Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Zona Tribal

Mais uma banda, dentre as que surgiram, na virada do século e continuam em atividades na cidade de Manaus.  No ano de 2003 a Zona Tribal lança este seu primeiro CD, homônimo à banda e consegue uma razoável aceitação de público e crítica, não só pela produção do disco, mas sim por seu incansável ritmo de apresentações contínuas, na época.
Crônica – A Noite” é a canção que abre a bolachinha e exprime logo no início o que se encontrará no restante do disco.  Um rock básico calcado diretamente nos grupos do rock nacional da década de 80.  A segunda faixa “Em Nome Do Pai” tem uma ótima letra, com uma poesia pronta para fazer refletir qualquer cristão fundamentalista.  A terceira “Aldeia Global” é o maior hit da banda.  Já havia ficado famosa na coletânea “Além Da Fronteira – Vol. II” (que também consta a primeira música “Crônica – A Noite), lançada dois anos antes, mas a música realmente tem uma melodia grudenta.  Com um riff que lembra muito a música “Aos Fuzilados Da CSN” dos paulistanos Garotos Podres, a quarta faixa “Suicídio” tem uma letra bem bacana e backing vocals totalmente influenciados por Pixies.  Em seguida vem “Nós Temos Tudo A Ver” que tem uma levada legal e expõe a inspiração no Capital Inicial.  “É Tudo” no meio do disco talvez seja a com menos destaque, não apresenta nenhum diferencial marcante e parece muito o grupo Catedral.  A próxima “Bandeira Nacional” é uma crítica anti nacionalista com base na ausência de soberania devido à submissão econômica e política do Brasil, ao que é imposto pelas nações desenvolvidas.  Na sequência um bom título: “Apocalipse Segundo O Carnaval”.  Um pique de punk rock e uma letra bem humorada com um refrão que convida ao coro.  “Canção Da Semana” segue sendo outro ponto baixo do disco.  Agora já remetendo ao Biquíni Cavadão.  Volta um ponto alto com a música homônima à banda.  “Zona Tribal” é um punk rock básico que poderia muito bem ter sido gravado pelos Inocentes em sua fase mais comercial.  A décima primeira faixa “Pedras No Liquidificador” é uma boa música esquecida ou ignorada por não ter um bom trabalho de produção.  É possível perceber um desafinado da voz numa subida de tom.  A última faixa “Ritual” é outra que tem boa letra e deixa a sensação de que poderia ficar melhor trabalhada.  Fechando a bolacha vem um curto instrumental com flauta que mais parece um lamento psicodélico.
O acabamento gráfico até que não é ruim.  Com capa de papelão, para contenção de custos evidentemente, o material acaba se tornando vulnerável com o passar do tempo, mesmo com todo o cuidado de um bom colecionador, mas a arte frontal é sugestiva e o encarte conta com foto da banda, fotos artísticas, letras das músicas e créditos detalhados.  Fica a ausência de uma produção mais refinada que valorizaria mais ainda o trabalho do grupo.  De qualquer forma, vale o registro e o incentivo à Zona Tribal pela perseverança nos ideais.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quadrinheiros Participam De Programa Da Rádio Vertical

O Quadrinheiro, Músico e Psicólogo Augusto Severo
                 Os membros do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus estão participando do programa Encruzilhada Vertical na web rádio Vertical todos os sábados sempre com comentários pertinentes.
Na verdade a participação já vem desde o ano passado.  Com o quadrinheiro Mário Orestes apresentando o programa Vertical Classic Rock todo sábado das 14:00 as 16:00 (horário Manaus).  Informações a respeito no blog do programa (http://verticalclassicrock.blogspot.com/).  Também aos sábados, logo em seguida ao Vertical Classic Rock, entra o programa Encruzilhada Vertical, das 16:00 as 18:00 (sempre horário Manaus), que é apresentado pelo também quadrinheiro Augusto Severo.  No programa participam, além de Augusto e Orestes, outros membros do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus como, por exemplo, Daniel Dante, João Vicente, Jucylande Júnior, dentre outros que se revezam na presença sábado sim, sábado não.  O programa em si é temático e todo sábado tem um assunto diferente que é alvo de comentários dos presentes, intercalados com blocos musicais.  Para escutar os programas, seja o Vertical Classic Rock ou o Encruzilhada Vertical, basta acessar a rádio no endereço (http://www.radiovertical.com/), aos sábados nos horários citados.
Os temas já debatidos foram “Fenômenos Paranormais”, “Sessão Da Tarde” e no próximo sábado (dia 02 de abril) terá o tema “Drogas – Estados Alterados De Consciência”.  O ouvinte pode interagir com os participantes do programa através do MSN (encruzilhadavertical@hotmail.com) e qualquer novidade a respeito pode ser vista no twitter (@nerdvertical).

terça-feira, 29 de março de 2011

Sandro Nine Fará Participação No Programa Vertical Classic Rock

O Ativista Cultural Sandro Nine
Neste sábado (dia 02 de abril) o programa Vertical Classic Rock estará contando com a presença do jornalista, músico e ativista cultural Sandro Nine que falará de todos os seus projetos e sorteará brindes para os ouvintes.
Sandro Nine é autor do blog Manifesto Rock Underground (http://www.manifestorockunderground.blogspot.com/), componente da banda Nicotine, um dos jornalistas da revista independente Intera, grande atuante do cenário roqueiro de Manaus e recentemente apresentou o Festival Grito Rock em Boa Vista. Dentre os trabalhos de Nine, o que está em destaque atualmente é o Riff Desplugados que trata-se de um projeto que conta com a parceria do Coletivo Difusão e Saraiva Mega Store onde o intuito principal é fomentar o circuito independente das bandas locais autorais e que já está acontecendo sempre na terceira quinta-feira do mês, no Espaço Cultural Thiago de Mello, na livraria Saraiva, no Shopping Manauara. Mais informações serão dadas pelo próprio Nine durante o programa.
Se ligue no programa Vertical Classic Rock que vai ao ar nos sábados das 14:00 as 16:00 (horário Manaus) através da web rádio Vertical no endereço: http://www.radiovertical.com/

segunda-feira, 28 de março de 2011

Aforismos De Orestes

“Envelhecer é um ato de sobrevivência”.

“Ladrão que rouba pobre, merece cadeia e muita porrada.  Ladrão que rouba uma grande rede de supermercados, merece cobertura para fuga.  Ladrão que rouba banqueiro ou político, merece honra ao mérito”.

“Sou voluntário para masturbação feminina”.

“Mais digno ser traficante a ser policial militar”.

“Lésbicas deveriam transar com homens ao menos uma vez por mês.  Se o fizessem com homens bons amantes, elas seriam bissexuais felizes em vez de homossexuais esnobes”.

“Jesus Cristo foi o maior pacifista do mundo, conhecedor de homeopatia e um grande revolucionário, mas também era um fanático fundamentalista que bebia, fumava e fodia”.

“Tocar música cover é vender o trabalho alheio”.

“Se vigorasse uma lei impondo a prática do naturismo por todos os seres, uma vez ao mês, a criminalidade diminuiria exponencialmente até culminar numa sociedade imaculada e inócua”.

“Fumar emagrece.  Vejam os milhares de fumantes nos cemitérios”.

“Urubu é o animal irracional perfeito para reencarnação.  Não há predador natural para ele, ninguém o caça e seu alimento é abundante”.

“Viva o coito interrompido que você ganhará mais saúde, humor e felicidade”.

“O idoso acorda cedo para ter a ilusão de viver mais”.

“Açúcar é uma das drogas perfeitas.  Vicia, mata, é barato e dá um prazer indescritível”.

“Se Deus existe, ele trabalha para o diabo”.

domingo, 27 de março de 2011

Lifestyles Of The Ramones No You Tube

O documentário “Lifestyles Of The Ramones”, já resenhado aqui, está disponível no You Tube em partes. Claro que é um saco assistir um longa metragem assim, esperando baixar um trecho de 10 minutos de filme, depois outro e assim por diante, mas não deixa de ser uma oportunidade. Eis a primeira parte.

sábado, 26 de março de 2011

Ramones Raw

Ramones Raw” é o típico documentário completo que agrada fãs, simpatizantes da banda ou leigos que desconhecem essa lenda.  Produzido, dirigido e editado por John Cafiero, este DVD ultrapassa a incrível margem de 5 horas de material que inclui cenas de bastidores, entrevistas, depoimentos, participações em programas de TV, passagens de som e shows completos.  Além dos já tradicionais extras, também conta com 18 cenas cortadas e 12 imagens escondidas a serem procuradas com certa insistência no menu.
Boa parte do material se trata de cenas de bastidores filmadas pelos próprios membros da banda e nestas pode-se conferir o quão amado e idolatrado era o grupo.  Principalmente nos registros das passagens pelo Brasil e pela Argentina, pode-se concluir que muitos fãs os tinham como deuses.  A euforia dos fãs é tanta que chega a assustar os músicos e vira motivo de paródia no documentário.  A relação é comparada à febre beatlemaníaca e os músicos taxam os fãs como selvagens.  Alguns detalhes vale a pena destacar.  A participação do grupo no talk show do personagem de desenho animado Space Ghost, a premiação no Brasil da banda com o primeiro disco de ouro da carreira pelas vendagens do álbum “Mondo Bizarro”, o assédio que Marky Ramone sofre por duas deliciosas fãs, o envolvimento da van de transporte num acidente de trânsito e muitos outros acontecimentos hilariantes mostrados.  Pelo fato de boa parte ser filmado pelos próprios membros, algumas cenas não teem um acabamento profissional, mas vale o registro histórico dos momentos.  Talvez o único inconveniente seja a ausência de legendas em português.  Só há disponíveis legendas em inglês e em espanhol.
De qualquer forma “Ramones Raw” é um DVD imperdível que merece uma conferida que proporcionará espanto, admiração e gargalhadas.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Programa Vertical Classic Rock Somente Aos Sábados

Com a mudança na grade de programação da web Rádio Vertical, o programa Vertical Classic Rock, dirigido e apresentado por Mário Orestes, passa a ser transmitido somente aos sábados das 14:00 as 16:00 (horário Manaus).  Para escutar o programa, basta acessar http://www.radiovertical.com/ no dia e horário citado.  O programa também tem o blog http://verticalclassicrock.blogspot.com/ que tem resenhas, entrevistas, divulgação de shows e festivais, além de toda informação pertinente ao programa.  Neste mesmo blog, qualquer pessoa pode fazer pedidos de músicas ou de bandas pra tocarem no programa, bem como realizar comentários, críticas ou sugestões.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Almanaque Do Rock

Lançado no ano de 2010, esse “Almanaque Do Rock” vem pra atestar a sapiência no meio, de um homem que já era reconhecido como grande expoente do rock, décadas atrás.  Kid Vinil sempre escreveu sobre música e publicava registros assim ainda pela Somtres, que vendiam em bancas de revista.  Agora sai sua publicação definitiva.
Desta feita o relato está mais apurado e muito melhor elaborado.  Conforme declaração do próprio Kid, ele foi simplesmente escrevendo automaticamente e não demorou pra fechar o trabalho.  Está tudo relatado em ordem cronológica conforme décadas.  Iniciando toda a história do rock and roll na década de 50 com os velhos medalhões que já é de praxe, passando pelo blues, jazz e gospel, Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e muitos outros, até a década 00 com Linkin Park, System Of a Down, Libertines, Franz Ferdinand e outros.  Todas as sub-divisões de estilos com os seus maiores representantes estão presentes.  Alguns são apenas citados, outros teem páginas inteiras.  As citações não se resumem somente aos nomes dos artistas, mas também às principais músicas e aos discos mais significantes.  O mais bacana é que não se trata apenas de um relato com citações.  Existem narrações de histórias curiosas, em muitos casos fazendo valer o subtítulo “Histórias e curiosidades do ritmo que revolucionou a música”.  Cada capítulo, ou década como preferirem, tem um paralelo contando o cenário brasileiro.  Outro atrativo da publicação se dá nas inúmeras fotos de artistas e de capas de discos, muitas utilizadas do acervo pessoal de Kid Vinil.
Um registro que serve tanto para consulta de pesquisa quanto para o deleite dos amantes no gênero, “Almanaque Do Rock” vale cada centavo gasto.
Editora Ediouro.  248 páginas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Espanhola

Eu conheci Maria Zita
Que peito bem grande tinha.
Atrás do celeiro me dava
Seu amor com alegria.
Era dia, noite e dia
O meu pinto ela espremia
Com um peito em cada lado
Espanhola ela fazia.
Todo bicho da fazenda
Tinha visto nossa merenda.
Vestido frouxo em Maria Zita
Com os peitos virava tenda.
Minha amante que mantinha
A espanhola como lenda.
Abaixo de sua gola
Só rolava espanhola.
Abaixo de sua gola
Só rolava espanhola.

Maria Zita certo dia e hora
Pra cidade foi embora
Realizar um tal exame
De nome que não lembro agora.
Num peito descobriu caroço
Que o doutor em tal alvoroço
Tirou um dos peitos fora.
Maria Zita retornou
Sem um peito e chorou.
Que o doutor com toda bola
Acabou com a espanhola.
O doutor com toda bola
Acabou com a espanhola.

terça-feira, 22 de março de 2011

Storm

Desenhado por Don Lawrence e escrito por vários roteiristas, “Storm” foi lançado no Brasil pela Editora Abril no período de setembro de 1989 a dezembro de 1990, em formato grande, 50 páginas cada edição, toda a cores.  E alimentou a vontade daqueles que gostavam de quadrinhos de ficção científica com histórias fantásticas e uma pitada de sensualidade.
Infelizmente a saga não foi publicada aqui por completo e teve uma interrupção, sem motivos aparentes, na revista de número 10, deixando ainda mais 14 exemplares inéditos no Brasil.
O roteiro vaga pelo surrealismo nos estilos de Heavy Metal (revista norte americana, já citada aqui, lançada no Brasil e tido como uma das melhores publicações de histórias em quadrinhos do mundo).  Um simples astronauta conhecido como Storm tem a missão de explorar a mancha vermelha de Júpiter.  Sua nave acaba perdendo o controle e cai dentro da gigantesca mancha, fazendo o explorador intergaláctico perder a consciência.  Ao recobrar os sentidos, Storm se encontra num mundo fantástico onde seres estranhos, monstros, reinos, tecnologia desconhecida, espadas e outros elementos fantasiosos abundam.  Sem saber como sair desse universo paralelo em que entrou, Storm se vê preso a ele e passa a lutar pela sobrevivência.  Logo no início de sua jornada alucinante, conhece Carrots, uma linda, sensual e guerreira ruiva que passa a atuar ao lado do terráqueo nas mais diferentes e loucas aventuras.
O maior destaque, sem dúvidas, vai para a arte de Don Lawrence (Donald Southam Lawrence, nascido em Londres na data de 17 de novembro de 1928 e falecido em 29 de dezembro de 2003, de pneumonia e enfisema pulmonar devido ao grande consumo de cigarro).  Seu estilo é o hiper realismo com pinturas a óleo.  A perfeita colocação das cores, as cenas de movimento intenso e a fotografia digna de filmes bíblicos, fornecem maior veracidade na leitura.  Lembrando também que a anatomia perfeita proporciona grande sensualidade nas personagens fêmeas que sempre aparecem com figurino decotado, empunhando armas e com o suor escorrendo.
Além de uma boa aula de desenho e pintura, Storm também pode servir como incentivo para divagação na leitura de quadrinhos.  Não sei se a saga está disponível pra download, mas marcando presença nos sebos, cedo ou tarde pode se encontrar alguns exemplares.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Glossário Orestes - P, Q e R

P
Padre sm. Funcionário da igreja que sabe de verdades, mas é pago pra proliferar a mentira diretamente com o povo.
Pagode sm. 1. Templo de certos povos asiáticos. 2. Um dos estilos musicais que é usado para a manipulação em massa.
Palhaçada sf. Ato burlesco do palhaço. Política brasileira.
Panacéia sf. Remédio para todos os males. Maconha, Argyreia e Ayahuasca.
Panelinha sf. Grupo hermético de pessoas dadas ao elogio mútuo, que vigora na política, na classe empresarial, na classe artística e em muitas organizações.

Q
Quadrilha sf. Bando de criminosos. Mais de dois políticos, policiais ou empresários reunidos.
Quadrúpede adj. 1. Que tem quatro pés. 2. sm. Animal com quatro patas, porventura no azar de ser comparado com algum ser humano.
Queimada sf. Queima de vegetação muito praticada por grandes latifundiários, grandes agricultores e grandes pecuaristas para aumentarem sua margem de lucro sem preocupação ambiental.
Quimera sf. Democracia.
Quixotesco (ê) adj. Relativo a Dom Quixote, herói romântico da obra D. Quixote de la Mancha de Miguel Cervantes.

R
Rapinar vt e int. Aquilo que os políticos e os grandes empresários fazem com o povo, com os cofres públicos e policiais fazem com o povo e com traficantes.
Rasura sf. Escrita de um médico.
Receita sf. 1. Fórmula para preparo de medicamento ou iguaria culinária. 2. Quantidade recebida, apurada ou arrecadada, sendo que para o Estado, para o político, para as autoridades policiais e para os empresários, sempre será muito volumosa e para o trabalhador comum, constantemente em diminuição.
Receptar vt. Ato praticado rotineiramente por policiais, oficiais de justiça, advogados e delegados de polícia.
Recreio sm. O que o político faz durante toda a semana.

domingo, 20 de março de 2011

Chá De Flores

O início do século foi um tanto prolífero para o rock manauara, muitas bandas surgiram e várias chegaram a lançar CDs.  Dentre estas, algumas encerraram suas atividades, outras persistem até hoje na árdua estrada de banda independente de rock em Manaus.  Uma dessas guerreiras tem seu primeiro trabalho resenhado aqui agora.  Lançado no ano de 2003 o disco de estréia homônimo da banda “Chá De Flores” traz um rock and roll básico com pitadas de grunge e merece uma certa atenção.
Abrindo a bolachinha temos “Maria Fernanda Spice Girl” que é um rockão estilo Misfits.  O refrão é bastante pegajoso, mas a letra um tanto adolescente.  A segunda é uma música que se tornou bastante conhecida.  “Luciana” é quase uma balada, mas possui uma letra dramática.  Como terceira faixa, consta “Antes Do Inverno” que tem uma levada ramoníaca e merecia um acabamento melhor em sua produção.  Na sequência vem “Supermouse”.  Uma música sugestiva em sua letra.  Seus arranjos cairiam bem na forma acústica.  “Camélia No Alto Dos Prédios” vem em seguida e mostra uma face mais adulta da banda.  Seu refrão também é um pouco pegajoso.  A música parece ter sido gravada ao vivo.  “Bela Adormecida” é a próxima e também ficaria boa acústica.  “A Última Graça Dos Nossos Dias” talvez seja a melhor do disco.  Um riff inicial que remete novamente a Ramones com toques de Offspring.  Chega a dar vontade de cantar junto.  “Além” é outra que é bem conhecida e também era executada em shows pela banda Underflow.  A letra causa um pouco de identificação do ouvinte.  “Caos Juvenil” tem uma boa introdução e a letra mostra a influência grunge que nada mais é do que uma releitura do punk, sendo que aqui está um pouco mais pop.  “Aquela Coisinha” chegou a tocar nas rádios locais por um tempo.  Tem uma letra bastante irônica e é ótima para acampamentos.  “Alma De Flores” completa a sequência e faz uma síntese da essência da banda.  Distorção ramoníaca, backing vocals no refrão, ritmo vocal pop, letra com ira adolescente e outras características afins.  “Com Ódio, Amor e Prantos” é a penúltima e tem um jogo de guitarras simples, mas bem bacana.  Pra fechar a bolacha vem a mais pesada do disco.  “Algemas Malditas” é uma espécie de desabafo sobre a política num contexto geral.  Mais uma vez a influência grunge se faz presente.
Em suma, um bom disco.  Merecia uma produção um tanto mais refinada e profissional, mas isso é típico de banda iniciante e era o caso da Chá De Flores naquela época.  A arte gráfica também deixa a desejar.  Contudo, o trabalho é memorável e tem de ter o seu destaque dentre os que marcaram o rock local.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Aforismos

Todos apresentados aqui são me minha autoria.  Alguns geram gargalhadas, outros ímpetos de raiva.  Já fui chamado de gênio e de imbecil.  Levando em consideração que um está bem próximo do outro, certamente não gosto de ser rotulado, mesmo quando tentam agrado.


“Violência quando praticada por descarga contra injustiças é plenamente racional e deve ser perdoada, talvez até aderida”.

“Mulher é como droga.  Vicia, causa dependência e pode até matar, mas também dá um prazer indescritível”.

Rock and roll é o estilo de música mais popular do mundo.  Mais até do que música clássica”.

“Ex-namoradas são incógnitas.  Algumas se tornam grandes amigas e podem proporcionar mais prazer e alegria do que quando eram namoradas.  Outras causam tanta desgraça e ira que seria melhor matá-las”.

“Quem diz que nunca usou drogas é um grande mentiroso ou um grande ignorante”.

“A vingança é uma virtude e devia ser obrigatória em alguns casos”.

“Os melhores momentos de felicidade são proporcionados pelos orgasmos e pelos estados alterados da consciência”.

“Matar alguém é crime e talvez loucura, mas dependendo de quem seja, é algo louvável”.

“A subversão é algo a ser considerado e se for genial, deve ser compartilhada didaticamente”.

“Todas as classes artísticas são compostas por um contingente formado, em sua maioria, por egocêntricos e desprezíveis, alguns são embusteiros profissionais”.

“Se pra ser normal precisa-se servir o exército, ter uma religião, assistir a Rede Globo, torcer por um time de futebol, apoiar alguém na próxima eleição, ser adepto de um boi bumbá e uma escola de samba.  Terei orgulho em ser anormal”.

“Sou amazonense com orgulho e com vergonha”.

“Toda busca de sucesso tem inconscientemente um objetivo sexual”.

“Quanto mais famoso, mais egocêntrico e pré potente é o artista.  Estes tendem a viver muito e entrar pra história.  Por isso que Paul McCartney será o último Beatle a morrer”.

“Ser humano perfeito existe em abundância.  Vejo com frequência em seriados de TV, filmes e histórias em quadrinhos”.

“Todo advogado tem um pouco de político e vice versa”.

“Melhor comer com raiva a ser comido com raiva”.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rock 'N' Roll High School - Trailer Original

Já resenhado aqui, ”Rock ‘N’ Roll High School” é clássico. Abaixo o trailer oficial.
Consegui baixar o filme, mas nunca encontrei a sua legenda. Se alguém possuir, por favor, faça contato.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Como Captar Patrocínio

As dicas a seguir eu fiz para serem usadas por um dos grupos que participo, mas resolvi divulgá-las, visto que podem ser úteis para muitas pessoas.




PASSO A PASSO PARA CAPTAÇÃO DE PATROCÍNIOS


1°) Das Pessoas Selecionadas Para o Trabalho.
a) Duas pessoas em vez de uma.
- Passam a idéia de um grupo atuando com mais facilidade do que uma só pessoa;
- Um casal geralmente transmite mais credibilidade do que dois indivíduos de um mesmo sexo;
- Vale o ditado: “Uma cabeça pensa melhor que duas”.  As vezes um argumento pensado por um, pode fazer a diferença na conquista do patrocinador e levando-se me conta que o raciocínio é subjetivo, uma dupla concentrada num objetivo é mais eficaz que uma pessoa só;
- Com duas pessoas se tem dobrada a possibilidade de se encontrar um conhecido, um amigo ou um parente no local visitado e isso pode facilitar a concordância entre os envolvidos;
- Uma dupla pode se separar, caso seja preciso, por estratégia ou por imprevistos.
b) O preparo da dupla designada.
- Para captação de recursos é necessário um perfil adequado:
b1) A pessoa não pode ser tímida;
b2) Tem de ser pró ativa;
b3) Não pode ser menor de idade;
b4) Tem de possuir bom vocabulário, saber se expressar e preferencialmente ter nível Superior;
b5) Tem de ter disponibilidade de horário;
b6) Tem de fazer da paciência uma virtude.  Por ventura um “chá de cadeira” de horas pode valer a pena para ser atendido por um grande patrocinador;
b7) Fanhoso ou gago, nem pensar;
b8) Estar gozando de boa saúde também é importante para eficácia;
- Estar bem vestido e com boa aparência física é imprescindível para transmitir credibilidade;
- Portar sempre abundância de material para mostrar e até mesmo deixar de brinde.  Uma pessoa que apresente apenas um projeto e um cartaz de evento, terá menos chances do que uma outra pessoa com o projeto escrito, cartaz, folder, canetas, chaveiros, camisetas, cartão de visita, book com registros de divulgação em jornais, fotos de eventos passados, CDs, DVDs etc.  As vezes o empresário não se convence num primeiro momento, por diversos fatores, mas ao assistir a um DVD deixado junto com um cartão de visita, pode proporcionar um telefonema posterior que salvará o projeto;
- Dominar o assunto e o material é essencial.  Perguntas das mais diversas naturezas irão surgir, então a dupla tem de se preparar estudando bastante o assunto e criar uma lista de perguntas e respostas a ponto de estar apta a prestar esclarecimento sob qualquer aspecto levantado.  Uma sabatina, antes de sair a campo, também é indicada.  Interessante se apurar também as questões legais que favorecem empresas e organizações em abatimentos nos impostos das que contribuem com eventos culturais, de cunho social ou ambiental.  Isto é de muito interesse dos grandes nomes que fomentam a chamada Responsabilidade Social.

2°) Da Metodologia Adotada.
a)                 Contatar conhecidos.
- A indicação de conhecidos ou parentes pode ser um otimizador por já dedicar confiança;
- Por mais que conhecidos ou parentes não tenham contatos com empresários ou organizações prováveis patrocinadoras, poderão sugerir alguns nomes que não foram lembrados para serem inclusos na listagem de trabalho citada a seguir.
b) O trabalho começa antes de sair a campo.
- Criar uma lista de prováveis patrocinadores consultando Guia do Consumidor, Lista Telefônica e Internet, além de algum outro anteriormente indicado;
- Telefonar para o máximo de nomes possíveis na lista e verificar quem procurar, se há um departamento comercial ou qualquer outro setor responsável.  Importante não falar que se procura patrocínio.  A informação passada tem de ser de “parceria comercial” ou “parceria profissional” (dependendo da natureza da organização) de interesse da organização;
- Muitas organizações disponibilizam número telefônico para contatos em suas home pages.  Algumas chegam a dar o número de cada setor.  Um estudo prévio também pode revelar interesses de curto prazo, parcerias desejadas ou outra coisa que possa enriquecer os argumentos na visita.  Portanto é sempre recomendável dar uma lida mínima nas home pages, para se conhecer melhor quem estará sendo abordado e assim ter uma idéia de como seria mais interessante negociar;
- Este primeiro contato não deve ser feito por e-mail.  Algumas empresas demoram dias para responder, outras nem atualizam os sistemas com frequência;
- Com esse contato inicial, pode-se conseguir algumas informações relevantes como horário propício para a visita, nome do profissional a ser contatado, dia da semana específico para isso, agendamento etc.
c) Traçar um plano.
- Após todos os dados anotados, precisa-se desenhar um roteiro para as visitas que tem de obedecer a rota mais racional e compatível com a geografia, com o transporte a ser usado e com datas e horários agendados;
- As anotações do roteiro devem ser levadas na trajetória a fim de evitar falhas;
- Caso haja uma equipe grande no projeto, mais de uma dupla pode ser selecionada para o serviço, formando assim um time de trabalho que terá o plano de visitas divido estrategicamente para cada dupla.

3°) Da Manutenção Do Patrocinador.
a)                 Feedback.
- Convite pessoal deve ser feito a representantes da organização patrocinadora para participação ou acompanhamento da realização do projeto.  Observação: convidados especiais;
- No decorrer do projeto, o patrocinador deve ser informado que seu nome consta como apoio ou como patrocinador, e onde está o destaque informativo;
- Ao término de execução do projeto, registros com o nome do patrocinador (cartazes, camisetas, adesivos, matérias de jornais etc.) devem ser encaminhados com agradecimentos e declarações e desejos de repetência em feitos futuros, mantendo assim um vínculo firmado;
- Comprovar o sucesso do projeto satisfaz o patrocinador que fica com a certeza de que seu nome ficou evidente como parceiro no sucesso e consequentemente foi visto pelo máximo de pessoas possível.  Isto lhe dará motivação para voltar a firmar parceria, talvez até ampliando o percentual de participação;
- Se ao menos uma das pessoas da dupla promover este feedback, mais forte será a credibilidade, visto que surge a figura da amizade e o retorno personalizado.
b) Consulta Para Melhorias.
- Os patrocinadores envolvidos devem ser consultados a respeito da parceira.  No que foi de mais agrado, o que não agradou ou poderia ter sido melhor e se há alguma sugestão proposta;
- Certamente que gerentes, empresários, diretores e administradores conhecem e teem contatos com outros de sua profissão do ramo ou não.  Então, no afã deve-se solicitar indicações de outras parcerias e se possível citar a recomendação na indicação dada.

Observação importante: Todo orçamento de projeto possui uma margem de provisão para imprevistos.  Geralmente esta margem é de 10% do total do orçamento, variando para mais quando há salubridade ou periculosidade, dependendo da natureza do projeto.  Logo, o total do orçamento de patrocínio, também deverá obedecer essa margem de modo a suprir qualquer demanda imprevista.

terça-feira, 15 de março de 2011

End Of The Century - The Story Of The Ramones

Dirigido por Michael Gramaglia e Jim Fields este documentário de 112 minutos (já lançado em DVD no Brasil) saiu no ano de 2003 e foge dos moldes de todos os demais documentários.  O intuito dos diretores não foi o de festejar e mostrar a alegria de uma grande banda de rock.  Ao Contrário, o objetivo é expor o lado negro.  As brigas, a luta pelo domínio de liderança, os desafetos por causa de mulheres, o excesso de drogas, as decepções.  Está tudo ali.  De maneira crua a ponto do próprio Johnny Ramone (guitarrista) ficar irritado em cena com as perguntas provocantes e posteriormente ao assistir o resultado final do filme.
A lista de entrevistas realizadas exclusivamente para este documentário é grande (com exceção dos depoimentos do vocalista Joey Ramone, por ter falecido dois anos antes).  Joe Strummer (The Clash), Deby Harry (Blondie), familiares dos músicos da banda, Legs McNeil, Rob Zombie, Glen Matlock (Sex Pistols), Kirk Hammet (Metallica) dentre muitos outros, compõem a sequência.  Contudo, as falas estão editadas de forma a priorizarem as “feridas” da banda.  Já era de conhecimento público que Joey passou a odiar Johnny, por este lhe ter roubado e casado com a namorada.  Trauma jamais superado pelo vocalista e motivo de inspiração para a composição de muitas letras amargas.  O mesmo guitarrista Johnny impunha, quase militarmente, a liderança sobre os demais, a ponto de exigir o “uniforme” de jeans rasgado e jaquetas de couro.  Motivo de contestação por parte de Dee Dee Ramone (baixista criador da banda).  O excesso abusivo de álcool do baterista Marky Ramone, que chegou a ser afastado vários anos por isso, e o simples fato de todos terem de aturar a convivência entre si por anos, dentro de ônibus, camarins, hotéis e aviões, levou todos os membros ao stress, à fadiga e às crises pessoais.
Este tipo de documentário é excelente para quebrar o estereótipo de ídolo e mostrar ao fã como músicos, escritores, atores, dentre outras espécies intocáveis, são meros mortais que também teem seus problemas, as vezes até maiores do que os nossos, por estarem envoltos de mais pessoas interesseiras, mais negócios profissionais e o tão repugnante mainstream.
End Of The Century – The Story Of The Ramones” é altamente recomendável.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Hitler Ganhou A Guerra

O que você faria se descobrisse que as mais importantes notícias mundiais são impostas pelo interesse de uma minoria?  Que todo o avanço científico é sempre controlado de modo a não atrapalhar a produção mundial de petróleo e da indústria farmacêutica?  Que as maiores faculdades do mundo teem suas metodologias supervisionadas com o intuito político?  E que a indústria bélica age de modo a não deixar faltar guerras no mundo?  Escrito pelo argentino Walter Graziano, “Hitler Ganhou A Guerra” é um livro impressionante.  Após a leitura, a sensação é de perceber algo que inconscientemente já sabíamos, mas até então não havíamos racionalizado em palavras, devido à complexidade das intrigas em conectividade.
Algumas verdades são incômodas para os governantes por se tratarem de tramas da manutenção perpétua do poder.  Entende-se não somente políticos, mas sim toda uma classe de riquíssimos empresários, diplomatas e pessoas influentes que, normalmente, não aparecem frente às câmeras.  O mais incrível é que, desta feita, os nomes são citados.  As famílias, as clãs, as instituições e como todos são programados a reproduzirem-se entre si.  Tudo é revelado.  A teia é tão abrangente e rica que atua continuamente numa operação “abafa”, desde antes da segunda guerra mundial.  As ligações de negócios da família de George W. Bush com Osama Bin Laden são fatos históricos e comprovados.  Porém, calados.  O interesse do próprio Bush nos atentados de 11 de setembro e como este governo norte americano planejou tudo, também é calado.  A burocracia que retarda o fomento de energia renovável de modo a manter alta a produção de petróleo mundial, também é calada.  Os entraves nos avanços científicos que atrasam a divulgação da cura de doenças como o câncer, a AIDS, dentre outras, de forma a não estancar a milionária venda de remédios no mundo todo, também é calada.  O modo como as notícias exploradas nas maiores redes de TV, bem como nas maiores revistas e jornais do mundo, visam os interesses políticos, acadêmicos e empresariais, também é calado.  Estas e outras questões reveladoras estão amplamente fundamentadas neste livro.  Para se ter uma idéia, além das várias notas de rodapé, cada capítulo tem a sua referência bibliográfica que consta dezenas de sérias publicações do mundo todo.
Teorias de conspirações à parte, o exposto desperta uma reflexão mais crítica e apurada para a desconfiança no que se é imposto como padrão, conforme o american way of life.
Editora (no Brasil): Palindromo; Ano: 2005; Tradução: Eduardo Fava Rubio; 200 páginas.

domingo, 13 de março de 2011

Nau Perdida

Dividindo resquícios de sub-vida
Para perpetuar uma salvação.
Obscuro confuso com paz rompida
Sem ter como consolar o seu coração.

Paraíso sonhado não concedido
Por autarquia fantasma da geração.
Medalhas condecoradas, seus inimigos
Levaram sua liberdade a uma castração.

E quis lutar esquecendo que era uma nau perdida,
E quis tentar a sua insistência na contra-mão,
E quis jogar as cartas marcadas d’alma ferida,
E quis curar de vez por todas sua solidão.

sábado, 12 de março de 2011

Marvels

Desenhista e pintor norte americano, Alex Ross nasceu em 1970 e rapidamente ganhou destaque por apresentar uma arte ultra realista, mas com respeito aos aspectos clássicos dos personagens ilustrados.
O estilo ultra realista caracteriza-se por mostrar uma arte (desenho ou pintura) com traço fotográfico.  No caso das pinturas de Alex Ross, vários quadrinhos levantam a dúvida em tratar-se de desenho feito pelas mãos de um artista ou de uma fotografia que teve pintura sobreposta.  Alguns afirmam que este grande nome dos quadrinhos usa modelos fotográficos para seus desenhos iniciais, que levam à pintura no produto acabado, mas independente dele usar ou não fotos, o renascentismo é explícito em seu trabalho e a apreciação das páginas vai muito além da simples leitura, prendendo o leitor por vários minutos antes do mudar de página.
Uma das belíssimas capas com uma ante capa em transparência de acetato
Seus trabalhos mais significativos estão para as duas maiores produtoras de quadrinhos do mundo “Marvel Comics” e “DC Comics”.  Apesar de retratar exclusivamente super heróis, o traço ultra realista oferece uma explanação mais adulta para o tão juvenil universo dos heróis.
Dentre todos já publicados, a mini série em quatro edições “Marvels”, merece uma atenção com melhor destaque.  Lançada no ano de 1994 pela Marvel Comics, e incrivelmente publicada no Brasil em edição de luxo com acabamento todo em papel couche, tem uma grande sacada pra manter a arte original da capa intacta.  A logomarca da mini série e outros detalhes de layout de capa, estão impressos em uma transparência de acetato que precede a página com a arte.  No roteiro feito por Kurt Busiek tem uma outra característica de história para adultos, além da arte perfeccionista de Ross.  Tudo é narrado sob a perspectiva de um cidadão comum.  No caso, um jornalista que passa a registrar o surgimento desses super seres no mundo.  Então não espere encontrar as tradicionais batalhas entre vilões e heróis, tão clichês no ramo.  Aqui temos um drama de um pai de família que encontra na sua profissão a oportunidade de fazer imagens e ter um contato, mesmo que indireto, com seres maravilhosos.
Os Beatles estão espalhados entre as pessoas presentes
Uma curiosidade feita para os mais atentos, está na aparição de algumas celebridades como figurantes.  Na primeira edição, na página vinte e seis, há um depoimento do marinheiro Popeye, no primeiro quadrinho.  Na segunda edição temos a atriz Elizabeth Taylor, na página dezenove, no quadrinho principal.  Na página vinte e quatro temos a primeira aparição dos integrantes dos “Beatles”, no primeiro quadrinho, separados entre si e dispersos no meio da multidão.  Na página trinta e três eles voltam a aparecer, também separados entre si e escondidos entre as pessoas.  Na terceira edição é a vez do criador dos personagens, Stan Lee, aparecer no terceiro quadrinho da penúltima página.  No primeiro quadrinho da página quatro, da quarta edição, vemos os integrantes da banda “Badfinger”, andando entre os transeuntes.  Na mesma edição, na página treze, temos Pete Townshend (primeiro quadrinho) e Roger Daltrey (último quadrinho), ambos da banda “The Who”.  Ainda na mesma edição aparecem Louis Lane e Clark Kent (terceiro quadrinho da página dezenove), que não puderam ficar tão evidentes, devido ao fato de pertencerem à DC Comics.  Há outras aparições e referências que estão lá para serem identificadas por quem se dispor a tal.
Leitura aconselhável para quem deseja uma perspectiva diferente do universo de super heróis, “Marvels” é facilmente encontrada pra download na Internet.  Se tiver sorte, pode ser encontrada em bom estado pra venda.  Seja qual for o formato, vale uma conferida.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Glossário Orestes - M, N e O

M
Macaco sm. 1. Nome comum dado a todo primata, exceto o homem. Primata que evoluiu a ponto de não ser um humano. 2. Ferramenta mecânica usada para erguer grande peso.
Maconha sf. Variedade de cânhamo usada como narcótico. Futuro propulsor da economia, da indústria têxtil e da saúde.
Madeireiro sm. Negociante de madeira que ganha muito dinheiro explorando irracionalmente trabalhadores e principalmente a natureza.
Magistério sm. Cargo de quem trabalha muito, tem muita responsabilidade e ganha remuneração vergonhosa.
Magistrado sm. Cargo de quem não trabalha, pensa ter muita responsabilidade e ganha remuneração enriquecedora.

N
Nada pron. indef. Coisa nenhuma. Aquilo que é dado como recompensa para o povo.  bras. Porra nenhuma.
Nádega sf. Bunda. Uma das maiores adorações do povo brasileiro.
Natal adj. 1. Onde ocorre o nascimento. 2. sm. Data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, sem nem mesmo se ter a certeza de que ele existiu ou se nasceu mesmo em tal data. Época do ano em que o consumismo aumenta exponencialmente.
Natureza (ê) sf. Força perpétua que estabelece a constituição universal e está sendo degradada pelo ser humano no planeta Terra.
Necrófilo sm. Aquele que faz sexo com um ser morto. Marido da Hebe Camargo.

O
Obcecar vt. Sujeitar-se à vontade de outros. Produção da igreja, da religião, da política, do futebol, do carnaval e da televisão sobre o povo.
Obedecer vt. Sujeitar-se à obediência. O que o povo faz sem direito a contestação e com diversão no conformismo.
Óbito sm. Morte de ser humano. Futuro não muito longínquo de todos nós.
Ócio sm. Descanso do trabalho. Lazer. Rotina do político.
Ocioso (ô) adj. Aquele que pratica o ócio. Paulo Maluf, Amazonino Mendes, Fernando Collor de Mello.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Tulipa Negra - Na Estufa

Uma das primeiras bandas de blues da cidade de Manaus, a Tulipa Negra cometeu erros e acertos que certamente indicaram o título de cult e a extinção do grupo.  Um dos maiores erros, sem dúvida nenhuma, era o de não tocar suas músicas próprias nos shows e se limitar a ser uma banda cover pra servir de fundo musical de barzinho.  O maior acerto (acerto marcante, por sinal) foi o lançamento de seu único CD no ano de 2000, “Na Estufa”.  Primeiro disco de blues de uma banda de Manaus.
A bolachinha já abre com um puta rock and roll chamado “Razão De Um Blues”.  Os arranjos são muito bem encaixados e a letra é digna do mundo rock and blues.  Bares esfumaçados por cigarro, bebida em excesso, mulheres sedutoras e som alto.  Simplesmente convidativo à dança.  A segunda faixa já cai pra um blues roots.  “O Velho” é nada mais e nada menos que um culto apaixonado ao blues com o clima noir da história de um homem idoso em sua decadência existencial.  Poderia muito ter sido gravada por um dos grandes nomes do blues nacional como Baseado Em Blues, Blues Etílicos ou Celso Blues Boy.  A terceira “Sangue A Mil” é um grande rythm blues.  O bom solo de guitarra e o acompanhamento profissional de excelentes músicos chega a ser marcante.  A seguinte “Miragem Sua” volta ao blues clássico.  A influência de B.B. King é explícita.  A letra desta faixa, bem como da anterior, não foge do clichê padrão de paixão por alguma musa qualquer.  Nesta, há solos do guitarrista, do tecladista e do saxofonista.  Na sequência vem a mais comercial e fraca do disco.  “Amargo Âmago” cairia muito bem na voz da maravilhosa Ângela Rô Rô.  Um blues pop, quase balada, que poderia estar incluso no “jabá” das rádios.  Em seguida vem uma boa surpresa.  “Fugindo Da Polícia” é um rock and rollzão com pitadas rockabilly instrumental que volta levantar o astral do disco e convida novamente à dança.  Após o solo da guitarra, entra um solo de teclado, seguido de um sutil solo do contrabaixo e um pequeno solo de bateria que culmina no entrosamento cativante de todos os músicos.  A penúltima música é a que dá nome ao CD.  “Na Estufa” é um outro rythm blues muito bacana que em sua poética letra compara uma mulher, com seu perfume embriagante, a uma flor na estufa.  Pra fechar o trabalho outra boa surpresa.  “Rio Negro, Negro Blues” é um lindo jazz instrumental que deixa seu swing gravado na memória.  Seu final também tem pequenos solos de contrabaixo e de bateria.  Dois são os músicos em destaque desta formação no grupo.  O ótimo guitarrista Matheus Gondim (atual guitarrista/vocalista da Soda Billy) e o saxofonista Milton Calvoso (que já gravou com Bocato).  Nos créditos consta a participação de Helmut Quacken (baterista da Glory Opera), mas não se diz em que canção.  Ausência de créditos mais detalhados e de letras das músicas é um paradigma nos discos das bandas manauaras, que ainda não atentaram a importância crucial da arte gráfica de um trabalho.
A banda já teve dezenas de formações, mas acabou se tornando patrimônio do front man Augusto Rocha que fazia os vocais e chegou a tocar bateria no disco e em shows.  Se um dia voltar à ativa, a Tulipa Negra dificilmente reunirá essa formação ou contará com o grande baterista Voulner Sá (ex-baterista da banda que também integrou a Deskarados).  Porém, este CD é um registro histórico e merece destaque na discografia de Manaus.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Primeira Exibição do "Zeitgeist III - Moving Forward" em Manaus

O cartaz abaixo fala por si só.  Batalhamos um pouco, mas conseguimos acertar tudo.  Agora é só divulgar e esperar a data para realizarmos de fato o evento.


terça-feira, 8 de março de 2011

Entrevista Com Ota

Otacílio Assunção Barros, mais conhecido como Ota, é desenhista, cartunista, quadrinhista, escritor e editor.  Fez fama atuando por muitos anos na revista Mad, mas seu trabalho vai muito mais além da revista.  Publicou trabalhos pra diversas editoras e colaborou com tantas outras.  Seu nome está dentre os maiores editores do Brasil.  Sempre renovando seus métodos de edição e publicação, nunca deixou a atualização nos meios mostrando facilidade em adaptar-se pra qualquer situação.  Sua personalidade mistura o polêmico e o hilário com um carisma muito humano que só quem o conhece pode confirmar.  Abaixo uma entrevista que ele nos cedeu com todo bom grado.

Orestes: Você passou um tempo como editor da Spektro e um outro longo período como editor da Mad.  Havia alguma diferença no trabalho, visto que uma se trata de terror e outra de humor?
Ota: Eu era editor de umas duas dúzias de revistas ao mesmo tempo, comandei todas as publicações de quadrinhos da Vecchi que saíram entre 1974 e 1981.  Havia todos os gêneros: infantil, faroeste, policial, terror, humor.  Eu não trabalhava sozinho, tinha uma equipe de umas dez ou doze pessoas na redação e uns 50 ou 60 colaboradores.  As tarefas eram distribuídas.  Eu supervisionava tudo e não tinha problemas de pular de um gênero para outro.  As revistas que eram traduzidas eram tocadas automaticamente, e as que eram total ou parcialmente produzidas, aqui tinham todas o meu dedo.  E além do meu trabalho na Vecchi eu fazia roteiros como free-lancer para a Rio Gráfica.  Escrevi quase mil páginas de Recruta Zero, que tinha parte do material produzido aqui.

O: Algumas correspondências mandadas para a redação da revista Mad eram extremamente agressivas à sua pessoa.  Você chegou a ter problemas quanto a isso?
Ota: Hahaha!  Eu nunca me preocupei com isso.  Adorava ser xingado pelos leitores.  No fundo eles me amavam.  Vamos entender que a Mad era uma revista maluca, onde o editor xingava os leitores e vice-versa.  

O: Muita gente ainda não sabe o porquê.  Então, explique novamente como se deu a sua saída da Mad.
Ota: Segurei a peteca da Mad durante 34 anos em todas as editoras que a publicaram: Vecchi, Record, Mythos e Panini.  Isso foi quase uma vida, nem Jesus Cristo viveu tanto.  Esse período correspondeu praticamente a toda minha vida adulta.  Era tempo de me aposentar.  Ser “o homem da Mad no Brasil” me trouxe fama, mas ao mesmo tempo me empatou um pouco, pois as pessoas insistiam em me associar exclusivamente à Mad, embora eu fizesse simultaneamente um monte de coisas, inclusive meu trabalho autoral como minhas tiras e cartuns.  Escrevi e ilustrei livros, até pra revista de mulher pelada colaborei, e pouca gente se lembra disso.  Sempre associam imediatamente meu nome à Mad.  O problema é que a Mad está em declínio, inclusive nos EUA.  Nas décadas de 1970 e 1980 a Mad vendia muito bem.  De 1990 em diante as vendas começaram a cair por causa da chegada de outras diversões baratas, como jogos, RPG, videocassete e DVDs , Internet...  Antes uma criança ou adolescente só podia se divertir assistindo filmes no cinema ou na TV ou comprando gibis.  No final do século XX o leque se ampliou – e isso causou quedas nas vendas dos gibis como um todo, embora a Mad tenha resistido.  Mas as condições de trabalho não eram mais tão interessantes.  A Vecchi e a Record me pagavam muito bem e com uma boa verba eu podia fazer uma revista melhor.  Quando foi para a Mythos foi um desastre, porque o orçamento encolheu, alguns colaboradores se desinteressaram e fiquei praticamente com a peteca toda nas costas, as relações com a editora não eram muito boas.  Eu estava editando e produzindo a revista praticamente de graça, e eles retribuíam me tratando como se estivessem me fazendo um favor, quando na verdade era o contrário.  Aguentei aquilo calado durante anos, porque pensava que a Mad não poderia “cair em mãos erradas” e topei o sacrifício.  Mas só era apunhalado pelas costas.  Pensando bem, eu deveria ter parado quando a Record largou.  Àquela altura eu já estava trocando meus projetos de animação e de Internet, deveria ter focado mais nisso.  Quando a Mythos perdeu os direitos para a Panini, no final de 2006, pensei que o karma tinha acabado.  Mas a Panini retomou em 2008 e fui chamado novamente.  Note que não conheço ninguém na Panini, a briga não foi com eles.  O problema é que toda a produção dos gibis da Panini é terceirizada, tudo é feito pela Mythos.  Ou seja, na prática eu estava trabalhando para os mesmos caras, e as condições pioravam cada vez mais.  Me ofereceram menos da metade.  Mas com uma contrapartida, que dessa vez eu só cuidaria do conteúdo nacional e a parte traduzida ficaria com eles.  Um sub editor interno da Mythos co editaria a revista comigo, mas eu teria o controle sobe o que saísse.  Topei fazer uma experiência de três edições para ver no que dava.
Como a Mad tinha ficado mais de um ano sem sair, a repercussão na mídia foi enorme.  Toneladas de reportagens saíram em tudo que é lugar, e todas falavam mais de mim do que propriamente da revista.  O telefone não parava de tocar, caixa de e-mail entupida, milhões de pessoas se oferecendo para colaborar, aquilo me enlouquecia.  Para piorar algumas dessas reportagens tinham perguntas cretinas.  Quando um jornalista me perguntou se eu achava que ia morrer fazendo a Mad entrei em profunda depressão.  Sim, me toquei, eu acabaria morrendo mesmo se continuasse lá.  Para piorar, o co editor começou a passar por cima de mim e acrescentar material da lavra dele na revista à minha revelia.  Aquilo foi a gota d’água.  Mandei eles tomarem no cu e novamente uma saraivada de reportagens “Ota sai da Mad” etc. etc.  Disse então que ia leiloar todo o meu acervo de Mad e quando isso aconteceu nova saraivada de reportagens.  O leilão foi simbólico, para fechar o ciclo, embora tenha me dado um bom dinheiro.  Ganhei mais no leilão do que nos sete meses desastrados que trabalhei com eles.
Lamento muito o que a Mad se tornou e procuro nem ler mais, para não me aborrecer.  A revista está um desastre, sem graça, feita por amadores, com piadas copiadas da Internet, virou um fanzine produzido por profissionais iniciantes (a maioria trabalhando de graça) que querem poder dizer: “manhê... publiquei na Mad” e ouvir “Que bom, meu filho”.  É amadorismo demais.  Se os americanos pedissem para alguém fazer uma tradução do que está saindo, cancelariam a concessão na hora.  Não digo que todos os colaboradores sejam ruins, uns poucos se salvam, mas se perdem no meio da mediocridade geral.  Eu não sei a quem eles estão tentando enganar, talvez a si próprios.   Mas fodam-se eles.  Deixa eles ficarem nessa ilusão, tenho minha vida para tocar.
       
O: Porque o mercado dos quadrinhos está em decadência tanto no Brasil quanto no exterior?
Ota: Não se trata propriamente de decadência.  Nunca se publicou tantos quadrinhos como agora, e mesmo os que não são publicados em papel encontram seu espaço na Internet.  Ocorre que o mundo está mudando e a indústria, tanto aqui como lá, não se dá conta disso.  Infelizmente os que mandam nas editoras são pessoas que não gostam de quadrinhos, consideram isso um negócio como outro qualquer, tanto faz para eles se estivessem administrando uma editora ou fábrica de papel higiênico ou outra coisa qualquer.  Por isso não há uma renovação e só copiam as coisas que estão dando mais certo.  Hum, mangá está vendendo?  Então tome mangá.  Não plantam investindo em novos gêneros.  Só investem no que é lucro certo.  Com isso o mercado de quadrinhos vendidos em bancas está essa lástima e encolhendo cada vez mais.
Por outro lado, as editoras de livros estão lançando mais quadrinhos do que antes e publicando trabalhos mais autorais.  Na verdade eu continuo trabalhando para essas editoras sérias, que respeitam mais o trabalho criativo.  Continuo amigo do dono da Record até hoje e produzo para eles as edições dos novos álbuns de Asterix e a maioria das edições de quadrinhos que eles lançam.  Além da Record ainda trabalham para outras editoras.  Além de mil outras coisas que faço.   

O: Você ainda lê quadrinhos?  O quê especificamente?
Ota: Basicamente leio com regularidade apenas as tiras da Folha de S. Paulo.  Isso é todo dia.  Mas acompanho por alto o que está sendo feito em termos de trabalho autoral.  Quando aparece algum livro novo como Persépolis, da Marjane Satrapi, leio com sofreguidão.  Super-heróis nem pensar, não tenho mais tempo pra essas bobagens.

O: Você teve duas passagens pela cidade de Manaus, que é uma cidade bem exótica em comparação à outras capitais brasileiras.  Como foram essas passagens e quais as melhores lembranças (ou as piores) que você poderia destacar?
Ota: Bom, o calor e umidade daí são meio dose pra quem não está acostumado, né?  Não sei como vocês agüentam.  E olhem que sou carioca e aqui também faz calor a maior parte do tempo.  Bom, gosto de muitas pessoas daí, amigos que conheci da primeira e reencontrei da segunda vez que fui.  Não tenho problema em voltar, desde que não me coloquem de novo no mesmo hotel.  Armei o maior barraco porque justo na hora que ia passar um episódio inédito de Heroes o sinal da TV a cabo caiu.  Não se faz esse tipo de coisa comigo. 

O: Recentemente você lançou o “Relatório Ota Do Sexo”.  Como tem sido a sua aceitação e qual o diferencial dele?
Ota: A aceitação foi melhor do que eu pensava.  As resenhas foram todas positivas.  Ainda não está vendendo o que eu gostaria que vendesse, mas a Leya é uma editora relativamente nova no mercado e ainda não conseguiu solidificar a distribuição.  Mesmo assim já vendeu mais que um livro de quadrinhos normal.  Vamos ver a continuidade disso.  O contrato que assinei com eles é para três livros e este ano saiu outro Relatório Ota lá pelo meio do ano.
O Relatório Ota é o que me tornou mais conhecido, não só porque começou a sair regularmente quando a Mad estava no seu apogeu como se tornou uma das principais atrações da revista na sua fase boa, ajudando a consolidar meu nome.   Mas o material está sendo todo reciclado e atualizado, não é uma simples republicação do que saiu antes.  O Relatório Ota Do Sexo tem mais da metade de material inédito, além de ter sido totalmente redesenhado.  O Relatório Ota Da TPM é completamente inédito.  Essa coleção Relatório Ota vai ter incontáveis volumes, divididos por temas específicos.

O: Qual o seu próximo projeto?
Ota: Estou trabalhando em MUITOS projetos ao mesmo tempo, na verdade minha jornada de trabalho começa às seis da manhã.  Não posso falar de todos porque alguns são secretos e envolvem cláusulas de confidencialidade.  Mas posso dizer que poucos envolvem quadrinhos no estilo tradicional, o que eu estou tentando é transpor a linguagem dos quadrinhos para as mídias atuais.  Os tempos das publicações em papel estão contados.
O que pode ser falado está sendo divulgado no The New Ota Times, que pode ser acessado no meu site.  Basicamente meu projeto maior para este ano é um game para crianças de 6 a 10 anos que vai ser adotado em toda a rede escolar brasileira e ensinar a molecada de todo o país História do Brasil de uma maneira divertida.  É algo completamente diferente do que o meu público tradicional está acostumado, na verdade é para os filhos e netos deles.  Recebi um generoso patrocínio do Oi Futuro para desenvolver esse jogo e essa é minha atividade principal no momento.  Está sendo um novo desafio e me deixa feliz porque vou ajudar muita gente e fazer a cabeça das novas gerações, colocando os valores certos na cabeça deles.  Tive a idéia desse jogo jogando esses jogos de Facebook tipo Máfia Wars, onde você tem que virar um mafioso e roubar bancos e matar pessoas.  Quando estava jogando pensei: “Hum, e se eu fizesse um jogo do bem?”.  Assim, em vez de (no caso do Jogo da História do Brasil) a pessoa crescer no game montando uma fazenda e tendo milhares de escravos, ganha mais pontos se ajudar os escravos a fugirem para o quilombo.  E também encarar de outro lado a questão indígena.  Não vou negar para as crianças que houve o genocídio indígena, mas a abordagem é mais coerente e humana.  Quero ensinar as crianças que estão em formação agora a crescerem e construírem um mundo melhor que o atual, que está podre.  Meu sonho é ver crianças de norte ao sul do país jogando o meu joguinho, que ainda por cima é grátis porque é feito com patrocínio e não visa lucro.  No dia que eu souber que uma escola de um município remoto do Amazonas ou do Acre adotou o jogo e os alunos aprenderam, vou ficar extremamente feliz.  

O: Fale sobre a produção do filme longa metragem que será baseado na pessoa de Ota.
Ota: Esse filme é um presente que caiu do céu e vai ajudar a fazer a transição do Ota antigo para o Ota atual.  Um amigo meu, Franz Valla, ficou insistindo que minha vida daria um documentário, porque as confusões que aprontei foram muitas e passei por todas as editoras e manifestações da cultura pop como uma espécie de Forrest Gump tupiniquim.  Não é bem um filme sobre minha obra, mas sobre minha vida e meu jeito louco de viver.  Ele mostrou o projeto para a Tatiana Issa e ela arregalou os olhos e se interessou.  E acabou tomando o filme pra ela, disse que merecia não ser um curta, mas um longa, e que era justamente um projeto desses que ela e o Raphael Alvarez (que co dirige os filmes com ela) estavam procurando.  Eles conquistaram muitos prêmios internacionais com o filme dos Dzi Croquettes e querem continuar nessa linha, resgatando ícones culturais dos anos 70 e 80.  O Franz em vez de diretor agora é o produtor executivo do Ota The Movie.  Mas o melhor ainda é que esse não vai ser um documentário normal, não é só um monte de pessoas sentadas falando por que me amam ou me odeiam, ou que fui editor da Mad ou Tex e escrevi Recruta Zero.  Isso vai ter também, mas é muito mais do que isso.  As cenas da minha vida vão ser todas dramatizadas, enquanto as pessoas contam o que se lembram, o Igor Cotrim vai fazer o papel do Jovem Ota e também de todos os meus antepassados.  O filme começa por volta de 1900, quando meu bisavô materno raptou a cavalo a minha bisavó porque o pai dela não queria consentir no casamento porque meu bisavô era descendente de escravos e, por outro lado, em Portugal, meu tio-avô bebeu toda a produção de vinho da adega da família junto com outros pinguços, levando a vinícola à falência e obrigando meu avô paterno a vir tentar a vida no Brasil, onde ele conheceu a minha avó e casou com ela, ajudando a fundar a “dinastia Ota”, que uns 50 anos depois deu em mim.  O Igor é o melhor ator brasileiro do momento e seu desempenho como Madona no longa Elvis E Madona do Marcelo Lafitte é impecável.  E ele tá adorando fazer o papel de Ota.  Na verdade nos parecemos muito, não fisicamente (porque ele é bonito e eu sou feio), mas no jeito de pensar.
Eu não sabia que a Tati e o Igor eram tão meus fãs assim.  Todos estamos muito empenhados nesse filme, e no momento Tati e Raphael estão correndo atrás do patrocínio.

O: Obrigado pela entrevista.  Deixe seu recado para os leitores do blog Orestes.
Ota: Bom, com essas novas incursões minhas na área do cinema, vou acabar indo pro Festival de Manaus quando o filme ficar pronto.  Me aguardem que vou voltar.