “Raça das Trevas”.  Os escritores Alan Grant, John Wagner e o desenhista Jim Baikie receberam consultoria do próprio Clive Barker durante a produção.  A arte de Baikie não é realista como a de Alex Ross, mas também não deixa a desejar por conseguir transmitir todo o suspense e terror de Barker.
Uma das características de Clive Barker é a grande violência.  Seja na literatura, no cinema e até mesmo nos quadrinhos, o banho de sangue é marca registrada.  O abuso da carnificina se faz de modo espontâneo e sem censura a ponto de mostrar uma psicologia tão densa que chega a ser doentia.
Barker já é referência no estilo.  Seus filmes já teem trilha sonora de nomes como Ozzy Osbourne e Mötorhead e seu reconhecimento já extrapola várias linguagens artísticas.
Com rápida busca pela internet, se encontra facilmento algo do criador.  Vale a pena conhecer algo de sua autoria.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Entrevista Com Virgínia Allan

Escritora e poetisa, Sayonara Melo, que responde pelo pseudônimo de Virgínia Allan, já publicou alguns livros e mantêm atualizações em quatro blogs, twitter, orkut e facebook.  Seus escritos são criativos e líricos, com influências que vão de Edgar Allan Poe, blues à filosofia oriental.  Costumo dizer que esta é a mulher mais inteligente que conheço.  Lúcida, talentosa, meiga e ótima conselheira, Nara é um exemplo de superação e humanismo.  A entrevista a seguir, ela me concedeu gentilmente para postagem no blog Orestes.

Orestes: Como surgiu o pseudônimo “Virgínia Allan”?
Virgínia Allan: Surgiu a partir da admiração pelo escritor americano Edgar Allan Poe, cuja esposa chamava-se Virgínia Eliza Clemm Poe; adotei o pseudônimo de Virgínia e troquei o sobrenome por Allan.
O: Como a referência de Edgar Allan Poe chega a influenciar em sua obra?
VA: Ah!  Influencia sempre, em todos os momentos. Ele ensinou-me, ensina-me ainda, a pontuar os momentos sombrios com a dose exata de suspense, dor, melancolia ou assim eu penso e como sou bastante crítica, acredito em mim.
O: Muitos foram os escritores de sucesso que não tiveram formação acadêmica.  Você já sofreu discriminação ou algum outro tipo de problema por ser autodidata?
VA: Na verdade não. Um escritor, de certa maneira, não precisa ter formação acadêmica, não quero dizer com isto que as pessoas não tenham que estudar.  Longe disso, mesmo porque para se escrever um livro, como disse alguém que não lembro no momento, é preciso ler pelo menos meia biblioteca. É indispensável sim, a leitura o estudo, as viagens, enfim, tudo aquilo que te ajude a compor um novo mundo. É necessário ter a mente aberta e alerta, discutir, ver, rever novas/velhas idéias; se necessário mudar de posição, conceitos e assuntos.
O: Desde quando você começou na arte da escrita e como você atinou que tinha tais afinidades?
VA: A escrever mesmo, comecei por volta de 1998; achar que tinha algum talento ao receber elogios e incentivos de pessoas relevantes na escrita, não que desse suprema importância as suas opiniões, eram importantes à medida que eu também comparava meus textos a outros de indiscutível aceitação literária; ou seja, eu mesma fui criando critérios que até hoje me norteiam na hora de escrever e expor meus assuntos.  
O: Qual a maior dificuldade para um autor hoje em dia?
VA: Depende do autor. O meu esbarra na falta de verba, na falta de apoio, na falta de uma política pública decente. Eu já desisti de procurar apoio de Secretarias de Culturas, Projetos de empresas e prefeituras. Por enquanto, faço o que posso.
O: Vivemos a era da informática.  Com isso, você chega a usar o papel e a caneta ou faz seus rascunhos e primeiras anotações diretamente no computador?
VA: Não! Não vivo mais sem computador e internet. Meus rascunhos são direto na máquina, embora corra risco constante de perdê-los. Sou meio relapsa quando a questão é fazer “backup”.
O: Apesar de ter livros lançados, você escreve constantemente para seus blogs Logo, quando você escreve, pensa no produto final para o formato digital ou impresso?  Existe alguma diferença durante o processo de criação?
VA: Pra mim, não.  O processo é um só, mas o formato, claro, é diferente. Mas não penso nisso enquanto escrevo e posto nos blogs.  
O: Qual sua maior fonte de inspiração?
VA: Minha maior fonte de inspiração vem da minha busca de crescimento humano e espiritual. Trilho um caminho que não te exige nada, a não ser o esforço sobre você mesmo.
O: Quais seus próximos projetos a serem produzidos ou lançados?
VA: Meu próximo projeto será uma graphic novel abordando justamente esse crescimento interior. Um conteúdo, digamos, filosófico, mas sem ser chato, pesado.
O: Grato pela entrevista. Deixe seu recado para os leitores e seus contatos.
VA: Eu é que agradeço. Meu recado é apenas que todos possam estar atentos; com a mente livre, abertas a mil e uma possibilidades. A felicidade tão almejada é um estado superior... alquimia interior que deve ser praticada, cultivada com sabedoria.   

domingo, 28 de novembro de 2010

O Álbum De Estréia Do Camisa De Venus


Cheguei a ouvir comentários de que a sonoridade dessa banda incomodava.  Quanto mais eu conhecia, mais me sentia atraído.  As letras inteligentes, o sarcasmo explícito e o tom de voz debochado me eram tão cativantes que não demorei pra me tornar fã.
Este primeiro disco pode soar punk rock, mas a própria banda nega o rótulo, não querendo prender-se a causas adolescentes ou movimentos idealistas.  Passamos Por Isso” abre a bolacha demonstrando para os executivos da gravadora que tentar mudar o som e o nome da banda não foi uma boa idéia, como se achava.  Infelizmente a versão digitalizada que se encontra disponível sofreu censura nos comentários finais da música que teve a palavra “ridículo” (dirigida para o tema “Brasileirinho”), literalmente cortada.  Metástase” é a segunda e tem uma das letras mais inteligentes que eu já escutei no rock nacional.  Bete Morreu” é um punk rock trágico e sempre cantado em uníssono pelo público.  Correndo Sem Parar” expõe a psiquiatria da rotina urbana de uma forma bem bukowiskiana.  A versão de “Negue” que fecha o lado A do disco, é uma das paródias mais debochadas já registradas.  O Adventista” é outra pérola de letra que leva à reflexão.  Dogmas Tecnofacistas” é outro punk rock com letra direta.  Homem Não Chora” explora o machismo de nossa sociedade.  Passatempo” é totalmente atemporal e estará sempre atualizada.  Pronto Pro Suicídio” é uma das mais trágicas já feitas em toda carreira do grupo.  E “Meu Primo Zé” fecha o álbum que marca a estréia em LP do Camisa de Venus no ano de 1983.
O fato de estar fora de catálogo e ainda não ter sido lançado em CD, esse disco, homônimo à banda, é o arquivo morto pelos diretores da gravadora que não agüentaram por muito tempo o gênio dos membros que eram irredutíveis naquilo que se propunham.  Vale lembrar que tal garantia de que sabiam o que estavam fazendo, está na confirmação de Marcelo Nova que ele não mudaria palavra alguma de nenhuma das músicas.  Vale conferir.

sábado, 27 de novembro de 2010

Front Zine 9

Assim como a edição de número 7, o Front Zine de número 9 possui uma ilustração central com características góticas.  Outras mais violentas foram publicadas, mas essas góticas eram as que mais despertavam comentários por terem uma discreta alusão às religiões.  “Malucos” era a qualidade mais educada dirigida para nós.  Era muito gostoso fazer esse trabalho.
O texto de minha autoria era uma sucinta resenha de um disco do Kiss que eu reproduzo em seguida, com a observação de ter sido escrita em 1996.



UNMASKED

Obra prima do Kiss, Unmasked foi lançado em 1980.  Infelizmente não consta nenhum dos clássicos da banda, resumindo-se num rock’n roll simples com levadas pop, como a faixa Shandi.  O destaque é, logicamente a capa ilustrada com uma HQ.  Aliás, a banda realmente teve sua própria revista em quadrinhos e já foi tema até de desenho animado.  Enfim, um CD que deveria estar em qualquer coleção.  Disponível na Rock Store.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Especial Patti Smith No Programa Vertical Classic Rock

O texto a seguir é de autoria do amigo Sandro Nine do blog Manifesto Rock (http://www.manifestorockunderground.blogspot.com/), onde ele divulga o especial da Patti Smith que farei amanhã em meu programa na rádio Vertical Rock.


PROGRAMA VERTICAL CLASSIC ROCK ESPECIAL: PATTI SMITH


Neste sábado (27/11) o programa Vertical Classic Rock da radiovertical.com, apresenta o Especial Patti Smith com 2 horas de duração. A poetisa, cantora, ícone de toda uma geração e considerada por muitos como a “perfeita encarnação do ideário punk”. Patti Smith começou a tocar na lendária casa de shows de New York, o CBGB. Por onde passaram grandes bandas como: Talking Heads, Ramones, Television, Blondie, MC5 e outros.
Fã de rock n´roll, a cantora amava Bob Dylan e Jim Morrison, na mesma intensidade que idolatrava os poetas malditos como os Beatniks William Burroughs, Allen Ginsberg e o gênio Arthur Rimbaud.
Patti Smith é também ativista dos direitos humanos, meio ambiente e participa de vários concertos e festivais ao redor do mundo. Com quase 30 anos de carreira, a cantora é a figura feminina mais carismática do rock, influenciando bandas como Sonic Youth, U2, R.E.M, PJ Harvey, Radiohead.
O emblemático disco “Horses” de 75, é um clássico e promoveu um marco histórico na vanguarda da cultura punk, mudando a estética, quebrando paradoxos clichês do rock. Patti Smith é mãe musical e literária de muitas cabeças pensantes em Manaus, como os músicos: Jamil Vilela e Lucio Ruiz da banda Alma Nômades, o teatrólogo Jorge Bandeira e do próprio apresentador do Vertical Classic Rock, Mário Orestes.
Quem quiser ouvir clássicos de Patti Smith como: Gloria, Horses, Because The Night, Rock n Roll Nigger, Dancing Barefoot e outros, é só acessar a http://www.radiovertical.com/ e ouvir o programa Vertical Classic Rock Especial deste sábado que começa as 14h (horário Manaus).
Programa Vertical Classic Rock / Apresentação: Mário OrestesHorário: Quartas de 18h às 20h / Sábados de 14h às 16h
Acesse: http://www.radiovertical.com/
Msn: mariorestes@hotmail.com
Mário Orestes – Apresentador do Vertical Classic Rock, Membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus, Administrador, Ayahuasqueiro, Roteirista, Colaborador Especial do Manifesto Rock Blog e Blogueiro.
Acessem:
http://www.marioorestes.blogspot.com/
Por: Sandro Nine

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Show Do Chakal Em Manaus

Uma das bandas pioneiras do extreme metal no Brasil, o Chakal fez história na fusão de thrash e death dos anos 80 e que perdura até os dias de hoje.  Como é de praxe, a técnica e o virtuosismo prevalece nos instrumentais acompanhados pelo vocal gutural.  Primeira vez dessa lendária banda em Manaus.  Simplesmente imperdível.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ruptura Obrigatória

Plenitude negra
Dentro da trincheira
Tirando a paz
De um pobre rapaz
Por mais que não queira
Vai comer poeira
Se esconder atrás
De cadáver jaz.

Só 18 anos
Já está matando
Morte derradeira
Pela sua bandeira
Chegou mantimento
Baixas teve aumento
Não pode sonhar
Em voltar pro lar.

E no fim está insano
Se sobreviver aquele rapaz
Não terá como viver
Seu psique está em flamas
Escutando bombas e zumbir de balas
Em qualquer lugar que vá.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Crossroads

Obra prima do diretor Walter Hill, esta película do ano de 1986 (Columbia Pictures) de 100 minutos é uma apologia apaixonada ao blues.
Eugene Martone (que é interpretado pelo garoto Ralph Macchio) é um guitarrista com formação clássica que quer encontrar desesperadamente as fitas originais de blues perdidas por uma gravadora.  No começo de sua aventura, conhece o ex-blues man Willie Brown (Joe Seneca) que teve sua alma vendida ao diabo em troca de sucesso com o lamentoso estilo musical.  Ambos saem em viagem pelas estradas do interior dos Estados Unidos.  Um em busca dos originais perdidos, outro com o intuito de resgatar sua alma.  No desfecho final há um duelo de guitarras onde o guitarrista do diabo é interpretado pelo virtuoso Steve Vai.  A propósito, Vai foi quem gravou todo o áudio do duelo, sendo que Ralph apenas dublou a sua parte.
O curioso da produção do filme é que o seu roteiro, baseado na lenda do pacto com o diabo de Robert Johnson, foi escrito por John Fusco que vendeu os direitos autorais por poucos dólares, devido ao crítico estado financeiro que ele se encontrava na época.
A ótima trilha sonora do excelente blues man Ry Cooder é uma das melhores já feitas para uma produção hollywoodiana.
Indicado não só para os amantes de blues, mas também pra quem aprecia um bom drama climático e com boa música.

Poster do filme de Walter Hill

Ralph Macchio duelando (e dublando) Steve Vai

 A ótima trilha sonora de Ry Cooder

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bip Top Batidas

No final dos anos 80 eu comecei a explorar a minha coleção de discos de forma a ganhar dinheiro divulgando o material.  Passei a vender fitas k7 com gravações.  Como sempre tive bons contatos (colecionador conhece colecionador), geralmente eu tinha novidades, piratarias e raridades que dificilmente se encontravam, ainda mais na época em que não tínhamos as facilidades de contatos proporcionadas hoje pela Internet.  Fui indicado a um rapaz que só curtia fitas cassetes.  Rildo trabalhava como responsável na lanchonete da extinta escola “Einsten” (localizada na rua 7 de setembro, centro da cidade de Manaus).  O cara se satisfazia comigo, chegando ao ponto de me encomendar caixas de fitas gravadas, e eu me satisfazia com ele, que pagava tudo a vista e sem pechincha.  Com algum tempo ele me indicou para aparecer em outra lanchonete e bar de um irmão dele.  Era o “Bip Top Batidas” localizado na rua Ramos Ferreira, ao lado do Sheick ClubJonas e Marília formavam o casal que administravam o lugar.  No balcão de atendimento, eles colocavam um aparelho toca fitas, suficiente para sonorizar todo o pequeno interior do local.  Gostavam do bom e velho rock and roll e como não tinham nenhum “fornecedor” de cassetes no estilo, começaram a encomendar algumas de mim.  Elas eram tocadas no aparelho do balcão e chamavam atenção dos transeuntes.  Passei a frequentar o local por causa de minha freguesia com eles e por causa da excelente batida de mangarataia que era feita com muito carinho pelo casal.  Não demorou pro público do rock adotar o lugar como point.  De quinta a sábado o bar passou a lotar.  Em algumas semanas eu aparecia no ponto desde a segunda-feira.  Vários foram os excessos etílicos e alguns nunca sairão de minha memória.  Num desses, cheguei a desmaiar em baixo de uma das máquinas de fliperama do lugar.  Acordei com Marília me cutucando com uma vassoura.
Eles possuíam dois filhos que eram bem crianças na época.  Rafael e Rafaela.  Hoje Rafaela é uma apetitosa espécie fêmea, infelizmente casada.  Rafael já faz faculdade e é um grande amigo junkie.  Com o ambiente familiar e tranqüilo pela própria índole de Joninhas e Marília, conseguiram o carisma do público rockeiro e viraram referência na cidade.  Dorsal Atlântica, Sepultura, Viper e Ratos de Porão foram algumas das bandas que passaram pelo bar pra experimentar a lendária batida de magarataia.  São até citados nos agradecimentos de discos do Dorsal Atlântica e do SepulturaCarlos Lopes (do Dorsal Atlântica, se apaixonou pela bebida).
Depois de alguns anos, o bar mudou de endereço pra rua, perpendicular, Ferreira Pena.  Lá tinham espaço físico pra colocar bandas tocando ao vivo.  Dezenas de bandas locais tocaram no espaço reforçando mais ainda a lenda do bar.
Como tudo que é muito bom não dura, em alguns anos o lugar foi fechado por acaso do destino.  Jonas havia passado no concurso do Banco do Brasil para a pequena cidade de Boca do Acre.  Esgotados pela vida notívaga que desgasta com os mais resistentes donos de bar, juntaram as coisas, pegaram as crianças e se mudaram de vez, deixando órfãos dezenas e dezenas de amantes do rock.
Hoje mantenho contato virtual com o amigo Rafael e de vez em quando, o casal Jonas e Marília voltam à cidade de Manaus curtir umas férias com os grandes e numerosos amigos que eles fizeram, sem querer, com um trabalho que nos proporcionava uma saudável diversão.


domingo, 21 de novembro de 2010

Zeitgeist - Moving Forward - Trailer Não Oficial

Como representante do Movimento Zeitgeist do Estado do Amazonas, tenho como uma de minhas metas a divulgação plena desta filosofia visionária e promissora. Como vivemos a euforia de pré estréia do terceiro filme “Zeitgeist – Moving Forward”, divulguei recentemente o trailer oficial por aqui. Mas pra reforçar essa já citada plena divulgação, agora divulgo o trailer não oficial do Moving Forward.

sábado, 20 de novembro de 2010

Quadrinhos Autografados

Através dos Encontros De Quadrinheiros realizado pelo Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, trouxemos alguns convidados de fora do Estado para participarem com palestras, mesa redonda e afins.  O primeiro grande nome dos quadrinhos nacionais que tive contato, foi o de Gean Danton.  Porém, não tive muita intimidade com ele até pela própria personalidade recatada deste.  Em seguida tivemos o lendário Laerte.  Este sim foi inesquecível.  Tratava-se de um autor que me influenciou, em certa fase de minha vida, com seu humor criativo e seu traço suave.  A simplicidade dele não é compatível com sua fama.  Como na época eu bebia muito e fumava tudo, além de trabalhar como Guarda de Segurança, fui retratado no autógrafo abaixo como tal.  Gostei muito do porre marcante que pegamos juntos.  O mais bacana é que tudo foi pago por ele.


O que mais me proporcionou gargalhadas foi Adão Iturrusgarrai.  Como combinamos no quesito junkie, não havia como não nos darmos bem.  Infelizmente não tenho mais cópia do autógrafo que ele me deu.
Otacílio (o Ota da Mad) é o que mantenho contato e amizade até hoje.  A primeira vinda dele foi no 6° Encontro De Quadrinheiros no ano de 1998.  Onde a fartura de Mary Jane garantia nossa diversão.  Dez anos depois, o professor Tenório Telles (escritor, poeta, membro da Academia Amazonense de Letras) me pediu indicação de um quadrinhista para participar do Flifloresta (Festival Literário Internacional promovido pela Editora e Livraria Valer em conjunto com o Governo do Estado).  Não hesitei em indicar o amigo Ota.  Esta segunda estadia de Ota em Manaus, merece uma postagem à parte devido ao tamanho de aventuras que passei com ele.
O curioso deste (dentre os vários “OTÓgrafos”) que tenho de Ota, é que ele refez os contornos da mulher desenhada.


Em 1999 trouxemos o premiado Lourenço Mutarelli para o 7° Encontro De Quadrinheiros (vejam postagem de resenha sobre este evento em específico aqui mesmo no arquivo do blog).  O autógrafo desta “caricatura viva” foi dado com um desenho do personagem principal de sua graphic novelO Dobro De Cinco”, fazendo menções a um bom “cigarro artesanal” que outrora me foi tão prazeroso.


 
No ano de 2001 foi convidado para o II Salão de Humor e Quadrinhos (realizado pela Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas) Fernando Gonsáles.  Como eu e Romahs fomos os primeiros colocados no Salão (assim como fomos no I Salão realizado dois anos antes), colamos no cara.  “Trocamos figurinhas” e nos demos muito bem.  O legal de autógrafos dados por quadrinhistas é que eles não só autografam, como também sempre desenham algo, nem que seja um simples rabisco.  Desta forma, acaba-se ganhando um desenho inédito do autor e valorizando mais a obra autografada.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Com a Família Homicide

Em alguma parte do início da década de 1990, eu caminhava embriagado numa madrugada de final de semana cruzando a ponte que liga o bairro Nossa Senhora de Aparecida ao centro da cidade.  Na época eu ainda bebia (hoje nem sequer socialmente em datas comemorativas) cerveja, vinho, cachaça, álcool de farmácia e o que mais provocasse embriaguez como bom e fiel junkie.
A meu lado o amigo Renison em estado equivalente ao meu.  Voltávamos de algum show, bar ou qualquer outra devassidão notívaga dentre as dezenas que passávamos frequentemente juntos.  Rotina certa dos finais de semana, a violência urbana já não nos amedrontava, fazíamos parte da marginalia e não tínhamos nada de valor, além de nossas medíocres vidas, que pudesse interessar qualquer bandido aquela altura.  Como é característica do bêbado ter o seu momento (singular ou plural) de idiotice.  Questionei a ele:
- Renison, tu tinha coragem de pular daqui?
Estávamos exatamente no meio da ponte e como o rio fartava suas águas devido à época do ano, estava convidativo para o cumprimento da imbecilidade.
Renison sem pestanejar falou:
- Claro!
Era a confirmação que eu precisava ouvir para deslanchar minha carga de argumentos.
- Pula nada!  Tu não tem coragem, não.  Não é homem o suficiente pra isso.  Duvido!  Quero ver!
- Rapaz, olha que eu pulo. – respondeu ele.
Continuei meu trabalho de diabinho com o tridente incentivando a desgraça, mas minha frase derradeira foi:
- Se tu pular dessa porra eu te pago uma grade de cerveja.
Não deu outra.  Paramos de caminhar com Renison olhando pra um lado e outro, pegando distância para trás com o intuito de ganhar impulso pro pulo.  Por um momento eu pensei que ele estivesse blefando e que não levaria a sério o que eu não estava levando a sério.  Contudo ele foi categórico:
- Quer ver como eu vou pular dessa merda? – começou a correr e se atirou por cima do parapeito.
Num segundo que pareceu câmera lenta, eu soltei um gemido:
- Ei, porra! – como estava perto do parapeito me estiquei com a burra intenção de segurá-lo, mas minha mão bêbada só conseguiu segurar um pedacinho da camiseta do amigo que cumprira com a promessa suicida.  O pedaço que segurei ficara em minha mão.  Renison mergulhara na escuridão.
Dois segundos mais tarde eu escutei um distante barulho de mergulho em água.  Olhei pra baixo e só vi uma indefinida movimentação na superfície do rio.  A ponte era iluminada em sua plataforma para fluência segura do trânsito, mas abaixo dela, a escuridão dominava.  Uma queda com cerca de trinta metros de altura em água poluída, escura e fria.  O mais preocupante era que o coitado estava bêbado.
Imediatamente me arrependi do meu jogo de incentivo à loucura.  Ainda cheguei a gritar algumas vezes para baixo:
- Renison!  Como é que tu tá?  Tu tá bem?
Não havia resposta, mas eu escutava movimentação na água.
Entrei em desespero e comecei a pensar:
- Puta que pariu!  Me fodi!  E agora?  O que vou falar pra polícia?  Vão pensar que eu empurrei ele.  Vou ser preso.  Tô fodido!  Que merda!
Após alguns minutos de desorientação olhando a escuridão do vácuo abaixo da ponte e perdido nos pensamentos de conseqüências maléficas que sofreria, eu voltei a raciocinar e tomei a decisão de sair dali o mais rápido possível.  Até a embriaguez ficara mais branda.  Não hesitei mais e tomei o rumo da extremidade que me levaria ao centro da cidade onde me refugiaria como um rato entre o labirinto dos canos de esgotos.
Próximo da saída que eu me dirigia da ponte de uma das laterais que dava acesso ao rio, vi a figura encharcada de Renison surgir da escuridão, sacudindo sua farta cabeleira como um cão secando seus pêlos de um banho.  Não demorou pra eu emparelhar-me a seu lado e continuarmos nossa caminhada pelas ruas.  Fomos direto pra casa dele onde, junto com seus irmãos, nos reuníamos pra beber, fumar e escutar um depredado aparelho de som.  Não trocamos uma palavra sequer durante a caminhada.
Quando chegamos na casa da “família Homicide”, todos já estavam desmaiados.  Nos juntamos aos demais.  Estávamos muito cansados, bêbados e precisávamos repor nossas energias para continuarmos a bebedeira horas mais tarde.  Ao acordar, já preparávamos a comida coletiva ao som do velho aparelho quando nos lembramos do ocorrido na madrugada passada.  Os irmãos Sula, Teco e o saudoso Raylen (que na época era um garotinho), nos olhavam com cara de incredibilidade como se estivéssemos contando uma história de outro mundo, mas era a mais pura verdade.  Renison confessou depois que caíra com o corpo totalmente torto, bebera muita água suja e tinha de parar de nadar nas colunas pra tomar fôlego e poder nadar para a próxima coluna até chegar na margem.  Rimos muito com a aventura, e nunca mais eu cheguei a fazer incentivo equivalente, por mais bêbado que eu ficasse.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Akira

Esta obra prima de Katsuhiro Otomo é um épico contemporâneo criado originalmente como graphic novel de 38 edições com 60 páginas cada.  Aqui no Brasil, foi lançada no ano de 1990 pela Editora Globo.  Curiosamente o último número da saga não saiu no mesmo ano devido a algum problema jurídico ou diplomático.  Sendo que os leitores tiveram de aguardar até o ano de 1998 para que a história fosse concluída com o lançamento da edição 38.
O roteiro em si demonstra a aventura progressiva e dramática de uma gangue de motoqueiros adolescentes que, sem querer, se envolvem com um projeto de desenvolvimento de psicocinese em cobaias humanos.  Um dos líderes da gangue (Tetsuo Oshima) desenvolve os poderes e passa a ser o vetor que liga o resto da gangue com o projeto grandioso que acabará por influenciar em todo o planeta Terra.
O que chama atenção, além do criativo roteiro com bons diálogos, é a megalomania explícita no potencial destrutivo urbano.  Certo que isto é uma característica da cultura artística (principalmente dos cinemas) japonesa, mas em Akira, isto é levado ao extremo.  Se vê tamanha destruição que chega a perturbar quem tiver a síndrome do pânico ou quem simplesmente sofrer dos nervos.
Mas afinal quem é Akira?  Um garotinho de 4 anos de idade com poderes equivalentes ao de uma bomba atômica.  Tamanho é o seu poder que o corpo deste personagem é mantido com os órgãos separados em cápsulas trancafiadas numa fortaleza tecnológica.  Quando este é despertado por Tetsuo, a destruição se dá início.  O mais bacana é toda a história que vai se desenvolvendo, após o despertar de Akira, nas ruínas de Neo Tókio.
Baseado no mangá, deu-se um anime longa metragem homônimo lançado no ano de 1988 com direção do próprio Katsuhiro Otomo.  Evidente que a adaptação para a película passou por enormes mudanças para caber em 124 minutos de filme.  Contudo, trata-se dos mesmos personagens em situação semelhante, mas com uma cronologia diferenciada (prova disso é que diferente do mangá, no filme Akira desperta somente no final da história).  Como o desenho é dirigido a um público maior e mais diversificado, a violência foi minimizada e até o uso de drogas, bem destacado no mangá, não aparece nas telas do vídeo.  Porém, a grandiosidade, o drama e a intensidade da violência ainda assim se fazem presentes na adaptação.
Tanto o filme quanto a série em revistas, podem ser encontrados pra venda ou download na Internet.  Trama muito bem bolada que influenciou, e ainda influenciará, gerações de artistas, Akira é referência não só para o gênero mangá, como para os quadrinhos e animes em geral.

Uma das capas da série


A arquitetura  exagerada, e posteriormente sua destruição, mostra grandiosidade na obra


Quando Tetsuo vai à lua modificar sua geografia, afetando assim o planeta Terra, fica claro a megalomania da série

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Crucificados Pelo Sistema

No ano de 1984 os Ratos de Porão lançavam este primeiro disco solo, que chegou a ter uma edição com o fundo da capa em vermelho.  Antes disso, já tinham registrado trabalho num ao vivo split com a banda
Cólera e nas coletâneas “Sub” e “Ataque Sonoro”.  A tecnologia de estúdio usada na época nem se compara com a high tecnology de hoje.  As condições eram totalmente precárias e o amadorismo dos envolvidos evidente.  Contudo, a vibe era boa, honesta e jovial.
A bolacha abre com “Morrer” que demonstra logo de início a potencia da voz de Gordo.  A segunda “Caos” é um murro de apenas alguns segundos e deixa o ouvinte atordoado sem saber o que aconteceu.  Se aquilo era uma música ou foi algum defeito de gravação que deixou um pedaço de alguma faixa solta.  “Guerra Desumana” continua com a sessão de sons que tendem mais para o hard core do que para o punk rock.  “Agressão / Repressão” é um grito contra o sistema corrupto e violento da polícia.  Interessante é ver que nenhuma dessas letras soam datadas.  Ao contrário, o texto delas está sempre muito atual e condizente com a realidade vigente.  “Obrigando a Obedecer” é quase um haikai que esbofeteia o pseudo nacionalismo por trás da prestação de serviço militar obrigatório.  “Asas da Vingança” reforça a temática anti guerra.  “Que Vergonha” é uma cover do ótimo Olho Seco.  “Poluição Atômica” fecha o lado A (para o formato LP) com a força que só punks conseguem expor em músicas.  “Pobreza” abre o segundo lado continuando o mesmo pique que se prolongará por todo o álbum.  “F.M.I.” pode até parecer obsoleta em sua letra, mas se refletirmos bem, chegaremos a conclusão de que tão cedo o Brasil não deixará de ser independente economicamente.  “Só Pensa Em Matar” são apenas duas frases psicóticas que deixam uma interrogação sinistra em quem escutá-las.  “Sistema de Protesto” é a única que não tem sua letra no encarte.  Particularmente eu gosto muito dela e adoraria entender sua letra.  “Não Me Importo” é da mesma filosofia de “I Don’t Care” dos Ramones.  “Periferia” reflete a realidade onde os membros da banda passaram suas infâncias e cresceram suas adolescências.  A faixa homônima ao disco “Crucificados Pelo Sistema” é a melhor dentre todas e até hoje consta obrigatoriamente no set list de qualquer show da banda.  Também com apenas duas frases em sua letra seguidas do título da música.  “Corrupção” fecha o disco que parece uma “rapidinha” num beco escuro de tão intenso e urgente que é este álbum.
“Clássico” seria o termo adequado para resumir este registro histórico que é disputado a tapa no comércio de colecionadores de vinis.  No exterior, já vale alguns bons Euros.  Audição recomendada.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Show Do Marcelo Nova - URGENTE

O show de Marcelo Nova em Manaus que estava programado para o dia 20 de novembro (sábado), foi adiado para o dia 03 de dezembro (sexta-feira) por motivos de logística.  Em breve sairá a divulgação com a correção da nova data e com nova promoção na venda dos ingressos.
Os ingressos já vendidos continuam valendo para o show.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Front Zine 8

Quando mostrei o Front Zine8 para uma determinada colega, ela disse:
- Mas essa ilustração central é de autoria do H. Giger, o criador do monstro do filme “Aliens”.
Até então ela só havia visto Front Zines com ilustrações de nossa autoria.  Eu rebati facilmente:
- Apesar de ser um trabalho profissional lançado em um jornal, ainda assim tem o caráter de um fanzine.  Por isso que tem esse nome.  E uma das maiores características de fanzines é a cópia, o uso não autorizado e a pirataria.  Porque não poderíamos usar uma ilustração de um artista que apreciamos?
Ela parece não ter aceitado muito bem minha resposta, mas acabou conformando-se.
O texto de minha autoria deste número é uma singela resenha de um lançamento de Alice Cooper, que reproduzo em seguida.




MÚSICA E HQ – A ÚLTIMA TENTAÇÃO

Há exatamente dois anos, Alice Cooper lançava seu álbum The Last Temptation, que contava em sua capa, com a belíssima produção gráfica de Dave McKean (o mesmo de Asilo Arkhan e capas de Sandman).  Até a 5ª faixa do disco, Alice Cooper chega a lembrar os bons tempos com um excelente Rock’n Roll pesado.  Mas, da 6ª em diante, o repertório cai em baladas monótonas, estilo Bon JoviCleansed By Fire vem para fechar (e salvar) o disco num clima denso e obscuro, como num pesadelo.  O encarte, além das letras, traz uma HQ escrita por Neil Gaiman (escritor de Sandman) tendo Alice Cooper como personagem.  The Last Temptation vale para apreciadores e colecionadores de rock e quadrinhos.

domingo, 14 de novembro de 2010

O Crucificado

Pai, meu pai
escute-me um momento.
Compreenda minha dor e sofrimento.
Se um dia jurei lhe servir
durante anos, nunca lhe traí.

Sei que sofri algumas tentações.
Mas humano normal eu sei que sou.
Enganei milhares de pessoas
cumprindo uma ordem sua.

Meu amigo, Judas eu traí.
Se eu ouvisse-o não estaria aqui.
Não possuo mais dignidade.
Minha mãe Maria estupraram.

Me crucificou sem um motivo.
E se você se considera Deus
explica-me porque me enganou
e a fome no mundo aumentou.

sábado, 13 de novembro de 2010

Justa Causa

Quando conheci a banda Homicide, rapidamente fiz amizade com seus integrantes.  Um power trio de um punk rock limpo com claras influências de Inocentes e Replicantes, três irmãos formavam o grupo.  Teco na guitarra e backing vocals, Sula no contrabaixo e Renison na bateria e voz principal.  A amizade foi fomentada pelo sedutor clima marginal onde os ensaios eram regados a muita cachaça e Mary Jane, não muito diferentes dos shows que sempre tinham as tietes que aumentavam ainda mais os ânimos para a presença constante.  Como eu conhecia boa parte das músicas, já tinha tido experiência com bandas, não faltava os ensaios e ainda mantinha a amizade, nos ensaios mesmo comecei a “cantar” algumas músicas.  Não demorou pra eu começar a fazer parte das apresentações de forma oficial.  Passamos a dividir o set list dos shows em duas partes.  Na primeira parte eles tocavam as músicas próprias tradicionalmente como power trio, no meio do show eu entrava em palco e cantava as covers que a banda tocava.  Além de Inocentes e Replicantes, eu executava com a banda, Ratos de Porão, Ramones, Cólera, Garotos Podres e algo mais que não me lembro agora.  Quando o amigo Adal (músico e compositor local de MPB) estava à frente da Ordem dos Músicos de Manaus, facilitou várias apresentações pela cidade.  Sem querer fizemos uma turnê local com shows em vários bairros da cidade e conquistando cada vez mais público.  Pelo fato de estarem sendo consumidos pelos excessos a ponto de arcarem com problemas destrutivos e insanos, acabei por sair da banda um pouco depois que o quarto irmão (o saudoso Raylen) entrou.  Minha saída foi amigável e até hoje, apesar de não beber e não fumar mais, ainda mantenho a amizade e gargalhadas ao lembrar dos tempos de diversão.
No ano de 1993, chegaram a gravar a demo tapeJusta Causa” que passo a resenhar agora.
A faixa que abre a demoMetamorfoses Humanas” tem um bom riff de guitarra que não é rápido nem apelativo na distorção, mas simples e tranqüilo.  A temática pós guerra é vista de modo catastrófico e dramático.  A seguir vem uma faixa que merece certa atenção.  A coverCachorro Louco” deu um determinado problema.  Como a “família Homicide” já teve moradia no Rio Grande do Sul,  mais precisamente na cidade de Araguaiana, chegou a conhecer os rapazes da banda gaúcha TNT.  Como se tornaram amigos, aqui em Manaus, a Homicide não hesitou em gravar essa cover.  Até aí tudo bem, visto que certamente o TNT aprovaria a gravação.  A questão é que, por pura ingenuidade, não houve créditos da autoria na parte gráfica da fita demo.  Surgiu a denúncia de plágio totalmente infundada por desconhecimento do histórico da tal amizade entre as bandas.  A versão em si é um pouco mais pesada e curta, mas tem fidelidade com a original.  “Moscou 2000” mostra a influência dos Ramones e também tem letra com referências à guerra, mas desta feita é pré guerra.  A seguinte “Amante Noturna” é sem dúvida a melhor da K7.  Com uma boa letra que expõe o mundo notívago das garotas de programa e com um bom jogo de refrão/estrofe com o alinhamento de cativantes backing vocals, chega a dar o gosto de pedir biz.  Pra fechar o trabalho, a faixa homônima da fita “Justa Causa”.  Um punk rock rapidíssimo, quase hard core, curto e grosso com letra totalmente anarco sindicalista.   A tape ainda é acompanhada, além da capinha, por um encarte com letras e ficha técnica.  Espero ter esse registro histórico do punk rock manauara digitalizado assim que encontrar um modo.  Se alguém viabilizar o meio, faço questão de disponibilizar para download.  Típica gravação que não pode ser perdida na memória.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pink Floyd - The Wall

Produção do ano de 1982, “Pink Floyd – The Wall” é uma obra prima intelectual da arte musical da MGM inspirada no disco homônimo lançado pela banda em 1979.  A direção de Alan Parker, que assina o roteiro junto com Roger Waters, é magnífica.  Especialista em metáforas visuais, Parker deleitou-se na fotografia e edição com a já metafórica história auto biográfica de Waters.  Na verdade o vocalista baixista do Pink Floyd, juntou a sua história com a do ex-guitarrista Syd Barret em referências diretas ao nazismo, à estafa do mundo musical e ao sistema educacional conservador da Inglaterra, tudo dentro dos bastidores de uma grande banda do mainstream.  A produção em si foi uma tortura para Parker e Waters que não se suportavam devido ao choque inevitável de dois grandes ícones egocêntricos do universo artístico.  A película também conta com belíssimas animações de Gerald Scarfe que ajudaram na expressão das metáforas e servem como ótimos entretenimentos psicodélicos (se é que vocês me entendem) devido ao surrealismo explorado.  Uma curiosidade é que a atuação do protagonista principal é de Robert Frederick Zenon Geldof (mais conhecido como Bob Geldof), que apesar de ser músico, compositor e ativista político, fez uma ótima interpretação dramática digna de excelentes atores.
Violência, drogas e psicologia densa ilustram este longa metragem de 99 minutos numa maneira bucólica, plástica e encantadoramente dramática culminando num filme indispensável pra qualquer um que aprecie cinema, animação e boa música.

 O poster do filme

 A grande atuação de Bob Geldof

 Uma imagem das bonitas animações.  Esta em alusão ao nazismo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pústula Cerebral

No final da década de 1980, mais precisamente no ano de 1987, eu estava totalmente fascinado pelo punk rock.  Em pleno vigor de 16 anos de idade, ficava eufórico com o ímpeto de rebeldia sincera que caracterizava aquele estilo urgente e identificável com todo adolescente questionador.  Eu era uma espécie de “mascote” da banda Anestesia (lendária banda de thrash metal manauara que fez muito sucesso na cena local naqueles anos, ainda atuante hoje, mas sem o mesmo glamour de outrora) por conhecer os membros, frequentar os ensaios e compartilhar as “diversões”.  Com o ambiente propício, não demorei pra conversar com vários e montar minha primeira banda.  Para representar o grupo tinha de ser um nome repugnante, punk.  Depois de alguma especulação chegamos em “Pústula Cerebral”.
A formação constava com Augusto (vulgo Pacú) na bateira, Clinton no contrabaixo, Klinger Magalhães (contrabaixista do Anestesia) na guitarra e eu (Mário Orestes) como vocalista.  O primeiro ensaio se deu na aparelhagem e local de ensaio do Anestesia.  Eles concordaram em ceder esse espaço e não pude perder a oportunidade.  Ensaiamos apenas um hard core autoral de 7 segundos de duração chamado “Muda Brasil” e tinha a seguinte letra: “Porra, caralho, muda essa merda.  Vocês prometeram, mas mudaram pra pior”.  Só isso mesmo.  O ensaio durou apenas 10 minutos e surpreendeu o pessoal do Anestesia por ser rápido demais.  Não precisávamos de mais tempo pra fazer aquilo.  Posteriormente mudamos nossos ensaios para a casa de Lincon onde já ensaiava a banda Anezy e passamos a contar com Sérgio na guitarra, substituindo Klinger.  Fizemos alguns shows pela cidade, mas a banda sobreviveu somente de setembro de 1989 a março de 1990.  Éramos todos muito jovens, não nos levávamos a sério.  Só tocávamos alucinados e nossos ensaios eram porres certos.
Antes de nós existiram duas bandas punks na cidade.  A “Prisão Perpétua” e a “Vômito”, mas nenhuma das duas chegariam a se apresentar ao vivo, de forma que nós acabamos por levar o título de primeiros de Manaus no estilo.  Nossos únicos registros se resumem ao mitológico (porém existente) vídeo “Rock In Acapulco” (registro, sem nenhuma qualidade, em VHS de um Festival com várias bandas locais nas ruínas de uma casa noturna) e as fotos da apresentação no “Crossover Festival” (outro Festival com várias bandas locais numa quadra esportiva do bairro Japiim em dezembro de 1989).  Destas fotos, Clinton até hoje as mantêm a sete chaves e eu divulgo abaixo a única que ficou em meu poder.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Zeitgeist - Moving Forward - Trailer Oficial

Ainda no primeiro trimestre do ano de 2011 teremos o lançamento do filme “Moving Forward”. Terceira produção longa metragem do Movimento Zeitgeist. Pra quem ainda não teve a oportunidade de conhecer, Zeitgeist é um movimento social, não político, que desconhece países, classes sociais e religiões. Tem como intuito a reforma da sociedade como nós a conhecemos hoje através da extinção do capitalismo com seu sistema monetário, das religiões, das diferenças entre classes com a aplicação de uma revolução cultural que preze a auto sustentabilidade. O termo “Zeitgeist” vem da junção de duas palavras do alemão que significam “Espírito do Tempo” ou “Espírito da Época” que nomeiam essa filosofia contemporânea que se espalha aos poucos pelo mundo conquistando cada vez mais adeptos que desejam um mundo melhor, sem violência, sem guerras, sem armas, sem miséria, sem fome, sem genocídios, sem diferenças entre classes e raças. Enfim, qualidade de vida para todos, bem como dignidade e convívio harmônico com a natureza e seus recursos.
Nosso grupo de trabalho de lingüística, já está na correria da tradução das legendas deste terceiro filme.
Este que digita estas palavras, está como representante da região norte do país e pode atender a qualquer dúvida, crítica ou sugestão de qualquer Estado desta região com contato através do e-mail: am@mzbr.com.br
Abaixo o trailer oficial legendado do filme Moving Forward.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Korzus e Garotos Podres Em Manaus

Neste próximo final de semana teremos aqui em Manaus o show de duas bandas lendárias do rock nacional.  Apesar de serem de segmentos diferentes, Garotos Podres e Korzus estarão se apresentando na mesma noite aqui no green hell.  O Korzus já havia tocado aqui no Olímpico Clube em 29 de janeiro do ano de 2005.  Foi um show impecável com a competência de só uma banda que já tem legado de décadas e reconhecido no exterior poderia ter feito.  Na época eu trabalhava como técnico de mesa para a ótima banda Mortificy, uma das que fez o pré show, e tive acesso aos bastidores e passagem de som.  Lembro de Dick (baixista do Korzus) fumando um “cigarro artesanal”, sentado na lateral do palco, pra melhor inspiração no serviço.  O humor e o carisma dos “caras” é equivalente à competência profissional.  Certamente que será outra grande apresentação.
Já os Garotos Podres.  Assisti-los ao vivo em minha terra natal pela primeira vez, é um antigo sonho que agora se tornará realidade.  Uma das bandas mais injustiçadas do rock brasileiro, eles não vivem da música (como o Korzus) apesar de serem um nome referencial no estilo, já terem um grande reconhecimento na Europa e em outras partes do mundo.  A criatividade da banda é percebível logo na primeira audição.  Sarcásticos, hilários, sindicalistas e anárquicos, os Garotos marcam os auto falantes com suas letras bem sacadas e a pegada punk rock clássica e atemporal.  Duas coisas que Mário Orestes aspira fazer é entrevistá-los para nosso programa de web rádio Vertical Classic Rock e certamente conseguir autógrafos nos dois primeiros registros analógicos guardados com muito carinho e escutados até os dias de hoje dentre as demais bolachas.  As horas estão sendo contadas para o evento.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sangue Ruim

Escritor e desenhista norte americano contemporâneo, Joe Coleman ganhou certa notoriedade pela peculiaridade sombria de seu trabalho.  Seus contos são dramatizações da atividade de seriais killers.  Até aí nada de anormal, a questão é que ele narra histórias baseadas em fatos verídicos que estão entre o bizarro e o aterrorizante.  Levando-se em conta que os Estados Unidos da América, é o país que mais concentra seriais killers no mundo, Coleman tem um farto campo pra exploração de seus contos.  O que torna a leitura mais interessante ainda é que sua narrativa é na primeira pessoa sempre mostrando o ponto de vista doentio do assassino em questão.  Cada conto é uma viagem alucinante que logicamente termina em violência, tortura, estupro e muito sangue.  Chega a ser repugnante em alguns pontos e pode causar náuseas naqueles que não estão preparados para encarar esta realidade obscura do ser humano moderno.  Outro forte ponto de Coleman são suas ilustrações.  Sim, além de escrever ele também ilustra os próprios contos.  São dezenas de ilustrações mostrando uma produtividade incansável e que retratam perfeitamente suas palavras, visto que ele consegue traduzir nos desenhos a insanidade de seus personagens.  Ao contrário do que se possa imaginar, não são desenhos toscos.  A riqueza de detalhes se faz presente com hachuras constantes, expressões faciais dos sentimentos em jogo e ótimo contraste de luz e sombras que realça o preto e branco.  A harmonia é perfeita e instigante, chega a ser perturbadora.  Leitura que pode incitar o sonho (ou pesadelo) durante o sono.
Conforme palavras do mestre Robert Crumb: “O trabalho de Joe Coleman tem a contundência de alguém comprometido em um esforço urgente para preservar sua própria sanidade.  Sua arte visual é, para o meu gosto, uma das melhores existentes nos dias de hoje.
Pra finalizar esta resenha, uma pérola soltada pelo psicopata mais genial que já existiu, Charles Manson: “Joe Coleman é um homem das cavernas em uma espaçonave.
Sangue Ruim, 2005, Editora Conrad, tradução de Tatiana Öri-Kovacs, 175 páginas.


domingo, 7 de novembro de 2010

Medellin

O cartaz abaixo é o exemplo do mau uso da informação.  O Greenpeace não coloca seu nome como apoio sem respaldo do staff.  Prova disso foi a participação nos dois shows dos Scorpions realizados em Manaus, sem ter o seu nome divulgado nos cartazes, outdoors e outros meios.  A confusão começou quando uma voluntária novata, conhecida da organização do evento, concordou que o grupo de voluntários do Greenpeace Manaus participaria de tal show com um stand.  Pronto, foi o suficiente pros organizadores colocarem o nome da organização estampado como apoio.  Certamente que a equipe staff não soube da gafe e acabou que não tivemos nenhum tipo de participação no evento.  O assunto simplesmente não foi mais tocado por ninguém.  Nem sei se algum dos voluntários chegou a ir para o show.
Quanto à banda.  Sinceramente não conheço o som deles.  Já me falaram que é bom, mas não me passaram nenhum detalhe e ainda não escutei parecer de uma fonte confiável.  Sou um pouco receoso devido ao fato da formação contar com membros de bandas emo core.  Hard core melódico é uma das piores coisas que já surgiu no novo século.  O estereótipo da pasteurização.  Nada a ver com o hard core legítimo e empolgante criado no início dos anos 80 pelos criativos Dead Kennedys.  A choradeira adolescente emo em ridícula releitura de algo clássico é tão irritante que desperta vontade de agressão nessa raça modista até nos mais pacifistas.  Tomara que eu não me decepcione ao escutar o som deles.




sábado, 6 de novembro de 2010

Azul Limão - Vingança

Formada bem no início dos emblemáticos anos 80, mais precisamente em 1981, o Azul Limão é oriundo do Rio de Janeiro.  Nasceu e cresceu no cenário metálico nacional ao lado de outros grandes nomes como Dorsal Atlântica, Vulcano e Taurus.  As letras das músicas próprias cantadas em português, em momentos mostravam-se ingênuas e noutros mostravam-se poéticas.  Contudo, o bom desempenho do vocalista Rodrigo Esteves em harmonia perfeita com o ótimo instrumental, sobrepunha acima de tudo profissionalismo e dignidade para o estilo.  Nos solos da maioria das músicas, é evidente a influência erudita dos músicos, que fica mais explícita ainda com a abertura do segundo disco da banda (“Ordem e Progresso” lançado em 1987) que abre com uma introdução rocker da Estação Primavera de Antoni Vivaldi, mas esse ficará para uma outra resenha.
O disco de estréia chamado “Vingança”, lançado em 1986, é uma pérola perdida na memória do rock nacional por não estar em catálogos.  Seu set list abre com uma pequena introdução instrumental de 18 segundos que é seguida da ótima “Portas Da Imaginação”, onde de cara, percebe-se o potencial instrumental e vocal dos músicos.  “Satã Clama Metal” tornou-se um hino do metal brazuca e até hoje é indispensável no repertório de qualquer show feito por eles.  “Sangue Frio” vem em sequência com uma das letras mais poéticas que já escreveram no rock nacional.  A música fica na cabeça do ouvinte.  “Fora Da Lei” é uma das mais rápidas do disco e transparece a excelente dicção vocal expressa.  “Não Vou Mais Falar” tem uma letra quase romântica, mas é salva pela tragédia recitada.  “O Grito” tem um riff lento, mas incrivelmente cativante e também gruda na memória do ouvinte.  Letra também poética beirando o lirismo.  “Você Não Faz Nada” é outra rápida, quase punk, com o inconformismo para aqueles que só reclamam e não apresentam nenhum tipo de reação para um mundo melhor.  A música título do disco fecha o álbum com outra cacetada bem heavy metal.
A banda lançou seus dois primeiros discos e depois disso se desfez.  Alguns de seus componentes chegaram a montar posteriormente uma outra banda de hard rock cantado em inglês chamada “X-Rated” e até alcançaram um certo destaque, mas não chegou a vingar por muito tempo.  Na virada do século voltaram a se reunir como Azul Limão, lançaram mais dois discos (“Pegasus, The Tapes I” e “Amazona, The Tapes II”, ambos do ano de 2001) e estão reunidos até hoje somente para alguns raros shows revivals dos anos 80 que garantem casa cheia com público animado.