Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bip Top Batidas

No final dos anos 80 eu comecei a explorar a minha coleção de discos de forma a ganhar dinheiro divulgando o material.  Passei a vender fitas k7 com gravações.  Como sempre tive bons contatos (colecionador conhece colecionador), geralmente eu tinha novidades, piratarias e raridades que dificilmente se encontravam, ainda mais na época em que não tínhamos as facilidades de contatos proporcionadas hoje pela Internet.  Fui indicado a um rapaz que só curtia fitas cassetes.  Rildo trabalhava como responsável na lanchonete da extinta escola “Einsten” (localizada na rua 7 de setembro, centro da cidade de Manaus).  O cara se satisfazia comigo, chegando ao ponto de me encomendar caixas de fitas gravadas, e eu me satisfazia com ele, que pagava tudo a vista e sem pechincha.  Com algum tempo ele me indicou para aparecer em outra lanchonete e bar de um irmão dele.  Era o “Bip Top Batidas” localizado na rua Ramos Ferreira, ao lado do Sheick ClubJonas e Marília formavam o casal que administravam o lugar.  No balcão de atendimento, eles colocavam um aparelho toca fitas, suficiente para sonorizar todo o pequeno interior do local.  Gostavam do bom e velho rock and roll e como não tinham nenhum “fornecedor” de cassetes no estilo, começaram a encomendar algumas de mim.  Elas eram tocadas no aparelho do balcão e chamavam atenção dos transeuntes.  Passei a frequentar o local por causa de minha freguesia com eles e por causa da excelente batida de mangarataia que era feita com muito carinho pelo casal.  Não demorou pro público do rock adotar o lugar como point.  De quinta a sábado o bar passou a lotar.  Em algumas semanas eu aparecia no ponto desde a segunda-feira.  Vários foram os excessos etílicos e alguns nunca sairão de minha memória.  Num desses, cheguei a desmaiar em baixo de uma das máquinas de fliperama do lugar.  Acordei com Marília me cutucando com uma vassoura.
Eles possuíam dois filhos que eram bem crianças na época.  Rafael e Rafaela.  Hoje Rafaela é uma apetitosa espécie fêmea, infelizmente casada.  Rafael já faz faculdade e é um grande amigo junkie.  Com o ambiente familiar e tranqüilo pela própria índole de Joninhas e Marília, conseguiram o carisma do público rockeiro e viraram referência na cidade.  Dorsal Atlântica, Sepultura, Viper e Ratos de Porão foram algumas das bandas que passaram pelo bar pra experimentar a lendária batida de magarataia.  São até citados nos agradecimentos de discos do Dorsal Atlântica e do SepulturaCarlos Lopes (do Dorsal Atlântica, se apaixonou pela bebida).
Depois de alguns anos, o bar mudou de endereço pra rua, perpendicular, Ferreira Pena.  Lá tinham espaço físico pra colocar bandas tocando ao vivo.  Dezenas de bandas locais tocaram no espaço reforçando mais ainda a lenda do bar.
Como tudo que é muito bom não dura, em alguns anos o lugar foi fechado por acaso do destino.  Jonas havia passado no concurso do Banco do Brasil para a pequena cidade de Boca do Acre.  Esgotados pela vida notívaga que desgasta com os mais resistentes donos de bar, juntaram as coisas, pegaram as crianças e se mudaram de vez, deixando órfãos dezenas e dezenas de amantes do rock.
Hoje mantenho contato virtual com o amigo Rafael e de vez em quando, o casal Jonas e Marília voltam à cidade de Manaus curtir umas férias com os grandes e numerosos amigos que eles fizeram, sem querer, com um trabalho que nos proporcionava uma saudável diversão.


2 comentários:

  1. Esta parte memorialística do blog do orestes é muito legal, lembranças voltam mesmo com força, das poucas vezes que estive no local, as recordações são as melhores. Recordar é viver!
    jorge bandeira

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  2. Adorei essa blog..que tempo bom que nao volta mais,eu chegei em 1989 e agora tenho meus amigo posso dizer uma grande familia que ficou e continua na memoria..valeu Oreste

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