Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista com a Banda Os Playmobils

Com mais de 15 anos de carreira, algumas gravações e um livro no currículo, além de extensa e contínua agenda de shows, a banda Os Playmobils vem se firmando como um dos expoentes de maior significância no cenário local da cidade de Manaus. A simplicidade na sonoridade reflete diretamente a humildade e o carisma de Albenízio Júnior, Henrique Magnani e Carol Magnani que formam este power trio, que cedeu gentilmente uma entrevista exclusiva para este blog.
Vida longa aos Playmobils!

Orestes: O nome da banda é referência direta a um brinquedo. Onde mais há referências inusitadas no que os Playmobils fazem?
Carol: A referência, além de citação ao brinquedo, é uma lembrança de nossa infância. Tem vários itens do meio adolescente no rock comercial. Tanto que a primeira gravação nossa é "Sorvete e Fliperama" que gravamos em K7.
Henrique: Apesar de nosso nome ser referência aos anos 80, queríamos fugir dessa linha oitentista. Foi difícil sair um pouco disso, porque o nosso primeiro letrista e o nosso atual (Albenízio) são muito fãs de Legião Urbana e outras coisas ligadas à essa década infame. Sobre a escolha do nome "Os Playmobils", as vezes bate um certo arrependimento, porque sabemos que um dia podemos ter problemas com isso. Não é o que almejamos. Por isso mantemos o nome. Tanto é que nas páginas de nosso livro, está bem claro que a formação de uma banda de rock, não é como um time de futebol pra competir. É algo que fazemos por amizade, por gostarmos.
Albenízio: Sim, o nome da banda é referência ao brinquedo de mesmo nome. Ideia de Henrique e Carol, que sempre foram fãs desse brinquedo. Há mais coisas relacionadas a brinquedos na banda, entre outras coisas inusitadas, como alguns projetos que estão por vir, como "A Caixa", álbum que eu escrevi em 2007, e o "Jingles da Estação Pirata" que eu escrevi ano passado e que espero gravar um dia, pois valerá a pena.

O.: Algumas letras de canções da banda, direta ou indiretamente, expõem problemáticas humanas existentes também no meio musical/artístico local. Evidentemente que estas problemáticas existem em qualquer lugar do mundo. Em que ponto esta temática se diferencia no cenário local para o cenário global, pros Playmobils?
C.: Hoje existem muito "viúvos" de alguma coisa, de uma época que foi boa. As pessoas pararam no tempo e não criam mais. Essa coisa de viver do passado, tira um pouco de criatividade pra criar coisas boas.
H.: Mundialmente a molecada está ligada muito no rock and roll medalhão. Ninguém quer ouvir o que deu origem a tudo. Ninguém quer mais ouvir um blues, um "garajão". Acho que tudo está rumando pra colocarem na tua frente o que todo mundo ouve e tirarem na tua frente o que tenha essência. Banda de rock é muito mais do que baixo, bateria e guitarra. Se os integrantes da banda não estiverem convictos do que realmente gostam, a coisa fica massante, chata e não vai durar muito tempo, e é o que tem acontecido bastante.
A.: Acho que no geral as nossa letras são globais ou universais. Principalmente quando se trata de sentimentos e situações humanas. Mas quando falamos do regional, como as músicas "Banda de Mentira" e "Ode e Cirrose" são letras críticas, geralmente. Daí o ouvinte escolhe se por bem ou por mal. Se é construtiva ou não. Digo isso porque a cena rock de Manaus, especificamente, não tem nada ainda. Há pouco trabalho e muita gente querendo aparecer, só porque gravou um disco, fez um ótimo show, ou porque canta ou toca pra caralho. Grandes merdas isso tudo! A produção é frequente e, pra mim, creio que a colaboração com uma cena, seja até morrer, por toda uma vida e com humildade sempre. Então é isso! Letras levando pro regional é essa porrada. Aí o diferencial pras letras universais. Diferente dos amigos da Dpeids, que levam pra um regional mais escrachado e que mostram nosso cotidiano manauara através do ridículo, que acaba por ser muito engraçado. Coisa que o Nicolas Jr. faz e muito bem, também.

O.: Qual a maior fonte de inspiração pra cada um dos Playmobils?
H.: Em termos de letras, acredito que temos evoluído. Estamos fugindo mais da temática colegial, que é a tecla que batíamos bastante no início da banda. A gente tinha muita composição, relacionada a romance e coisas mal resolvidas. Algo que não toma mais conta da temática que queremos passar. Tanto é que hoje, nos shows, a gente vê um punkezinho ou outro fazendo careta pra nossa apresentação, e os mesmos trajam camisetas dos Ramones. Só que talvez na imbecilidade deles, não sabem que 80% das canções dos três primeiros discos, eles cantavam o amor, mesmo que no formato de ódio.
A.: Me inspiro em todas as bandas que ouço e em situações de minha própria vida. É incrível você transformar em música ou literatura o que se vive ou o que se sente. Confesso que só entendi, enfim, o que era arte, quando saí da teoria e fui pra prática.

O.: Os Playmobils foi uma das bandas que fez o pré show de Marky Ramone em Manaus. Sendo os Ramones, indiscutivelmente, uma das maiores influências da banda, teria sido este show de abertura o maior privilégio do grupo, ou vocês ainda viverão privilégio maior?
C.: Foi sem dúvida o maior privilégio que tivemos, pois os Ramones são a maior influência da Playmobils. Dificilmente teremos um privilégio maior que esse. Só se abrirmos pro Paul McCartney (risos).
H.: Eu não diria privilégio maior, mas foi algo surreal que aconteceu. O som em si, foi bem meia boca. O público, o som e não era o tipo de palco que gostamos em nossas apresentações. Mas só da gente estar alí, ao lado de um Ramone, um cara que eu tenho como ídolo, como influência, até mais do que o próprio Tommy, pra mim passou um filme depois que eu tive contato com ele. Se na década de 90 eu ouvia Ramones, deitado no meu quarto e sonhava em ter uma banda, anos depois eu dividiria o palco com um deles. É coisa que a gente tem nos sonhos mais otimistas. Não imaginava que isso fosse acontecer, ainda mais na capital que a gente vive.
A.: Foi pra mim o pagamentos dos deuses, por termos uma banda. Abrir pra um Ramone, valeu a vida! Poderíamos ter acabado a banda após o show e já teríamos muitas histórias boas pra contar. Fora isso, as festas do Mama Rock; ter organizado com Infâmia, Dpeids e Antiga Roll, esse projeto, foi algo surreal. Ainda mais em Manaus, onde o pessoal monta banda pra brigar, menosprezar eventos e se vangloriar de alguma coisa. O Mama Rock é sim um grande feito e surreal, pela união dessas bandas e pelas noites insanas que criamos com um público fiel. Mas, mais uma vez, nada disso ainda não é o bastante. E sim, eu creio que ainda teremos privilégio maior que tudo isso, por nós mesmo. Porque não paramos. Banda underground ou autoral, não tem férias.

O.: Se não existissem os Playmobils, o que cada um de vocês estaria fazendo, ou o que cada um de vocês estaria tocando?
C.: O meu primeiro violão eu ganhei antes da Playmobils. Eu sempre quis montar uma banda com o Henrique e com meu outro irmão, tipo Hansons, e provavelmente não sei dizer se estaria numa outra banda, tocando em casa e ouvindo música.
H.: Eu não estaria tocando em lugar nenhum. Estaria frequentando os shows undergrounds e ouvindo bastante música e discos, até mais do que ouço agora, talvez.
O carismático power trio manauense Os Playmobils
A.: Quanto a música, eu estaria tocando e cantando sim, de qualquer forma. Compondo sempre! Esta coceira interminável. Escrever é relaxar! Teria um outro projeto, na verdade eu tenho vários (risos). Em meus escritos tenho até composições de jazz, blues e rock progressivo.

O.: Se um dia acabar os Playmobils, o que cada um de vocês fará?
C.: Eu tocaria Jovem Guarda!
H.: Não sei se tocaria em outra banda, mas eu gosto muito do lance mais brega, tipo Roberto Carlos, Jerry Adriani, Adair José, talvez me interessasse. Erasmo Carlos é rock até hoje!
A.: Se um dia os Playmobils acabar, continuarei tocando mesmo assim, em algum outro projeto, seja meu ou de algum amigo. Nunca vou parar de tocar e cantar!

O.: Possibilidade de entrar um membro adicional na banda, ou os Playmobils já está ciente num power trio fechado?
C.: Esta formação existe desde o começo, há mais de 15 anos. A fórmula funciona bem com a gente. Não será necessário mudança!
H.: Já imaginei um projeto com outros artistas, mas nunca foi exposto pra todos. Acredito que a formação atual seja bem completa pro tipo de som que buscamos.
A.: Somos um power trio mesmo. Não tem jeito! E isso não só, ajuda a combinar as coisas (por ser pouca gente na banda), como na logística pra tocar e viajar. Três pessoas é muito mais prático! Nunca tive alguma aversão a um quarto integrante, mas já temos mais de 15 anos de banda e realmente somos três. Acredito que os arranjos com uma guitarra solo, daria uma Playmobils talvez mais harmônico, o que agradaria muita gente, mas nosso som é urbano e não bucólico. Já temos a voz como instrumento solo e três bases com guitarra, baixo e bateria, não tão harmônico, mas pesado e sincero. É o som das ruas, de nosso bairro. É o som de uma grande capital. Gostamos da cidade! Gostamos de amar aqui! Colocamos ketchup em cima de macarrão, feijão e arroz! Gostamos de jeans e camisa de algodão. Violão ao redor de uma fogueira, numa praia, fumando e filosofando, é outra parada! Sem falar no virtuosismo que é demasiado e maçante.

O.: Qual foi o maior "mico" dos Playmobils?
C.: O mico não foi tão grande! Um começa uma música e outro começa outra música.
H.: Não tem um grande mico, que eu lembre. Tem muitos erros nas apresentações, que acontecem com qualquer banda.
A.: Acho que foi no Posto de Lavagem do Negão, próximo ao Hotel Da Vinci (risos). Nossos amigos e familiares estavam lá e foi um desastre, tudo. A bateria se desmontava e eu me senti um macaco tocando banjo (risos). O som estava horrível! Foi uma noite tosca, mas foi divertido. Isso foi bem no início da banda.

O.: Quais as metas de curto e longo prazo da banda?
C.: Continuar lançando material que a gente tem escrito há muito tempo.
H.: A gente tem atrasado bastante as gravações por excesso de preciosismo e até em exigir uma qualidade bem melhor, pro que a gente costuma apresentar. Só que ouvindo muitas outras bandas, eu tenho verificado que esse preciosismo não é necessário (risos), pra que nosso som fique bom, pra se ouvir num CD. A gente pretende lançar "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com a gravação bem próxima do que a gente costuma apresentar nos shows.
A.: Curto prazo, gravar e lançar o disco "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com 12 faixas. Longo prazo, gravar mais discos e tocar sempre que pudermos.

O.: Deixem seus contatos e um recado pra quem ler a entrevista.
C.: A gente vê pessoas que cantam nossas músicas, que me perguntam, por mensagens, quando será a próxima apresentação. Agradecemos a estas pessoas o prestígio dado a banda!
H.: A entrevista não foi nada pessoal contra ninguém, mas se alguém achar que foi pra ele, foda-se!
A.: Acessem as páginas de nossa banda no Facebook, no Instagram e fiquem por dentro das notícias da banda. Procurem nessas duas redes sociais por "os Playmobils"(https://www.facebook.com/osplaymobils/) e (https://www.instagram.com/osplaymobils/). Na página de Facebook tem links pra baixar nosso material. E para as pessoas que lerem esta entrevista, conheçam, não só nossa banda, mas outras que são de Manaus. Pra uma grande cidade encravada na selva Amazônica, temos bandas incríveis acontecendo por aqui, que não devem nada a nenhuma banda de rock do mundo, e isso falo de qualquer vertente do rock n' roll. Pesquisem, nos ouçam e compartilhem! Grande abraço!
osplaymobils@gmail.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ás Inimigo - Um Poema de Guerra

Capa da luxuosa graphic novel de George Pratt
Uma das caracaterísticas mais marcantes das histórias em quadrinhos, é justamente as ilustrações, que servem de explicativo visual para o roteiro da história e em algumas vezes pode muito bem “contar” a história, sem conter uma única palavra sequer. Esta característica é o que cativa crianças, que ainda não sabem ler, num entretenimento único proporcionado. Contudo, esta capacidade de cativar, é usualmente aplicada a adultos, por muitas vezes, devido aos textos e em outras, na junção perfeita entre textos e ilutrações. Este talvez seja o caso da graphic novelÁs Inimigo – Um Poema de Guerra” com textos e ilustrações do norte americano texano George Pratt, que pintou e escreveu esta obra em cima de criação da parceria do editor/escritor Robert Kanigher e de Joe Kubert, que assina a introdução.


O primeiro elemento a chamar atenção neste comic book, é o acabamento gráfico que traz todo o livro, com miolo em papel couchê, encapado com um grosso plástico transparente, que ainda possui botão de lacre. Pra completar o acabamento luxuoso, um marca páginas, temático à obra, acompanha o título.
No roteiro, o reporter de uma revista é designado a cobrir todos os ex-militares alemães condecorados, ainda vivos, da Primeira Guerra Mundial, naquele ano de 1969. Em sua empreitada, descobre que o soldado tido como o maior ás da aviação, encontra-se vivo, mas em seu leito de morte. Imediatamente, visita-o com o intuito de colher seu depoimento e traçar um profundo perfil do personagem. O testemunho passa a ser apaixonado pelo drama existencial singular de quem viveu o terror de uma grande guerra de proporção global.
Cada quadrinho com a erudição de uma pintura a ser enquadada
em parede
Pode parecer piegas e repetitivo, mas não é a toa que muitos ex-combatentes, sejam de qualquer guerra, desenvolvem sequelas de depressão e em alguns casos, até esquizofrênia e psicopatia. Essas lembranças traumáticas, por si só, norteiam a poesia e a loucura, amaldiçoando as mais bem preparadas mentes, num inferno individual personalizado. É este viés que George explora com perfeição, fornecendo a suas pinturas, uma plasticidade sublime de expressividade digna nos momentos silenciosos de tensão e nas passagens agitadas de batalhas caóticas. Todo detalhe pincelado, transforma cada quadrinho em um obra excelente para compor um quadro moldurado de parede. Prova disto, é que o talento de Pratt consta da revista Heavy Metal ao Houston Museum of Fine Art e pode ser encontrado em coleções particulares nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Índia. Com tamanha qualidade, é impossível ficar indiferente frente a um projeto de beleza erudita e poética.
Como já fazem mais de vinte anos, desde o lançamento desta maravilha, seria interessante o projeto para um relançamento, visto “Ás Inimigo – Um Poema de Guerra” ser um dos melhores expoentes das histórias em quadrinhos para adultos, já publicados em todo o mundo.
Editora Abril Jovem, DC Comics, 1995.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Aforismos Oresteanos

"Se igrejas não pagam impostos, então artistas, circus, ONGs, clubes, grupos filantrópicos e outras entidades equivalentes também não deveriam pagar."

"A partir do momento em que uma religião passa a ser dogmática, ela perde completamente sua razão filosófica e passa a ser mais uma ferramenta de manipulação de massa."

"Uma mulher muito inteligente, não precisa ser bonita pra ser significantemente mais valiosa, atraente, cativante e interessante do que uma mulher muito bonita."

"Para muitos de nós, pode faltar comida e água, mas sem internet, não há vida."

"Extra terrestres sem inteligência, são exatamente o que éramos há milhões de anos atrás, antes de evoluirmos para o que somos hoje. Já os extra terrestres inteligentes, são exatamente a raça humana evoluída milhões de anos."

"A verdade em sua essência é a desconstrução dos padrões impostos da sociedade capitalista e da sociedade religiosa."

"Parlamentares politicos são a ratificação da ignorância no maquiavelismo."

"O sentimento canalizado é uma das forças mais poderosas do universo."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Dead Kennedys - Fresh Fruit for Rotting Vegetables (Os Primeiros Anos)

O que faz o primeiro disco de uma banda iniciante, independente, sem dinheiro, boicotada pelas rádios, se tornar um dos mais citados como influência por músicos, como exemplo por críticos e como criativo pela mídia? É este intrigante questionamento que levou o escritor e jornalista norte americano Alex Ogg a escrever o livro “Dead Kennedys – Fresh Fruit for Rotting Vegetables (Os Primeiros Anos)”. Focada exclusivamente na história da banda, durante o período de produção e lançamento deste disco emblemático, a obra na linguagem literária, destrincha uma outra obra, sendo que, da linguagem musical.
A fidelidade explícita de Alex Ogg na obra prima dos Dead
Kennedys
Logo de cara, o livro chama atenção, não apenas por retratar em sua capa a mesma instigante foto da capa do disco, mas também por ter todo o seu conteúdo fielmente ilustrado por Russ Bestley que segue a mesma linha ilustrativa da arte gráfica do disco. Ou seja, colagens de ilustrações, fotos e textos polêmicos onde se sobrepõe o sarcasmo e a crítica ao conhecido “american way of life”, padrão estético ditado por fanzines e dirigido brilhantemente por Jello Biafra que, acabou por desenvolver-se como uma das figuras mais ativistas e idealistas do underground de São Francisco. No contexto abordado, nada nem ninguém são poupados. Políticos são os maiores alvos, mas também sobra pra empresários, religiosos, críticos de arte, cientistas e fundamentalistas. Os fotógrafos Ruby Ray e Mick McGee facilitam a “viagem no tempo” com fotografias da época, sendo várias raras e inéditas. Vale lembrar que tudo é obviamente em preto e branco, mantendo a fidelidade e o clima noir eternizado no discurso.
Os pontos altos são (evidentemente) os depoimentos de componentes, técnicos, fãs, jornalistas, músicos e amigos diversos. A junção de tudo enriquece com detalhes o nascimento e a consagração da obra, sendo que, qualquer dúvida passa a ser esclarecida e a importância histórica é reafirmada unanimemente. Os pormenores não dizem respeito apenas ao álbum como um todo, mas sim, a atitude dos membros, as letras ácidas, a shows e a cada uma das 14 faixas que compõem o objeto de estudo. Alguns dos nomes mais conhecidos são Kurt Cobain, Billie Joe Armstrong, David Ellefson, Pete Townshend, Krist Novoselic, Henry Rollins, Moby, Jeff Hanneman, Dave Grohl, Al Jourgensen, Thom Yorke, Duff McKagan, Bob Mould e muitos outros.
Dentre as curiosidades, ressalta-se as capas de todos singles, cartazes e flyers de shows, histórias em quadrinhos, detalhes da arte gráfica e todos os selos lançados, seja dos singles ou do próprio vinil em várias versões no mundo.
Destinado a transparecer a significância incontestável deste disco, Alex Ogg alcança seu objetivo com o livro “Dead Kennedys – Fresh Fruit for Rotting Vegetables (Os Primeiros Anos)”. Leitura agradável e reveladora, indispensável para história do rock contemporâneo.
No Brasil: Edições Ideal; ano: 2014; tradução de Alexandre Saldanha; 227 páginas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Anatta - Seaside

A proliferação de bandas covers é um fato inegável na Indústria Cultural. Contudo, dentre essas, várias seguem suas carreiras autorais partindo deste princípio, que por muitas vezes se inicia numa simples bricadeira de homenagem a ídolos. É natural que a grande maioria não nega suas influências e ainda fazem questão de deixá-las evidente em suas trajetórias. Este é o exemplo dos manauenses do Seaside em seu debut álbum intitulado “Anatta”, lançado em Agosto de 2016.
A linda ilustração da capa do debut Anatta, do trio amazonense Seaside
O CD abre com “Pra Não me Queimar”, uma porrada insana que atinge com agressividade o ouvinte. Em segundo lugar vem “Adeus” que dá uma aliviada na batida e nos vocais. Em terceiro “Fetos de Barro” (ótimo título de música) matém a levada cadenciada com vozes calmas, mas tem uma letra mais elaborada. Em seguida “Infeliz pra Você” tem um início que engana com uma falsa tranquilidade. Esta talvez seja a faixa que mais lembre as influências claras do Nirvana. Na sequência “Eu Só Preciso Adormecer” traz aquela velha conhecida angústia contemporânea onipresente. É quase um doom. Na sexta posição está “Verdade Bem Guardada” (outro ótimo título de canção) que retorna a porrada, mas com detalhes que demonstram as qualidades musicais dos componentes da banda. A posterior “Fogo” reassume essas qualidades, com exceção da voz, que não tem pretensão nenhuma no lirismo. Contudo, não esquecemos que há virtude na atitude. “Insonia” vem em seguida soando muito como outra boa banda manauense, a Chá de Flores. A seguinte “Sol” é a balada triste auto depressiva, praticamente obrigatória para um disco completo no estilo proposto. Os efeitos da distorção foram muito bem explorados aqui. A décima faixa “Alcalina” volta a acelerar. O punk rock do álbum. Curto, grosso e pesado. Desacelerando “Deprimente” chega a ter riff base de metal stoner. Candidata a single. “Viciado em Ilusões” puxa roda de pogo. Como a pele de tarol sofre pela pegada do baterista Augusto Nunes. A próxima é “Perdedor” que continua a levada stoner com letra angustiante. Fechando a obra “Asas de Ferro” não deixa dúvida da precisão, do bom gosto e do nível técnico do trio de garotos (já não tão garotos assim).
Em súmula sincera, o disco do SeasideAnatta” não apresenta criatividade inovadora, ao contrário, é de uma formula simples e muito repetida. A produção tem um áudio que mais parece CD demo, mas é inegável a significante importância deste trabalho para o rock alternativo do norte do Brasil e toda a sua representatividade no cenário nacional. Mais um lançamento do selo independente local Mama Records.
Não tenha dúvidas em adquirir!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

On Moon

Na virada do ano de 2009 pra 2010 fui presenteado com mais um poema dirigido a minha pessoa.
A expressão nos versos é de uma sinceridade realista daquele momento de minha vida. Não darei mais detalhes, em respeito a privacidade de identidade da pessoa que me presenteou e, por ventura, também foi tema de poesia de minha autoria, já publicada neste blog.
Sem mais delongas, abaixo segue a transcrição fiel do poema.




On Moon

Desejo boa noite como se te envolvesse numa nuvem
com a maciez da minha pele,
meus cabelos caídos em teu peito,
meus braços enrolados em teu pescoço.
Desejo boa noite como criatura da noite que sou,
sedenta de prazer e do veneno doce do teu beijo,
a me beijar inteira na lua, na chuva, em Marte como quente que fiquei
ao me ver em sonhar flutuando em suas mãos
e você me levar pro jardim das Lótus e
me banhar em rio sagrado com suas serenas mãos a me segurar.
Foi assim que dormi naquela noite longa...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Deus

Recatado ambíguo
Omisso de seus deveres
Observador longíquo
Incompetente nos afazeres

De sonolência preguiçosa
Ignora suas criações
Na plenitude espaçosa
Magoa seus corações

Se impõe dogmático
Para um rebanho escravo
Ditador letárgico
Impositor pravo

Vagabundo por natureza
Tem prazer genocídio
Mestre da incerteza
Age como ofídio

Provocador de guerras
Histórico relapso
Destruidor de terras
Gerador de colapso

domingo, 23 de outubro de 2016

"Ética e Responsabilidade Social" na Faculdade Una Bom Despacho

Registros fotográficos de encenação da peça acadêmica teatral "Ética e Responsabilidade Social" (http://marioorestes.blogspot.com.br/2010/10/etica-e-responsabilidade-social.html) por alunos do Curso de Ciências Contábeis na Faculdade Una Bom Despacho, no Estado de Minas Gerais em 28 de setembro de 2016.


Elenco:

Poliana Alves - Enferma Claudinha
Luiz Felipe Alves Silva - Anestesista Flávio
Ariela Chagas - Drª. Morgana (Dr. Pantoja)
Samira Santos - Enfermeira Penélope
Ana Rufino - Ana (irmã da enferma)
Guilherme Cristian - Policial (Delegado)
Mayron Faria - Policial Militar
Lineker Consoli - Policial Militar
Pedro Henrique Borges - Policial Militar


Equipe Técnica:

Mário Orestes Silva - Roteiro
Orientação - Profª Tânia Campos
Gisele Silva - Figurino
Ingrid Silva - Figurino
Milena Costa - Maquiagens
Bruno Costa, Guilherme Couto, Victor Hugo e Maria Luíza Costa - Contra-regra e Sonoplastia




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Palestra no 5º Circuito de Cultura Urbana

No dia 17 de setembro de 2016 consegui ministrar a palestra "História e Histórias do Clube dos Quadrinheiros de Manaus" no 5º Circuito de Cultura Urbana Magdalena Arce Daou.
Com cerca de uma hora de explanação, toda a história do grupo foi apresentada e ilustrada. Da criação, dos grandes feitos no legado e da situação atual. A tendência é que o projeto seja ampliado com o decorrer do tempo, visto a continuação ininterrupta do Clube.
Abaixo alguns registros fotográficos do ato.