Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Treta Boa


Abertura de 70 graus com a perna direita
Assim acerta o pescoço a meia lua cheia
Soco reto na boca do estômago vazio
Sorriso largo confirma caráter doentio
Gancho fechado surpreende no maxilar
Grito anormal assusta em seu executar
Joelhada de esquerda quase quebra costela
Jogada uma fuga em rápida circense estrela
Escala aberta não erra o largo nariz
Esparrama o sangrar como chafariz
Canelada bem dada com força no saco
Cutuvelada arretada nas costas é naco
Dedos puxam o globo ocular pra fora do rosto
Dores gigantes no corpo aumentando o gosto
Murro certeiro no baço libera um alto gemido
Músculo ereto do braço só o faz mais temido
Chute na ponta do pé distende a coxa
Chato se olhar hematoma a pele roxa
Findado o combate tocante se querendo ou não
Finado será enterrado 7 palmos abaixo do chão

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fear The Walking Dead

 Muito já foi explanado sobre o grandioso sucesso da série The Walking Dead, oriunda da saga de histórias em quadrinhos homônima. Pois a segunda série, no mesmo universo desta primeira, rapidamente teve o mesmo sucesso na TV, mais precisamente no canal AMC, diferente de The Walking Dead que é exibida na Fox. “Fear the Walking Dead” também é do criador Robert Kirkman, mas ambientada em outra cidade, com outros personagens, em outra situação e ilustrando o início da epidemia zumbi, que ainda não havia desmantelado toda a sociedade.
Um dos posters da realista série que tem os zumbis apenas
como protagonistas
Fear the Walking Dead, apesar de ser do mesmo universo de The Walking Dead, não tem produção em histórias em quadrinhos. Sua produção se resume apenas à linguagem da televisão e tem uma abordagem bem mais realista deste tipo de apocalipse, que sempre esteve presente no imaginário contemporâneo, sendo que a trama toda ocorre no drama de uma família comum que tenta sobreviver ao caos crescente, com todos os seus problemas particulares. Crises existenciais, filhos rebeldes, drogas, rotina familiar são algumas peculiaridades que gera identificação imediata do telespectador com os personagens da família central. Com este prisma intencional, os zumbis viram meros coadjuvantes que apenas detalham a desestruturação social em ascensão. Talvez seja este o segredo do sucesso momentâneo da série. Curiosamente, a primeira temporada teve recorde de audiência, mas as demais consequentes, tiveram audiência em decadência crescente.
A forte Madison Clark (vivida por Kim Dickens) é mãe de dois filhos que estão saindo da adolescência, Nick Clark (estrelado brilhantemente por Frank Dillane) e Alicia Clark (Alycia Debnam-Carey) e possuem o pai Travis Manawa (Cliff Curtis), que luta constantemente para manter a integridade da família, mesmo com todos os problemas recorrentes de seu casamento anterior, do abuso de substâncias químicas de seu afilhado Nick e da misteriosa epidemia que se alastra pela cidade, abalando a tudo e a todos. Com seguidos imprevistos e inconvenientes diversos, acabam por se envolver e se juntar a uma outra família que tem descendência latina e unidos passam a migrar como nômades, conforme o oportunismo aponta. Desencontros e reviravoltas são surpresas recorrentes no decorrer dos episódios, o que só aumenta o drama cativante da espectação.
Nick Clark (Frank Dillane) ao centro se infiltrando corajosamente no meio
dos zumbis.

A quarta temporada da série já começa com o crossover do universo, visto a participação de Morgan Jones (Lennie James) que atua em The Walking Dead. Algumas surpresas trágicas acontecem até então, mas para evitar mais spoilers, detalhes serão poupados aqui.
Pra quem deseja algo menos denso e mais realista de The Walking Dead, sem sair do clima apocalíptico, pode arriscar sem medo, a audiência de Fear The Walking Dead, que certamente irá se satisfazer e talvez até mesmo se identificar com algum protagonista. Vale assistir!

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Several - Carma

A banda manauense Several começou suas atividades, com letras em inglês, usando o nome “Several Skin”, com o qual lançou seu debut no ano de 1999 (veja resenha aqui: https://marioorestes.blogspot.com/2011/01/several-beyond-scenes.html) nomeado “Beyond the Scenes”. Chegou a fazer muitos shows em sua terra natal, alguns pontuais fora do Estado do Amazonas e até mesmo na terra do tio Sam. A alta qualidade sempre foi o forte do grupo que chamava atenção pelas ótimas composições, perfeccionismo dos músicos e excelente produção de gravação. Infelizmente a banda já encerrou suas atividades, mas ainda brindou o seu público com um segundo álbum, chamado simplesmente de “Carma”, todo com letras em português e no mesmo nível de qualidade de seu antecessor, talvez até melhor. É sobre esse segundo trabalho, lançado apenas no ano 2008, que esta resenha se propõe.
Capa do ótimo disco "Carma" da infelizmente extinta banda Several
A faixa título abre o disco de uma forma bem raivosa, evidenciando contra tempos. Grande trabalho nos arranjos e ótimo refrão. Uma quebrada para entrada do último refrão desacelera a música, mas sem perder o peso.
A segunda é “Hiroshima” que já traz uma levada mais simples, até a chegada do segundo estrofe, quando voltam os contra tempos. Vocais mais trabalhados e ótima letra (a propósito, todas as letras são muito boas) marcam a canção, que também tem quebrada e mudança de levada. Em terceira posição vem “Ruínas de Cartago” que atesta com propriedade tudo já dito sobre as canções anteriores. A melodia é muito marcante, mas o peso não é esquecido, mesmo quando o vocal suaviza. Um certo destaque para o contrabaixo, mas todo instrumental é límpido e discernível. “Clímax” está como a quarta faixa e não tem enrolação. Já começa com grande energia e introduzindo o primeiro estrofe. Remete muito ao primeiro CD da banda. A quebrada desta música leva o ouvinte a um dedilhado e canção quase romântica, mas apenas para introduzir um estrofe, que termina retomando o rockão marcante. Grande final. Na sequência vem “Esperanto” que mostra a forte influência de Red Hot Chilli Peppers. A balada do disco que vai ganhando distorção e excelente arranjo nas guitarras, conforme sua execução. Em seguida “Mosaico” confirma a excelência dos músicos. Incrível suas competências performáticas e como estes não deixam nada a dever para bandas gringas. Aqui o equilíbrio entre o sublime e o nervoso fica bem nítido na composição, principalmente na percepção de teclados. Talvez esta seja a canção de melhor desempenho vocal. Depois a que possui o maior título “Subversivo (a Inauguração de um Novo Bar)”, por causa do sub-título, se inicia com um ótimo riff. A letra notívaga dá uma aparência simplista, mas ainda assim, mais uma música trabalhada e complexa. A oitava faixa possui o melhor título. “Lágrima de Chorume” tem vocais principais diferenciados (não creditados no encarte) e é outra que se inicia como balada, mas ganha distorções e peso no decorrer. “Spectrum” é a anti penúltima e levanta a seguinte questão: Porque a Several não deu certo, com tanta qualidade e excelência? “Tormenta” continua o play como uma cacetada no ouvido. Uma faixa um tanto diferenciada das restantes, mas com todas as boas características de um hit. Fechando o disco “Estação Solidão” resume bem as virtudes das composições com toque de obra prima.
A arte gráfica traz mais uma capa enigmática, tendo encarte com fotos da banda ao vivo, letras de todas as músicas e uma bem sucinta ficha técnica. Em suma “Carma” é um disco estupendo numa ode ao bom gosto, que dá a sensação de “quero mais”. Uma grande pena esta pérola do rock amazonense não ter vingado.
Pra quem deseja conferir, basta dar uma procurada rápida. No Youtube é possível se encontrar tudo da Several. Vale constatar.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Capas de Discos: Artes que Variam de Engraçadas a Bizarras - Parte 3

Desta vez a pesquisa se deu em vários sites da internet. É incrível a criatividade (ou falta dela, em alguns casos) para a arte que é a "apresentação" daquele disco da banda ou do artista em questão. De qualquer forma, vale sempre dar uma conferida pra não perder a oportunidade de algumas risadas.
Deixe nos comentários sua sugestão de inclusão de alguma capa que ficou de fora da lista. A última postada aqui foi uma dessas sugestões.
















sábado, 9 de junho de 2018

O Verdadeiro déficit da Previdência

O assunto já foi dado como derrotado pelo governo que resolveu arquivar o projeto da Reforma da Previdência, ao menos por enquanto. A alegação é de que há um déficit anual milhionário que provoca um desacerto nas contas públicas. Esse déficit exite sim, mas se dá justamente por aposentadorias absurdas do setor público, militar e judiciário. Este vídeo curto, de um debate televisivo entre especialistas e jornalistas, explica claramente o problema que não tem nada a ver com a aposentadoria dos verdadeiros trabalhadores brasileiros.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Aforismos Oresteanos

"Muitos ingênuos apoiam a volta dos militares ao poder. Porém, o que esses mentecaptos não sabem, é que os militares são tão corruptos quanto os civis. São até piores, porque abafam e proibem a divulgação de suas corrupções realizadas quando estiveram no poder."

"A obesidade é o maior desamor que o sujeito pode fazer para consigo mesmo."

"Falar muito, só é proveitoso quando feito sob raciocínio embasado e esclarecedor. Caso contrário, se torna tagarelar com amplas margens ao falacioso."

"Nunca desperdice a oportunidade de um orgasmo. Uma das maiores tristezas da vida é não ter o privilégio de o praticar."

"Se existem alienígenas infiltrados entre nós, com o intuito parasitário, estes são políticos, legisladores, juristas e grandes empresários."

"Ler livros é um dos melhores meios de se agregar conhecimento. Contudo, dependendo do livro e do leitor, o ato passa a ser de desagregação."

"O Brasil é um lugar tão surreal que corruptos teem fã clubes de formadores de opiniões, que são radicais capazes de tudo, no empregar de seus fundamentalismos dogmáticos."

"É praxe o Estado se denominar o gestor público em prol do bem coletivo, mas ele sempre estará fazendo isso visando o intuito de se perpetuar no domínio para seus interesses próprios."

quinta-feira, 3 de maio de 2018

A Crítica 19/03/2010

Matéria publicada no jornal A Crítica em 19 de março de 2010, divulgando uma oficina de desenho artístico que eu lecionaria no extinto Espaço Cultural Valer.


terça-feira, 27 de março de 2018

Fotos Inéditas de Marcelo Nova em Manaus

Abaixo divulgo fotos inéditas do show de Marcelo Nova realizado em Manaus na data de 03 de dezembro de 2010 no extinto pub Vitrola bar.
Na ocasião, Marceleza estava acompanhado de seu filho Drake Nova, na guitarra solo e uma banda de apoio contratada por músicos locais.




















quinta-feira, 22 de março de 2018

Miro de Melo - 30 Anos de Rock


Falar da biografia de “Mirão”, é falar muito da história do punk rock nacional. Logo, a obra “Miro de Melo – 30 Anos de Rock”, escrita pelo jornalista, músico e sociólogo Edson Luís Rosa, pode até parecer sucinta, pelas simples 86 páginas da brochura, mas é de uma importância única, por abranger dezenas e dezenas de nomes de bandas, festivais, discos, coletâneas, programas de TV e outros marcos que registram a trajetória de todo um estilo musical no Brasil.
O legado do biografado começa nada mais, nada menos, como componente da banda icônica Lixomania, que merece esta denominação por ser a primeira brasileira a lançar um disco solo de punk rock, em todo o território nacional. No caso trata-se do compacto triplo em vinil de sete polegadas lançado no ano de 1982, que recebeu o título de “Violência e Sobrevivência”. Engana-se quem pensar, que a Lixomania é uma banda do passado e que ficou marcada apenas por este feito. O grupo está ativo e tocando sempre que possível com Miro segurando firmemente as baquetas.
Capa da primorosa biografia de um dos nomes mais dignos
do rock brasileiro
O prefácio é escrito pelo escritor e dramaturgo Antonio Bivar, que também tem sua história marcada no punk brasileiro por ter escrito o lendário “O Que É Punk”, fascículo da coleção Primeiros Passos da editora Brasiliense, lançado em 1982 e tido como o primeiro livro sobre o punk rock no Brasil. Veja resenha aqui: https://marioorestes.blogspot.com.br/2013/03/o-que-e-punk.html
O miolo retrata toda a vida de Miro, contando desde o começo de sua vida, com os primeiros ensaios como baterista da 365, shows e festivais lendários, participações em programas de rádio e de televisão, como o Cacino do Chacrinha, Mara Marvilha, Programa do Bolinha e Perdidos na Noite, as brigas com os outros membros da banda, a passagem pela Fogo Cruzado até os dias de hoje com o retorno da Lixomania. Após os preciosos registros, encontra-se depoimentos de Mirão, depoimentos de muitas celebridades como por exemplo Gastão Moreira, Clemente Nascimento, Kid Vinil, João Baroni e Silvio Golfetti (só pra citar alguns), também depoimentos de pessoas menos conhecidas, mas de extrema importância para o músico como jornalistas, namoradas, amigos e vizinhos. Na sequência uma ótima lista para pesquisas com discografia, documentários e vídeos, fotos de arquivo pessoal e as referências para o todo. Além disso, todo o livro é recheado de dezenas de outras fotos, mostrando inúmeros momentos da 365, da Lixomania e de outros marcantes momentos.
Não temos um calhamaço extenso de proporções bíblicas em número de páginas, mas a biografia “Miro de Melo – 30 Anos de Rock” relatada sucintamente por Edson Luís Rosa é de um conteúdo, no mínimo, importantíssimo para se entender a carreira de um dos músicos mais dignos do rock brasileiro.
Editora e gráfica Coresgraf; São Paulo; 2ª edição, 2015.