Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Aforismos Oresteanos

"A expressão artística sempre será uma manifestação cultural exclusivamente da humanidade? Sim, até quando os deuses astronautas resolverem trazer a público, seus feitos."

"A grande ironia da vida é que independente dela ser boa, ruim, proveitosa, triste, divertida, ou qualquer outra qualidade, ninguém sairá vivo dela."

"Se o objetivo da política, fosse mesmo o bem estar geral, não haveria miséria, guerras, fome, violência, poluição ou qualquer outra mazela antrópica ao redor do mundo."

"Quanto mais o homem conhece a si mesmo, mais ele entende que tem de dedicar-se mais a si, do que as instituições."

"A liberdade plena é indiscutivelmente alcançada com a desvinculação corpórea."

"Enteógenos estão na natureza e em nossos próprios corpos, pra nos ensinarem e nos educarem como seres universais e benévolos."

"O orgasmo serve como um atino para o despertar, assim como os estados alterados da mente."

"Expandir a consciência é a ordem mor que deveria ser trabalhada pelos educadores em processos personalizados, com cada um de nós, desde infância, até a terceira idade."

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Levianos - Modificar

Procedente da nova safra de bandas do cenário de Manaus, mais precisamente formada no ano de 2013, a Levianos é um power trio que, poderia muito bem ser apenas mais uma banda nova lançando um EP de cinco faixas. Mas estes garotos acertaram em apostar na boa qualidade do disco nomeado “Modificar”. Com produção de Eddie Souza, a bolachinha acaba sendo um bom debut, de quem está dando os primeiros e certos passos.
A fidedigna arte do EP Modificar do power trio Levianos
O CD abre com um rifão de distorção pesada e definida, que é logo acompanhada por uma cozinha típica de show ao vivo. É a música “Destilando” com muito eco nos vocais dos estrofes e pegada própria dos anos 90. A segunda é a que nomeia o álbum. No trabalho nas guitarras, fica a sensação de que eles poderiam pensar num segundo guitarrista, pra melhor exploração nos arranjos ao vivo. Apesar de ser mais lenta que a primeira, esta faixa é mais densa, com cadência forte de metal head. A letra tem o apelo otimista, quase gospel. Mas a liberdade interpretativa da poesia, oferece o ensejo de ser subjetivo, mesmo com o acentuado tom de auto ajuda. Na terceira posição está “Amanhecer” que já não deixa mais dúvidas da influência do grunge, numa infalível balada deprê. A quarta “Teus Olhos” explicita demais a insistência em ter o seu lugar numa trilha sonora de telenovela das 18:00. Provavelmente o ponto fraco do todo. Pra fechar “Estradas da Vida” mantém o ritmo, como se não tivesse mudado de canção, mesmo em sua letra. Contudo, é nesta última faixa que se é mais fácil notar a qualidade de captação em estúdio do áudio. Cada nota de cada instrumento é naturalmente percebível, até pelos mais leigos dos ouvidos.
A parte gráfica gatefold em papelão, também já se firmou como paradigma pra lançamentos iniciantes, mesmo por questões de custos. A atrativa arte de Adriano Bezerra, expressa fidedignamente a simplicidade da banda, confirmada em sua foto e encarte com o mínimo preciso, incluindo trascrições das cinco letras.
Não há dúvidas que ainda falta muito pra banda Levianos aperfeiçoar. De certa forma, isto é bem natural e com a demonstração de boas intenções na qualidade de produção do EP “Modificar”. Vale dar uma conferida nas músicas. https://soundcloud.com/levianos

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Jornal A Crítica - 21/05/2017

Intelectuais e renomes do meio elogiando a atitude, falando dos benefícios, que o reconhecimento não demorou pra vir, blá, blá, blá. Eu termino a matéria soltando o verbo e falando a real.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Rock de Manaus em 80 Links

O Brasil todo sabe que a capital do Amazonas, Manaus, tem um cenário de rock autoral muito forte, mas este nunca teve muita exposição na mídia do restante do país.
Pra facilitar a busca de quem pesquisar uma amostra no site do You Tube, segue abaixo uma lista de links com os nomes mais representativos da cidade. Algumas bandas já não exercem mais suas funções, mas deixaram seus legados registrados em alguma mídia e na memória de uma geração que marcou época na cena, mesmo os que não chegaram a lançar um disco profissional.
Muitos exemplos não possuem nenhum tipo de produção e outros não negam o sotaque nortista que carrega no DNA a miscigenação de colonizadores/indigenas/ribeirinhos. Contudo, eles existem! São atuantes e se expressam com centenas de músicas, CDs vendidos de mão em mão, clips caseiros, fanzines, shows em lugares de estrutura caótica, quase sempre sem cachê ou tocando em troca de latinhas de cerveja.
A disposição dos links é aleatória e propositalmente misturando estilos diferentes, pra que o curioso tenha a oportunidade de surpreender-se no garimpo. Como não são apresentados links de bandas repetidas, o internauta pode ter a certeza de que o panorama é bem completo.
Divirtam-se!
















































































sexta-feira, 12 de maio de 2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Toró

Chega torrencial. Não para! Não para! Não para!
Fenômeno natural de arma que dispara
Continua, indo nua molhando tudo
Um céu de água desabando
Sem lua iluminando o escuro
Segue torrencial. Desampara. Não para! Não para!
Com a força de seu início
Permanece como catástrofe
Acentua acelerando numa lamúria
Tom que força o declínio
Infindável manancial. Desagrada. Não para! Não para!
Barulho ensurdecedor da chuva mil
Dificulta a respiração e falta ar
Muita água. É ruim pra enxergar
Perpetua a inundação. Desvive. Não para! Não para!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

1ª Moral

Tudo que ela desejava era que aquele pesadelo terminasse o mais rápido possível. Já tinha perdido a noção de tempo e não sabia quantos dias estava cativa, mesmo porque também não sabia por quanto tempo havia ficado desacordada, desde que fora abordada. A desorientação lhe era tão pavorosa quanto a violência a que fora submetida
Sua mão enfaixada com o curativo imundo, já não doia tanto. Tinham-lhe cortado um dedo mindinho, para comprovar a seus familiares a seriedade daquele sequestro. Havia sido estuprada por várias vezes e abalada com tudo, já não passava horas chorando, como no primeiro dia da tragédia que estava vivendo. Aquele terror era real, inimaginável antes, mas surpreendentemente real.
O cativeiro era escuro, com apenas uma fresta no teto brotando iluminação natural do céu. Só através deste orifício de centímetros é que tinha noção de ser dia ou noite.
Quando a porta se abria, era pra receber água ou comida de seus sequestradores que, devido a sua higiene precária, já não levantavam interesse em outros estupros. Por isso, tinha um certo gosto pelo fedor e não se limpava mais, de suas necessidades fisiológicas realizadas num dos cantos do ambiente.
Suor encharcante; ceroto preto espalhado por toda pele que estava salpicada com ferradas de muitos insetos; coceira constante; unhas quebradas; cabelo embaraçado recheado de pulgas e piolhos; dores nas articulações; alguns hematomas nos membros; fome ininterrupta; sensação febril e a forte enxaqueca completavam aquilo que contrastava inquestionavelmente com a sua outrora pacata e divertida vida de shopping, faculdade, carro e iphone.
Baratas, ratos e diversos outros bichos nojentos eram tão presentes, que já não causavam mais repulsa. Não conseguia dormir direito, porque tinha que ficar espantando estas mazelas que teimavam em tentar mordiscar sua mão, atraídos pelo odor do sangue coagulado.
Ainda tinha esperanças de sair dalí, porque na realidade fincanceira de seus pais, sabia que qualquer quantia poderia ser paga, por sua vida. Tinha fé em Deus e rezava em voz baixa, constantemente, desde que fora jogada alí naquele inferno fedido e sombrio. A reza alí, por mais ingênua que possa lhe parecer, lhe confortava num placebo consolador.
Pela fresta no teto, sabia que era manhã, pois não havia muito que estava escuro.
Com muita sede, estava sentada no chão, encostada na parede, no meio de uma reza, quando escutou baruho da porta destrancando. Viu ela se abrindo e recebeu a iluminação externa em sua face.
Antes de seus olhos se acostumarem com a claridade, percebeu um homem corpulento caindo em sua frente, por ter sido empurrado, por alguém mais, atrás dele.
O homem gemia sem parar, devido a um ferimento a bala em seu joelho direito, e falou entre seus gemidos:
- Pronto! Tá aqui ela! Não me mate! Por favor, não me mate!
Em seguida, adentrou-se a outra pessoa, que era outro homem corpulento, todo trajado de preto, com capuz na cabeça e empunhava uma pistola automática com silenciador.
- Ei, você está bem? - Perguntou ele, sem deixar de apontar a arma para o sequestrador caído.
Ela só confirmou positivamente com a cabeça, enquanto brotavam em seu rosto lágrimas e um sorriso, por ter sido agraciada em suas preces pela salvação eminente.
Enquanto o homem caído gemia com as mãos sobre o joelho o outro disse a ela:
- Tudo bem! Vamos já sair daqui! Fique tranquila que você vai pra casa agora!
Assim que terminou de falar isso, sua cabeça explodiu em sangue, junto com o estrondo ensurdecedor de um tiro. Seu corpo balanceou e ele caiu no chão, sem nenhum vestígio de vida.
Ela perdeu o sorriso e seu choro aumentou, com um grito entre soluços:
- Nããããooo!
Enquanto ela chorava compulsivamente, um terceiro homem entrou no ambiente com uma arma em punho, soltando um pequeno fio de fumaça do cano. O homem era muito mal encarado, mal trajado, magro, com barba por fazer e olhos esbugalhados. Logo que adentrou totalmente no recinto, disse para o primeiro caído:
- Esse mercenário deve ser muito burro, pra pensar que só uma pessoa faria o sequestro. Levanta, S4! Vai cuidar do teu joelho. Deixa que eu me livro do corpo desse filho da puta. Vamos ter de sair daqui logo, porque se esse otário descobriu a gente, não vai demorar pra aparecer outro aqui. A família dessa vagabunda tem grana pra pagar um exército de mercenários, mas tá enrolando pra pagar pela filha.
Desesperada, a garota começou a se levantar na direção do homem armado, gritando em seu pranto:
- Nãããoooo! Me deixa sair daqui!
Antes que ficasse totalmente em pé, o homem mal encarado mirou sua arma pra cabeça da moça e atirou.
Outro estrondo ensurdecedor, calou de vez a rapariga que caiu sem vida no chão, faltando um pedaço de sua cabeça.
- Essa puta, bem que podia ficar quieta. Agora vamos ter que manter ela no gelo, pra ir cortando os pedaços dela, até que paguem o resgate.
- Levanta logo, S4! Temos muito trabalho a fazer. - Terminou de falar, colocando a arma na cintura, pegando um dos cadáveres pra carregar.


Moral da história: por pior que seja a situação, sempre haverá a possibilidade de piorar mais ainda.

domingo, 16 de abril de 2017

Interstellar

Um fator otimista para melhora da indústria cinematográfica, sem dúvida nenhuma, é a evolução dos softwares gráficos. Hoje em dia, pode-se fazer surgir nas telas a imagem de algo inexistente, com um realismo convincente que, até algumas poucas décadas atrás, seria hilário. Com toda tecnologia e fantasia para se explorar, a super produção “Interstellar”, dirigida por Cristopher Nolan (que também assina produção e roteiro) e lançada no ano de 2014, não se prende a isto, mesmo o filme sendo contemplado com o Oscar de Efeitos Visuais, e fazendo uso de um roteiro super elaborado para apresentar uma obra imperativa, emocionante, realista e supreendente.
Um dos posters da obra prima da sétima arte dirigida por
Cristopher Nolan
O personagem principal, interpretado por Matthew McConaughey, norteia o enredo que expõe um planeta Terra de recursos naturais escassos e necessitando perpetuar a espécie humana em outros astros capazes de suportar a continuidade da vida. A missão é de um grande dilema filosófico, por ter a possibilidade de não oferecer retorno para o astronauta, cativo no amor paternal. Paralelamente, antes de sua partida, Cooper (McConaughey) acredita que há um cômodo de sua residência que seja mal assombrado, por conter fatos inexplicáveis que mais parecem tentativas de comunicação paranormal. O que Cooper não imagina é que estes fatos inexplicáveis, seriam ele mesmo tentando comunicação, após cair num lapso de espaço/tempo na sua missão extraterrestre. A dialética do espaço/tempo é crucial para a interpretação de todo o drama que parece incoerente, mas se auto explica, justamente neste viés, de maneira surpreendente e emocionante.

Com o spoiler dado confirmado, pode-se concluir que a evolução dos softwares cinematográficos realistas não é suficiente para a produção efetiva de um excelente filme, mas sim, que isto somado a outros fatores técnicos equivalentemente evoluídos (elenco, fotografia, roteiro, som etc.), pode sim, gerar verdadeiras obras primas da sétima arte. “Interstellar” é a prova concreta disto.
Não deixe de assistir!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista com a Banda Os Playmobils

Com mais de 15 anos de carreira, algumas gravações e um livro no currículo, além de extensa e contínua agenda de shows, a banda Os Playmobils vem se firmando como um dos expoentes de maior significância no cenário local da cidade de Manaus. A simplicidade na sonoridade reflete diretamente a humildade e o carisma de Albenízio Júnior, Henrique Magnani e Carol Magnani que formam este power trio, que cedeu gentilmente uma entrevista exclusiva para este blog.
Vida longa aos Playmobils!

Orestes: O nome da banda é referência direta a um brinquedo. Onde mais há referências inusitadas no que os Playmobils fazem?
Carol: A referência, além de citação ao brinquedo, é uma lembrança de nossa infância. Tem vários itens do meio adolescente no rock comercial. Tanto que a primeira gravação nossa é "Sorvete e Fliperama" que gravamos em K7.
Henrique: Apesar de nosso nome ser referência aos anos 80, queríamos fugir dessa linha oitentista. Foi difícil sair um pouco disso, porque o nosso primeiro letrista e o nosso atual (Albenízio) são muito fãs de Legião Urbana e outras coisas ligadas à essa década infame. Sobre a escolha do nome "Os Playmobils", as vezes bate um certo arrependimento, porque sabemos que um dia podemos ter problemas com isso. Não é o que almejamos. Por isso mantemos o nome. Tanto é que nas páginas de nosso livro, está bem claro que a formação de uma banda de rock, não é como um time de futebol pra competir. É algo que fazemos por amizade, por gostarmos.
Albenízio: Sim, o nome da banda é referência ao brinquedo de mesmo nome. Ideia de Henrique e Carol, que sempre foram fãs desse brinquedo. Há mais coisas relacionadas a brinquedos na banda, entre outras coisas inusitadas, como alguns projetos que estão por vir, como "A Caixa", álbum que eu escrevi em 2007, e o "Jingles da Estação Pirata" que eu escrevi ano passado e que espero gravar um dia, pois valerá a pena.

O.: Algumas letras de canções da banda, direta ou indiretamente, expõem problemáticas humanas existentes também no meio musical/artístico local. Evidentemente que estas problemáticas existem em qualquer lugar do mundo. Em que ponto esta temática se diferencia no cenário local para o cenário global, pros Playmobils?
C.: Hoje existem muito "viúvos" de alguma coisa, de uma época que foi boa. As pessoas pararam no tempo e não criam mais. Essa coisa de viver do passado, tira um pouco de criatividade pra criar coisas boas.
H.: Mundialmente a molecada está ligada muito no rock and roll medalhão. Ninguém quer ouvir o que deu origem a tudo. Ninguém quer mais ouvir um blues, um "garajão". Acho que tudo está rumando pra colocarem na tua frente o que todo mundo ouve e tirarem na tua frente o que tenha essência. Banda de rock é muito mais do que baixo, bateria e guitarra. Se os integrantes da banda não estiverem convictos do que realmente gostam, a coisa fica massante, chata e não vai durar muito tempo, e é o que tem acontecido bastante.
A.: Acho que no geral as nossa letras são globais ou universais. Principalmente quando se trata de sentimentos e situações humanas. Mas quando falamos do regional, como as músicas "Banda de Mentira" e "Ode e Cirrose" são letras críticas, geralmente. Daí o ouvinte escolhe se por bem ou por mal. Se é construtiva ou não. Digo isso porque a cena rock de Manaus, especificamente, não tem nada ainda. Há pouco trabalho e muita gente querendo aparecer, só porque gravou um disco, fez um ótimo show, ou porque canta ou toca pra caralho. Grandes merdas isso tudo! A produção é frequente e, pra mim, creio que a colaboração com uma cena, seja até morrer, por toda uma vida e com humildade sempre. Então é isso! Letras levando pro regional é essa porrada. Aí o diferencial pras letras universais. Diferente dos amigos da Dpeids, que levam pra um regional mais escrachado e que mostram nosso cotidiano manauara através do ridículo, que acaba por ser muito engraçado. Coisa que o Nicolas Jr. faz e muito bem, também.

O.: Qual a maior fonte de inspiração pra cada um dos Playmobils?
H.: Em termos de letras, acredito que temos evoluído. Estamos fugindo mais da temática colegial, que é a tecla que batíamos bastante no início da banda. A gente tinha muita composição, relacionada a romance e coisas mal resolvidas. Algo que não toma mais conta da temática que queremos passar. Tanto é que hoje, nos shows, a gente vê um punkezinho ou outro fazendo careta pra nossa apresentação, e os mesmos trajam camisetas dos Ramones. Só que talvez na imbecilidade deles, não sabem que 80% das canções dos três primeiros discos, eles cantavam o amor, mesmo que no formato de ódio.
A.: Me inspiro em todas as bandas que ouço e em situações de minha própria vida. É incrível você transformar em música ou literatura o que se vive ou o que se sente. Confesso que só entendi, enfim, o que era arte, quando saí da teoria e fui pra prática.

O.: Os Playmobils foi uma das bandas que fez o pré show de Marky Ramone em Manaus. Sendo os Ramones, indiscutivelmente, uma das maiores influências da banda, teria sido este show de abertura o maior privilégio do grupo, ou vocês ainda viverão privilégio maior?
C.: Foi sem dúvida o maior privilégio que tivemos, pois os Ramones são a maior influência da Playmobils. Dificilmente teremos um privilégio maior que esse. Só se abrirmos pro Paul McCartney (risos).
H.: Eu não diria privilégio maior, mas foi algo surreal que aconteceu. O som em si, foi bem meia boca. O público, o som e não era o tipo de palco que gostamos em nossas apresentações. Mas só da gente estar alí, ao lado de um Ramone, um cara que eu tenho como ídolo, como influência, até mais do que o próprio Tommy, pra mim passou um filme depois que eu tive contato com ele. Se na década de 90 eu ouvia Ramones, deitado no meu quarto e sonhava em ter uma banda, anos depois eu dividiria o palco com um deles. É coisa que a gente tem nos sonhos mais otimistas. Não imaginava que isso fosse acontecer, ainda mais na capital que a gente vive.
A.: Foi pra mim o pagamentos dos deuses, por termos uma banda. Abrir pra um Ramone, valeu a vida! Poderíamos ter acabado a banda após o show e já teríamos muitas histórias boas pra contar. Fora isso, as festas do Mama Rock; ter organizado com Infâmia, Dpeids e Antiga Roll, esse projeto, foi algo surreal. Ainda mais em Manaus, onde o pessoal monta banda pra brigar, menosprezar eventos e se vangloriar de alguma coisa. O Mama Rock é sim um grande feito e surreal, pela união dessas bandas e pelas noites insanas que criamos com um público fiel. Mas, mais uma vez, nada disso ainda não é o bastante. E sim, eu creio que ainda teremos privilégio maior que tudo isso, por nós mesmo. Porque não paramos. Banda underground ou autoral, não tem férias.

O.: Se não existissem os Playmobils, o que cada um de vocês estaria fazendo, ou o que cada um de vocês estaria tocando?
C.: O meu primeiro violão eu ganhei antes da Playmobils. Eu sempre quis montar uma banda com o Henrique e com meu outro irmão, tipo Hansons, e provavelmente não sei dizer se estaria numa outra banda, tocando em casa e ouvindo música.
H.: Eu não estaria tocando em lugar nenhum. Estaria frequentando os shows undergrounds e ouvindo bastante música e discos, até mais do que ouço agora, talvez.
O carismático power trio manauense Os Playmobils
A.: Quanto a música, eu estaria tocando e cantando sim, de qualquer forma. Compondo sempre! Esta coceira interminável. Escrever é relaxar! Teria um outro projeto, na verdade eu tenho vários (risos). Em meus escritos tenho até composições de jazz, blues e rock progressivo.

O.: Se um dia acabar os Playmobils, o que cada um de vocês fará?
C.: Eu tocaria Jovem Guarda!
H.: Não sei se tocaria em outra banda, mas eu gosto muito do lance mais brega, tipo Roberto Carlos, Jerry Adriani, Adair José, talvez me interessasse. Erasmo Carlos é rock até hoje!
A.: Se um dia os Playmobils acabar, continuarei tocando mesmo assim, em algum outro projeto, seja meu ou de algum amigo. Nunca vou parar de tocar e cantar!

O.: Possibilidade de entrar um membro adicional na banda, ou os Playmobils já está ciente num power trio fechado?
C.: Esta formação existe desde o começo, há mais de 15 anos. A fórmula funciona bem com a gente. Não será necessário mudança!
H.: Já imaginei um projeto com outros artistas, mas nunca foi exposto pra todos. Acredito que a formação atual seja bem completa pro tipo de som que buscamos.
A.: Somos um power trio mesmo. Não tem jeito! E isso não só, ajuda a combinar as coisas (por ser pouca gente na banda), como na logística pra tocar e viajar. Três pessoas é muito mais prático! Nunca tive alguma aversão a um quarto integrante, mas já temos mais de 15 anos de banda e realmente somos três. Acredito que os arranjos com uma guitarra solo, daria uma Playmobils talvez mais harmônico, o que agradaria muita gente, mas nosso som é urbano e não bucólico. Já temos a voz como instrumento solo e três bases com guitarra, baixo e bateria, não tão harmônico, mas pesado e sincero. É o som das ruas, de nosso bairro. É o som de uma grande capital. Gostamos da cidade! Gostamos de amar aqui! Colocamos ketchup em cima de macarrão, feijão e arroz! Gostamos de jeans e camisa de algodão. Violão ao redor de uma fogueira, numa praia, fumando e filosofando, é outra parada! Sem falar no virtuosismo que é demasiado e maçante.

O.: Qual foi o maior "mico" dos Playmobils?
C.: O mico não foi tão grande! Um começa uma música e outro começa outra música.
H.: Não tem um grande mico, que eu lembre. Tem muitos erros nas apresentações, que acontecem com qualquer banda.
A.: Acho que foi no Posto de Lavagem do Negão, próximo ao Hotel Da Vinci (risos). Nossos amigos e familiares estavam lá e foi um desastre, tudo. A bateria se desmontava e eu me senti um macaco tocando banjo (risos). O som estava horrível! Foi uma noite tosca, mas foi divertido. Isso foi bem no início da banda.

O.: Quais as metas de curto e longo prazo da banda?
C.: Continuar lançando material que a gente tem escrito há muito tempo.
H.: A gente tem atrasado bastante as gravações por excesso de preciosismo e até em exigir uma qualidade bem melhor, pro que a gente costuma apresentar. Só que ouvindo muitas outras bandas, eu tenho verificado que esse preciosismo não é necessário (risos), pra que nosso som fique bom, pra se ouvir num CD. A gente pretende lançar "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com a gravação bem próxima do que a gente costuma apresentar nos shows.
A.: Curto prazo, gravar e lançar o disco "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com 12 faixas. Longo prazo, gravar mais discos e tocar sempre que pudermos.

O.: Deixem seus contatos e um recado pra quem ler a entrevista.
C.: A gente vê pessoas que cantam nossas músicas, que me perguntam, por mensagens, quando será a próxima apresentação. Agradecemos a estas pessoas o prestígio dado a banda!
H.: A entrevista não foi nada pessoal contra ninguém, mas se alguém achar que foi pra ele, foda-se!
A.: Acessem as páginas de nossa banda no Facebook, no Instagram e fiquem por dentro das notícias da banda. Procurem nessas duas redes sociais por "os Playmobils"(https://www.facebook.com/osplaymobils/) e (https://www.instagram.com/osplaymobils/). Na página de Facebook tem links pra baixar nosso material. E para as pessoas que lerem esta entrevista, conheçam, não só nossa banda, mas outras que são de Manaus. Pra uma grande cidade encravada na selva Amazônica, temos bandas incríveis acontecendo por aqui, que não devem nada a nenhuma banda de rock do mundo, e isso falo de qualquer vertente do rock n' roll. Pesquisem, nos ouçam e compartilhem! Grande abraço!
osplaymobils@gmail.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ás Inimigo - Um Poema de Guerra

Capa da luxuosa graphic novel de George Pratt
Uma das caracaterísticas mais marcantes das histórias em quadrinhos, é justamente as ilustrações, que servem de explicativo visual para o roteiro da história e em algumas vezes pode muito bem “contar” a história, sem conter uma única palavra sequer. Esta característica é o que cativa crianças, que ainda não sabem ler, num entretenimento único proporcionado. Contudo, esta capacidade de cativar, é usualmente aplicada a adultos, por muitas vezes, devido aos textos e em outras, na junção perfeita entre textos e ilutrações. Este talvez seja o caso da graphic novelÁs Inimigo – Um Poema de Guerra” com textos e ilustrações do norte americano texano George Pratt, que pintou e escreveu esta obra em cima de criação da parceria do editor/escritor Robert Kanigher e de Joe Kubert, que assina a introdução.


O primeiro elemento a chamar atenção neste comic book, é o acabamento gráfico que traz todo o livro, com miolo em papel couchê, encapado com um grosso plástico transparente, que ainda possui botão de lacre. Pra completar o acabamento luxuoso, um marca páginas, temático à obra, acompanha o título.
No roteiro, o reporter de uma revista é designado a cobrir todos os ex-militares alemães condecorados, ainda vivos, da Primeira Guerra Mundial, naquele ano de 1969. Em sua empreitada, descobre que o soldado tido como o maior ás da aviação, encontra-se vivo, mas em seu leito de morte. Imediatamente, visita-o com o intuito de colher seu depoimento e traçar um profundo perfil do personagem. O testemunho passa a ser apaixonado pelo drama existencial singular de quem viveu o terror de uma grande guerra de proporção global.
Cada quadrinho com a erudição de uma pintura a ser enquadada
em parede
Pode parecer piegas e repetitivo, mas não é a toa que muitos ex-combatentes, sejam de qualquer guerra, desenvolvem sequelas de depressão e em alguns casos, até esquizofrênia e psicopatia. Essas lembranças traumáticas, por si só, norteiam a poesia e a loucura, amaldiçoando as mais bem preparadas mentes, num inferno individual personalizado. É este viés que George explora com perfeição, fornecendo a suas pinturas, uma plasticidade sublime de expressividade digna nos momentos silenciosos de tensão e nas passagens agitadas de batalhas caóticas. Todo detalhe pincelado, transforma cada quadrinho em um obra excelente para compor um quadro moldurado de parede. Prova disto, é que o talento de Pratt consta da revista Heavy Metal ao Houston Museum of Fine Art e pode ser encontrado em coleções particulares nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Índia. Com tamanha qualidade, é impossível ficar indiferente frente a um projeto de beleza erudita e poética.
Como já fazem mais de vinte anos, desde o lançamento desta maravilha, seria interessante o projeto para um relançamento, visto “Ás Inimigo – Um Poema de Guerra” ser um dos melhores expoentes das histórias em quadrinhos para adultos, já publicados em todo o mundo.
Editora Abril Jovem, DC Comics, 1995.