Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Front Zine 15

Este número 15 é um dos poucos “Front Zines” que não estão enquadrados.  Lembro de uma interjeição sobre a arte central: “Que porra é essa?”.  Eu ficava tentando imaginar de onde Fábio Prestes se inspirava pra criar uma ilustração tão bizarra e surreal.  Talvez algum psicólogo explicasse.  O texto de minha autoria é uma sucinta resenha de um livro de Robert E. Howard, com seus primeiros textos do famoso personagem Conan.  Eu não a reproduzirei aqui, por ter a intenção de realizar uma resenha mais trabalhada para este blog, deste livro em si.  Como nosso espaço era limitadíssimo, nesse trabalho coletivo do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, nossas resenhas também tinham de ser concisas.


domingo, 30 de janeiro de 2011

1984

Não tenho dúvidas que “1984” foi o melhor romance de ficção política que eu já li em toda minha vida, e sei que dificilmente lerei outro com as mesmas qualidades.  Escrito pelo inglês George Orwell e publicado pela primeira vez no ano de 1949, o livro tem uma forte psicologia em retratar um mundo opressor extremista que não está muito longe da realidade.  No ano de 1956, foi lançada uma adaptação para os cinemas da obra, dirigida por Michael Anderson.  Porém, no ano homônimo à obra um remake de 120 minutos da MGM marcou de vez a adaptação para as telas, desta vez com direção de Michael Radford, que conseguiu transmitir todo clima sombrio e repressor da história.
Imagine um mundo constantemente em guerra e dividido por apenas três governos ditadores que escravizam culturalmente o povo em castas por gerações.  Não existe cultura, senão a imposta pelo Estado que é representado pela imagem intimidadora do intocável “Grande Irmão”.  A onipresença do Big Brother é efetivada com câmeras em todos os lugares públicos ou privados.  Qualquer tentativa de contestação é reprimida com prisão, tortura e morte.  As crianças são doutrinadas para delatarem os pais, caso haja suspeita de subversão.  Toda produção, marca, educação e mídia pertencem ao Estado que exerce a cultura do medo e do ódio.  A propósito, o ódio tem o seu momento de culto coletivo que deve ser obedecido, bem como a obediência e o amor ao Grande Irmão.  As roupas são padronizadas.  O sexo proibido para o prazer e controlado para a reprodução.  Não existe lazer.  A língua usada é a “Novilíngua” que, ao contrário de todas as outras, esta somente reduz o seu vocabulário, como forma eficaz de impedir a expressão.  É instituído o “Duplipensar” que constitui na aceitação simultânea de duas crenças paralelamente opostas pra cada conceito, firmando assim a confusão e a submissão ao imposto.  A narrativa é dura e seca, as cores neutras com estéticas medievais.
Baseado nesse conjunto que o holandês John De Mol criou o reality showBig Brother”, no qual a rede Globo adaptou com muito sucesso para o Brasil.  Alan Moore também se inspirou neste trabalho para criar o seu comic bookV De Vingança” (também adaptado para os cinemas).  David Bowie fez uma clássica canção.  Eurythmics a trilha sonora da segunda adaptação para o cinema e Rick Wakeman um álbum conceitual com o tema, também lançado no mesmo ano de 1984.
Com um trabalho que se torna atual a cada ano que passa, George Orwell conseguiu tornar-se um dos escritores mais lidos do Reino Unido.  Ao término da leitura, uma estranha sensação toma conta do leitor.  Teorias de conspirações à parte, já temos nossas vidas e nossos passos, senão controlados, mas acompanhados, a cada instante.  “A Revolução Dos Bichos” é um outro livro seu, também tido como uma grande obra literária, usado até no ensino fundamental, mas que merece uma resenha a parte.  Se você não conhece “1984”, tem de conhecer, porque o Grande Irmão está lhe observando.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Glossário Orestes - A, B e C

A
Abafar vt. Grande intuito da imprensa, dos poderes Lesgilativo, Executivo e Judiciário.
Álcool sm. Produto químico consumido excessivamente, principalmente por políticos, artistas, advogados e grandes empresários.
Arte sf. Produto do artista, em sua maioria sem qualidades significativas.
Artista sm. 1. Profissão rentável somente para parentes, amigos e amantes de políticos ou grandes empresários. 2. Aquele que faz arte ou que apenas tenta e adota a titulação. 3. Embusteiro.
Atraso sm. Situação do Brasil e de outros países subdesenvolvidos fomentada perpetuamente por seus governos.

B
Bajular vt. Necessário nas grandes organizações e órgãos públicos para se alcançar a ascensão profissional.
Bispo sm. 1. Cargo eclesiasta praticante da devassidão e de grande remuneração. 2. Grande mentiroso.
Bosta sf. 1. Programação de rádio e televisão. 2. Gosto e cultura popular brasileira. 3. Condição salarial do trabalhador, do ensino público, da saúde e da política brasileira. 4. Conteúdo de revistas e jornais.
Brasileiro adj. 1. Natural do Brasil e desgraçado pela natalidade. 2. Idiota, comodista, eterno doutrinado pelo Estados Unidos da América.
Burguesia sf. Classe social de vagabundos com grande poder aquisitivo.

C
Cacete (ê) sm. Instrumento de trabalho da polícia muito utilizado para conter passeatas e manifestações populares.
Canalha sf. Característica do político, do advogado e do grande empresário.
Computador sm. Aparelho muito útil para resolver problemas que não tínhamos antes.
Constituição sf. 1. Ato ou efeito de constituir, inexistente como caráter filosófico do brasileiro. 2. Lei fundamental dum Estado poética, mas totalmente utópica.
Credo sm. 1. Originada do latim (creio), através dele se alcança o efeito placebo na grande população. 2. interj. Dita pelo trabalhador ao receber seu contra cheque.
Crucifixo sm. Imagem de um fanático pregado à cruz, adorada por milhões de imbecis.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Heavy Metal

Final da década de 70 surgiu nos Estados Unidos, uma revista em quadrinhos que é, até hoje considerada por muitos, como a melhor do mundo já publicada.  Heavy Metal era uma revista em edição cara, com formato grande, boa impressão e páginas coloridas.  Eclética em seu conteúdo, visava a ficção científica, mas abordava temas medievais, humor negro, fábulas de terror e aventuras fantásticas diversas.  Dentre os autores, nomes como Moebius, Simon Bisley, Paolo Eleuteri Serpieri e outros.  Por incrível que pareça, a revista teve edição brasileira numa editora homônima à revista, exclusiva para esse lançamento e outros álbuns esporádicos com o mesmo padrão.
No ano de 1981 é produzido pela Columbia Pictures um desenho animado longa metragem (produção americana e canadense de 95 minutos) baseado na revista.  A direção do filme Heavy Metal, ficou na responsabilidade de Gerald Potterton que contou com uma ótima trilha sonora de gigantes como Black Sabbath, Devo, Grand Funk Railroad, Blue Oyster Cult, Cheap Trick, Nazareth e muitos outros.  O resultado gerou três prêmios Genie Awards: Best Sound, Best Sound Edition e Golden Reel Award.
O roteiro foi uma produção coletiva de 9 profissionais da área.  E com tanta gente assim não poderia sair coisa ruim.  Num planeta Terra futurista, mais precisamente o ano de 2023, uma esfera com a característica divina de onipotência, narra para uma criança a sua trajetória pelo universo e como a sua presença acarretava na violência e na destruição, em qualquer lugar que estivesse.  Batalhas, nudez, violência, sexo, high technology, drogas e outras coisas mais, estão explícitas ou implícitas na aventura que tem uma boa narrativa e final surpreendente.  Nos extras há várias imagens dos bonitos desenhos iniciais e de cenas que não foram utilizadas no produto final.  No ano de 2000, foi produzido um segundo filme desenho animado chamado Heavy Metal 2000, mas com animação, roteiro e produção muito inferior ao primeiro.
Disponível a venda pela Internet com legendas em português.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Animatrix Trailer

                 Já fiz uma resenha aqui de Animatrix, pra quem não conhece essa maravilha da animação adulta, vale a pena conferir. Muito bem feito, roteiros inteligentes, direção dinâmica e bem mais violento do que a trilogia Matrix. Confira o trailer.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Campanha "Não Deixe Mário Orestes Parar"

Vivemos uma crise generalizada.  Mais ainda pelas consequências catastróficas das mudanças climáticas.  Contudo, é no aspecto financeiro que Mário Orestes encontra-se desgraçado.  Devido a sua idade estar fora do padrão de contratação demandada pelo mercado de trabalho em sua área (Administração), não há perspectiva de contratação, senão a realizada por indicação.  Porém, Orestes não está parado (por enquanto).  Presta serviço voluntário em 5 grupos distintos (dentre ambientalistas, naturistas, artistas e outros), administra 3 blogs (sendo 2 com postagens diárias), possui 6 contas de e-mails, participa de 3 mailists, realiza suas próprias tarefas domésticas, estuda pra concursos públicos e o pouco tempo restante (pouquíssimo mesmo) dedica a sua namorada, família e lazer.  Isso tudo não é fácil quando não se tem uma fonte de renda mensal ou alguma atividade remunerada.  Portanto, não falta muito pra que parte dessas atividades sejam interrompidas.  As primeiras deverão ser as virtuais.  Lembrando de um momento em que a banda Ramones passou por dificuldades e lançou a campanha “Live Ramones”, Mário Orestes usa a mesma idéia e lança a campanha “Não Deixe Mário Orestes Parar”.  Qualquer quantia doada será recebida de bom grado e ajudará significativamente.  As doações devem ser dirigidas para a Caixa Econômica, agência 2897, Conta Poupança 10147-3.  Estas informações estarão, de vez em quando sendo divulgadas em outros comunicados como este, e dispostas num banner permanente na lateral à direita deste blog.
Seja solidário, participe da campanha e colabore com esta figura única na cidade de Manaus.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Barulho - Uma Viagem Pelo Underground Do Rock Americano

Comecinho dos anos 90.  Totalmente sem dinheiro, o jornalista André Barcinski, novaiorquino nacionalizado brasileiro, segue para as estradas dos Estados Unidos, apenas com o patrocínio que lhe rendeu vários filmes fotográficos e muitos contatos de bandas.  O intuito era entrevistar o máximo de artistas possível, registrar todos os eventos e entrevistas que conseguir.  E conseguiu.  O resultado é “Barulho – Uma Viagem Pelo Underground Do Rock Americano”.
Jello Biafra em seu apartamento faz chamego com seu gato de estimação.  Como sempre muito atualizado nas questões políticas mundiais, solta “alfinetadas” no presidente do Brasil (na época Fernando Collor de Mello), sem perder a conectividade com o meio artístico independente.  A propósito, o seu selo Alternative Tentacles Record, continua sendo referência no meio até hoje.  O registro de seu show não é muito diferente do último feito no Brasil em 2010.  O momento com Al Jourgensen e Paul Barker no estúdio, é regado a muita cocaína.  O show deles (Ministry), registrado por Barcinski, é de uma violência tecnológica tamanha que mais parece um terror sonoro high tech.  A passagem com o The Cramps (saudades de Lux Interior) é totalmente psycho.  Imagine uma apresentação onde a banda promove uma performance digna de músicos doentes mentais, com direito a banho de vinho e pedestais destruídos.  No público, garotas dançando sensualmente em cima das mesas, ambiente enfumaçado e constante chuva de bebida.  Tudo com maquiagem forte e figurino sado masô.  Sem dúvidas o psychobilly é uma das vertentes mais divertidas do rock.  O privilégio de entrevistar Joey Ramone em seu apartamento é um capítulo invejoso.  Todo o carisma deste mito é transcrito e fotografado num deleite para o leitor.  Se na época em que Joey era vivo, essa matéria já era saudosista, imagine ler isso agora.
Os pubs de São Francisco com todo o clima noir underground, as bandas de Seattle que estavam todas vivendo o clímax do grunge e o hard core de Nova Iorque, encontram-se todos muito bem retratados neste livro.  Além do bom texto que consegue ser imparcial, as muitas fotos de shows, bastidores, entrevistas e discos, nos provam a importância desse trabalho jornalístico profissional com cara de fanzine.  Mais do que uma indicação é uma medicação para os amantes do rock em suas várias ramificações.
Editora Paulicéia; textos e fotos de André Barcinski; São Paulo, 1992; 126 páginas.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Agonia Em Quadrinhos

Como prometido a postagem da história em quadrinhos “Agonia” (publicada originalmente no fanzine Franca Zona n° 3).  Os desenhos ficaram por conta do quadrinheiro João Vicente.  Ainda falta postar apenas mais uma HQ antiga minha (vejam as demais no acervo deste blog).  O problema é que eu não tenho cópias dela.  Farei a postagem assim que conseguir tais cópias.  Apesar desse material ser antigo e de meu tempo estar cada vez mais comprometido, não estou parado na produção.  Já está em fase de finalização mais uma história em quadrinhos de minha autoria, desta vez desenhada pelo perfeccionista Adalberto Bero.  Não só as minhas, mas as produções do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, estão a todo vapor.  Em alguns meses lançaremos a revista Franca Zona1.  Aguardem.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Several - Beyond The Scenes


Lançado no ano de 1999, Beyond The Scenes é o debut de uma grande banda de Manaus.  Hoje em dia com o nome simplificado para apenas Several, na época deste disco chamavam-se Several Skin.  Evidente que a produção do disco realizada pela própria banda, poderia ser bem melhor, principalmente no tocante à arte gráfica.  A ausência de um encarte com letras e fotos da banda transparece um amadorismo que some no apertar do play no aparelho.
A bolachinha abre com “Prosaic Circus” que é uma ótima porrada com tempos e contra tempos que tiram o gás do ouvinte.  Apesar de todos os integrantes serem grandes músicos, o destaque é o baterista Beto Montrezol.  O garoto sem dúvida é bastante influenciado pelo gigante Neil Peart.  A boa pronúncia do inglês do guitarrista vocalista Bruno Prestes dá a impressão tratar-se de uma banda gringa.  Isso também nos faz lembrar que eles já fizeram alguns shows na terra do tio Sam.  8 Seasons Of Coma” engata logo em seguida com um bom riff e mantendo o pique de abertura.  Incrível a sintonia do grupo.  A terceira “Flexible” dá uma quebrada no ritmo e mostra um lado mais “tradicional”, acelerando um pouco no final.  A que vem em seguida “Come Above”, particularmente, tenho como a melhor do álbum.  Riff matador que fica grudado na cabeça do ouvinte.  Vocal enfurecido no refrão que também é grudento.  Excelente jogo de guitarras e perfeita sincronia de backing vocals.  Grande canção que, infelizmente, nunca os vi tocarem ao vivo.  Por incrível que pareça, em seguida vem uma balada.  February” é a clara influência de Red Hot Chilli Peppers.  Os arranjos são refinados exaltando bom gosto na composição.  A sexta faixa é dividida em duas partes.  (I) The Judas Hug (II) Unemployed Porno Star” tem uma introdução com bateria percussiva e levada tranqüila.  Em seguida entra um rockão, que lembra Alice In Chains e sofre variações distintas em seu decorrer até o final.  A próxima “Deeper” está mais para uma vinheta, por tratar-se de uma viajem (no sentido lisérgico mesmo da palavra) de 51 segundo que lembra bem o Nine Inch Nails.  Sweet” deixa mais evidente a influência das bandas de Seattle, mas ainda soa melhor do que a maioria do grunge.  Muppet” confirma a inspiração de Nine Inch Nails com um clima um tanto sombrio.  Kamikaze Love” explora um lado bem técnico da banda e demonstra quão preciso eles são.  Distance” é outra balada, sendo que esta é lindíssima com violões acústicos, percussão e vocal calmo.  Boa pedida para um acampamento ou para uma cama de casal.  Analgesic” é uma curtinha que fecha o disco com mais pitadas do projeto de Trent Reznor com direito a piano e efeito no vocal.
Um álbum como Beyond The Scenes é um bom cartão de apresentação da nata rockeira de Manaus e merece estar na prateleira de qualquer pessoa que escuta música de qualidade.  O segundo disco da SeveralCarma” lançado no ano de 2010, chega a superar este debut na parte técnica da produção, e o que é melhor, vem cantado em português.  Mas isso ficará pra uma próxima resenha.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Front Zine 14

Mais uma vez a morbidez volta a ser característica da arte de Fábio Prestes no centro de um Front Zine.  Desta vez, este número 14, não teve a arte em todo o fundo da página, como fizemos em alguns números anteriores.  Numa exposição itinerante, cheguei a ver uma garota expressar nojo ao ver este trabalho.  Fico imaginando as centenas de pessoas conservadoras que abriam o seu jornal em casa e davam de cara com esse trabalho.
Tenho dois textos de minha autoria publicados neste exemplar.  Um trata-se de uma resenha do filme “The Great Rock ‘N’ Roll Swindle”, já melhor resenhado neste blog (ver arquivo), e outro é uma súmula de um tributo aos Dead Kennedys que eu reproduzo abaixo.



VIRUS 100

Atenção!  Atenção!  Amigos leitores!  O selo independente de Jello Biafra, o Alternative Tentacles Records, fez chegar em nossas mãos uma coletânea intitulada Virus 100.  Mais do que uma simples coletânea, o CD é um tributo ao Dead Kennedys feitas por bandas do calibre de Faith No More, L7, Kramer, Sepultura, Victims Family, Napalm Death e outras.  Nomes famosos à parte, a faixa mais criativa é da banda Nomeansno, que leva a música Forward To Death à capela.  Mojo Nixon & The Toadliquors atacam de rockabilly com The Winnebago WarriorDisponsable Heroes Of Hiphoprisy mistura afro com dance em Califórnia Uber Alles.  O multi instrumentista Kramer mostra uma versão, no mínimo assustadora, de InsightNapalm Death e Sepultura estouram qualquer tímpano com Nazi Punks Fuck Off e Drug Me.  Ao menos uma vez você tem que escutar essa obra de arte.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Especial Moonspell

Formada no ano de 1989 com o nome de Morbid God e com o intuito de tocar black metal, esta importante banda do cenário lusitano, aos pouco foi ganhando respeito em seu país de origem.  Em 1992 após mudar alguns membros de sua formação, o grupo mudou também de nome, adotando definitivamente Moonspell.  No ano seguinte assinam um contrato com uma gravadora francesa e lançam o seu primeiro EPUnder The Moonspell”, depois de já terem lançado disco demo.  Em 1995 mudam de gravadora e lançam, finalmente, o seu primeiro CD intitulado “Wolfheart”.  Neste primeiro disco, vem também a mudança de estilo.  Migram para o chamado gothic metal, alcançando assim notoriedade internacional.  O disco do ano seguinte “Irreligious” possui o maior hit da banda “Opium”, que foi escrito inspirado no poema “Opiário” de Fernando Pessoa, que assinou com o pseudônimo de Álvaro de Campos.  Em 1998 conseguem experimentar elementos da música eletrônica no ótimo disco “Sin/Pecado”.  Não satisfeitos com a mistura de eletrônico/gothic e black metal, levam a fórmula ao extremo no disco de 1999 chamado “Butterfly Effect”.  Em 2001 abandonam o experimentalismo e voltam para o gothic metal no disco “Darkness And Hope”.  Porém, foi com o álbum “The Antidote” de 2003 que mostram uma excelência inigualável neste estilo que lhes consagrou.  Em 2006 conseguem o inesperado.  Entrar para as paradas de sucesso em Portugal com o disco “Memorial”.  Devido ao enorme sucesso deste disco, ganham o MTV Europe Music Award como The Best Portuguese Act.  No ano seguinte voltam às origens regravando músicas do início de carreira no álbum “Under Satanae”.  O último disco é do ano de 2008 e se chama “Night Eternal”, estando a banda em atividade até hoje.
A maior qualidade do Moonspell, certamente é o lirismo da literatura portuguesa explícita em muitas letras de músicas e em parte dos arranjos que, vez ou outra, trazem instrumentos da cultura lusitana.  Apesar de cantarem em inglês, algumas músicas foram gravadas cantadas em português, dando assim, um ar mais poético e original em suas canções.
Em homenagem a essa grande banda portuguesa que o programa Vertical Classic Rock faz o especial Moonspell.  Dia 29 de janeiro das 14:00 as 16:00 (horário Manaus) na rádio Vertical, com direção e apresentação de Mário Orestes.  Para escutar o programa, basta acessar o site (http://www.radiovertical.com/).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Formado Em Medicina

Foragido de presídio.
Só dormia em cemitérios.
Se olhar bem nos seus cílios
Vai parar no necrotério.

Tomava restos de copos.
Manipulava a ciência,
Dissecação de corpos.
Disso tinha consciência.

A noite é sua amante.
Dia também é errante.
Sangue coagulante.
Seu prazer delirante.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Phodas-C 0

O “Phodas-C” n° 0 foi o primeiro número lançado deste polêmico fanzine, que eu e Adelino Lobato fazíamos no Clube Dos Quadrinheiros De Manaus.  Este número em específico, pelo fato de ser o primeiro, não é tão “pesado” quanto os demais que vieram a seguir.  Também não vinha com os brindes que posteriormente adotaríamos, de modo pioneiro no seguimento em Manaus.  Porém, já havíamos decretado a filosofia punk destrutiva do zine.  Abaixo disponível capa e contra capa de minha autoria.  Aconselho aqueles que ainda não sabem do que se trata, olharem o arquivo deste blog.  Há postagens mais explicativas sobre este tão comentado fanzine na época de seu lançamento.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Manutenção De Algumas Coleções

Cuidado é essencial no tocante a manutenção de coleções.  Como algumas pessoas conseguem manter itens considerados obsoletos e faltam orientações especialistas a respeito, segue abaixo algumas dicas de conservação.


REVISTAS EM QUADRINHOS
Diferente da armazenagem feita pela maioria, devem ser guardadas na posição vertical, exatamente como livros.  Caixas de papelão devem ser cortadas pela metade (ou um pouco acima da metade), para melhor apoio dos itens em seu interior no mais vertical possível.  Atine para que a largura da revista se adapte no melhor encaixe possível.  Aquelas que possuem grampos de ferro (que prendem as páginas), devem ter esses “pequenos problemas” substituídos por grampos de alumínio, evitando assim ferrugem que danifica o papel, com o passar do tempo.  Limpeza se resume em tirar a poeira, no mínimo, duas vezes por semana.

POSTERS
O ideal é enquadrá-los, mas como se trata de um processo caro que pode demandar um certo tempo a ser feito com todos os itens de uma coleção, guarde-os sempre sem dobrá-los.  Até mesmo aqueles que foram vendidos dobrados (como os distribuídos em bancas de revistas), abra-os e armazene abertos e amontoados em pilhas horizontais mesmo.  Pode ser utilizado também um artefato como os descansos de revistas de recepção de consultórios médicos.  Mas devido ao tamanho dos posters, um personalizado precisará ser produzido.  Evite lugares úmidos e raios solares em cima do monte.  A limpeza também se resume em tirar a poeira duas vezes por semana.

DISCOS EM VINIL
Nunca guarde-os na horizontal.  Mantenha-os o mais verticalmente possível.  Isso impede que o produto venha envergar-se.  Conserve os plásticos internos e externos, sendo os internos mantidos com a “boca” pra dentro da capa, evitando que o vinil tenha contato com poeira.  Nunca coloque os dedos na área dos sulcos do vinil.  Esqueça o que dos DJs fazem.  Sempre segure-os pelas bordas e pelo selo central.  Lave-os com água fria (de uma torneira) e sabão neutro, esfregando em movimentos circulares com as pontas dos dedos, fazendo muita espuma, depois enxágüe bastante sem deixar resíduos de sabão.  Nunca use esponjas ou flanelas.  Deixe-os secar naturalmente.  Tanto limpeza quanto armazenagem, longe de luz do sol e umidade.
 
FITAS K7
Guarde sempre dentro das caixinhas que devem ser armazenadas na posição vertical.  Mantenha sempre a fita rebobinada, pois a parte à mostra está sujeita a qualquer tipo de desmagnetização.  O carretel com a fita deve estar sempre na parte de baixo dentro da caixinha.  Mantendo sempre dentro das caixas, a limpeza se resumirá a tirar a poeira de cima das caixas.  Luz solar e umidade, jamais.

FITAS VHS
Basicamente os mesmos cuidados para as fitas K7.  Atente para usar sempre o cabeçote do aparelho (tanto do vídeo cassete quanto do toca fitas) limpo.  A limpeza desses cabeçotes pode ser feita com cotonetes seco ou pano de algodão seco.  Evite álcool e outros produtos químicos.

Com essas dicas básicas, você poderá manter uma boa coleção por décadas.  Uma ótima recomendação também é digitalizar o acervo com o passar do tempo, se possível com compartilhamento para o maior número de pessoas possível.  Deste modo, se você perder um item, terá como fazer uma outra cópia.  Manter uma coleção não é só a exaltação de um fanatismo, mas sim relevar a memória cultural em caráter de catálogo, obtendo assim referência de conhecimento.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cortina De Fumaça - Trailer Oficial

Não posso falar nada a respeito do documentário do trailer abaixo, por ainda não o ter assistido. Irão completar 4 anos que não fumo maconha, sem nenhum interesse em voltar a fumar. Porém, continuo totalmente a favor da descriminalização da maldita. O referido longa metragem colhe depoimentos de celebridades, artistas, intelectuais, especialistas, cientistas e outros que afirmam a importância desta descriminalização como fator redutor da mortandade e impulsor da economia.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ilustração Para Agonia

O lindo desenho abaixo é de autoria de minha amiga Nara (juro não lembrar do sobrenome dela).  Ela o fez para ilustrar minha odiada história “Agonia” e foi publicada no fanzineFranca Zona” n° 9, em julho de 1997, junto com o conto.  Já postei aqui esta história em forma de prosa e em breve postarei em forma de história em quadrinhos.  Verifiquem o arquivo do blog pra entenderem o porque da raiva que tenho do conto, apesar de ser uma bela fábula.  Quanto a Nara, o que ela faz com uma simples caneta Faber Fix, muito marmanjo que se diz profissional, não faz nem com computação gráfica.  Lembro que todos ficavam babando, quando ela levava os desenhos dela nas reuniões do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus.  Imagino que agora ela esteja bem mais técnica e perfeccionista.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Entrevista Com A Banda Soda Billy

Banda manauara com estilo peculiar.  Rock and roll básico, mas com forte influência de surf music, jazz, soul, blues e afins, a Soda Billy acaba de lançar seu primeiro CD.  Sem medo nenhum de explorar elementos das big bands, um naipe de metais consta em quase todas as apresentações.  Bom gosto pode ser o resumo para uma súmula resenha do som.  Abaixo, uma entrevista cedida gentilmente por Matheus Gondim (guitarrista vocalista da banda).
 
Orestes: Quando e como surgiu a Soda Billy?
Matheus Gondim: Em meados de 2003, quando começamos a tocar com o nome de Soda Billy, antes disso (fase pré-natal) chamava-se "Betty Rocker" numa alusão à musa dos anos 50 e ícone pin up Bettie Page, chegamos a fazer alguns shows com esse nome.  A idéia era montar uma banda que tocasse rock n roll, rockabilly, surf music e blues para agitar nas noites fazendo o povo dançar.  Isso foi obtido de certa forma e foi nessa época inicial que surgiu a musica "Surfando No Igarapé Do 40" que é basicamente um riff de guitarra de rock n roll e surf music.  Queríamos uma banda de rock n roll anos 50 sem "xorumelas", sem aquela coisa saudosa de "éramos todos jovens", uma referência muito boa pra gente nessa época foi a banda texana Reverend Horton Heat, que fazia um som mais pesado que o Stray Cats, mas mantendo as  fortes influências do old rockabilly (alguns os classificam como uma banda de psychobilly, mas há controvérsias), então pensamos que era possivel uma banda de rock n roll clássico soar como atual e se manter contemporânea.
Nessa época eu não sabia o significado do conceito "vintage" e que me ajudou muito a explicar o porquê da Soda Billy, pois vintage é aquilo que não fica ultrapassado.  É velho, mas é atual e se faz presente na cultura tal como tênis "All Star", o "Fusca", o próprio futebol é vintage (tirando alguns jogadores mercenários e toda essa podridão que é a FIFA), pois é um esporte que ganhou popularidade no pós-guerra, justamente nos 50 e hoje esta mais vivo que nunca.  Há varias coisas "vintage" presentes na cena contemporânea, se você for observar na moda, na arquitetura, na cultura, culinária, na política e até na medicina, onde alguns parâmetros que norteiam procedimentos médicos como transfusão de sangue e usos de drogas como morfina são também oriundos do pós-guerra.  A Soda é isso.  Uma forma de apresentar às novas gerações elementos musicais ainda vivos que são a base que conhecemos hoje, do pop ao metal.
Muita gente pensa que o rock surgiu com os Beatles, muita gente pensa que o metal veio do nada com o Black Sabbath, muita gente pensa que Lady Gaga veio da Madonna e que essa veio da disco music anos 70, esquecem que Beatles ouviam Buddy Holy e Everly Brothers, que Black Sabbath chegou a gravar Carl Perkins (Blue Suede Shoes) e que essas duas nem o Michael Jackson não existiriam se não houvesse uma gravadora negra chamada Motown que  absorveu todos os artistas de soul music e doo wop remanescentes dos anos 50 e primeira metade dos anos 60.  A Soda tenta, dentro do possível contribuir musicalmente com essas informações em suas apresentações pra romper com elos da desinformação que ainda é muito presente.

O:Soda Billyé alguma bebida patenteada ou um nome divertido que exprime a cultura rocker?
MG: O nome veio de uma idéia contrária a de que "nome de banda tem que trazer uma mensagem".  Na época pensamos em algo que não significasse absolutamente nada, mas que soasse legal.  A rigor deveria se chamar Soda Blues, mas isso iria fechar ao invés de abrir nossas possibilidades musicais. Sempre tive e sempre terei respeito ao blues, já que minha formação musical passa toda por ele, mas definitivamente não me interessava em fazer uma banda só de blues.  Contudo, as pessoas sempre perguntavam: o que é Soda Billy?  Bem, dessa ampla possibilidade musical vintage que optamos acabou surgindo o significado-resposta pro nome Soda Billy, pois, assim como um drink é formado pela combinação de alguns ingredientes.  Pensamos que Soda Billy poderia ser um drink formado por blues, rockabilly, jazz, surf rock, rock n roll, latin, etc.  Então Soda Billy não é um refrigerante novo como perguntam pra mim, por aí quando vêem minha kombi preta pelas ruas com o logo da banda, que é um copo com um liquido.  E sim uma banda com conteúdo de várias vertentes musicais que não são peças de museu.

O: Qual a atual formação da banda?
MG: A banda está com 7 integrantes: eu na guitarra e vocal, o Ricardo Peixoto no baixo, o Igor Saunier na batera, Daniel Jander no sax, Neoverton Rodrigues no trombone, Vanei Valois no trompete e Kamila Guedes no vocal.  Mas de certa forma todos que participaram da banda fazem parte de uma família chamada Soda Billy.

O: Vocês acabaram de lançar um CD.  Como foi o processo de produção e gravação?
MG: A parte da gravação foi tranquila, com dificuldades básicas enfrentadas por todos em estúdios, mas a atuação do Roberto Montrezol foi definitiva pra fazermos algo bom, sobretudo em relação aos timbres e afins.  A mixagem também foi show de bola.  O problema maior ficou na masterização e, sobretudo, na prensagem, pois envolveu uma parte burocrática cujo nosso conhecimento era zero, isso fez atrasar muito o lançamento.  Uma coisa que eu não posso deixar de falar é que o nosso CD não foi só fruto do trabalho da banda e sim de vários amigos como Deco Salgado (design) e Eric Quesado (fotos) além do próprio Beto que, além de curtirem nosso som, nos deram essa força.  Isso sem contar com o patrocinadores: All Night, Chefão, Vicaz, Estúdio de Fotografia Daniel Cruz e Cultura Inglesa.  Foi um trabalho conjunto.

O: Qual a receptividade que o disco está tendo e o que esperam dele?
MG: Estamos recebendo muitos elogios com esse trabalho e no geral está tendo uma boa saída nas lojas disponíveis (Saraiva e Bemol).  Esperamos que do reconhecimento do nosso trabalho, surjam convites para nos apresentarmos em outros estados ou, quem sabe, em países vizinhos.  Acredito que isso irá ocorrer ao longo desse ano.

O: Além do CD, a banda está lançando uma série de outros souvenirs pra venda.  Fale um pouco sobre isso.
MG: Sim, isso é uma idéia antiga.  O logo da banda (criado por Alírio Castro, ex-baixista da banda em seu início) é show de bola.  Logo surgiram idéias de transformá-los em itens para nossos fãs.  Por isso fizemos um numero limitado de  chaveiros, bottons, adesivos, camisas e canetas.  Que estão disponíveis na forma de kits, mas em breve essas peças poderão ser compradas individualmente a preços bem acessíveis.

O: A Soda Billy é basicamente uma banda de rock and roll, mas com influências de jazz, blues, surf music e outros estilos afins.  Há público pra esses estilos em Manaus, ou ainda está em processo de formação?
MG: A palavra "responsabilidade" soa pesada em nossa consciência.  Sempre parece mais um "fardo" do que algo prazeroso.  Mas no nosso caso trouxemos para si a responsabilidade de, sem apoio direto do Estado, promover uma mudança do cenário cultural da cidade pelo menos naquilo que está ao nosso alcance.  Hoje em Manaus, ainda mais com esse lance de Copa, você tem em toda esquina um discurso que nos coloca como metrópole, como uma cidade cosmopolita.  Bem, eu discordo disso enquanto não houver uma mudança na cultura também.  Não adianta uma cidade cheia de shoppings, viadutos, metrôs de superfície e prédios se a cultura continuar provinciana, pois você tem forró em Manaus de segunda à segunda e isso limita as possibilidades de uma metrópole, pois, ao meu ver, uma metrópole deve oferecer não só forró e brega, mas jazz, música latina, dance, rock (muito rock e de vários estilos. risos), blues, metal, música erudita etc.
Há muita coisa sendo criada aqui.  Temos ótimos intelectuais, ótimos escritores, um dos maiores matemáticos do mundo é comedor de jaraqui (risos), o Dr. Renato Tribuzzi, temos ótimas bandas, nossa culinária é bem rica, nosso pólo industrial ainda é um pólo mais de montagem do que de criação, mas isso pode mudar se houver interesse político.  Enfim, Manaus precisa dar um salto de mentalidade e para isso não precisamos de uma "Revolução", mas talvez de pequenas revoluções e hoje há vários meios pra isso, e respondendo sua pergunta, hoje há sim público pra tudo em Manaus, e ficamos orgulhosos de saber que a nossa parte está sendo feita e já mostrando tímidos resultados, pois eu soube recentemente, que já existe um público bem jovem sabendo da nossa existência e curtindo nossa música.  Ou seja, jovens na faixa dos quinze que, além de Restart, ouvem também Soda Billy.

O: As covers sempre foram um ponto forte nos shows da Soda Billy e colocam o público pra dançar.  Vocês estão tendo a mesma reação com as músicas próprias ou isso é um fator que dependerá de mais tempo de divulgação do CD?
MG: Sim, músicas como "Vou Pegar Aline", "Surfando No Igarapé Do 40" e "Go To The Boogie" têm agitado sempre nos shows.  Lembrando que nossos covers não são nunca meros covers.  Sempre tentamos fazer releituras das músicas que tocamos de outros artistas.  Raramente tiramos uma música de alguém igualzinho como está no CD, isso nos possibilita interpretar a música do nosso jeito, ao nosso estilo.  Mais ou menos como as versões da Mona Lisa que fizeram Andy Warhol e Botero.

O: Esta pergunta eu faço pra toda banda manauara que eu entrevisto:  O que falta para o rock local ganhar projeção nacional, visto que aqui há tantas bandas de qualidade?
MG: A mesma coisa que falta não só para o rock, mas para a poesia, para a arquitetura, para a gastronomia, para as ciências e por aí vai: uma mudança de mentalidade, que incluiria, entre outras coisas, com a ruptura desses estereótipos do "regional exótico" que nos faz tanto mal, desse museu anacrônico que é coisa pra turista ver.  Me refiro a essa mentalidade turística que fica presa entre a La Bella Époque e o exótico do caboclo, cujo  próprio caboclo não aguenta mais e, por fim, dessa idéia de quintal de mundo, onde nada é produzido.  Tudo é implantado aqui vindo de fora ou extraído daqui naturalmente.
Há coisas sendo produzidas aqui sim.  Há muita gente criativa (outro dia eu provei um sushi feito com ingredientes da região, feito por um sushi man daqui, um sabor único no mundo, não é mesmo?).  Mas enquanto houver uma mentalidade hegemônica negando constantemente isso, vamos ficar renegados a essa condição periférica.
No caso especifico do rock, bastava algum empresário da noite investir (de forma planejada) em bandas locais com seus trabalhos próprios, pois há um enorme público carente de bandas com músicas próprias.  Ao passo que o mercado de bares covers está saturado, pelo menos em Manaus.

O: Deixe os contatos da banda e um recado final para nossos leitores.
MG: Nossos contatos estão todos disponíveis no site www.sodabilly.com. Agradeço a atenção e o espaço para divulgação de nossa música e de nossas idéias aqui neste blog.  Esperamos que o leitor goste do nosso trabalho musical e ajude a divulgá-lo.  Isso irá contribuir não só conosco, mas também com a cena cultural de nossa cidade.  Abraços e let´s rock!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cartaz Do Zeitgeist - Moving Forward

Abaixo segue, em primeira mão, a divulgação do pôster do terceiro filme do Zeitgeist, “Zeitgeist – Moving Forward”.  Este longa metragem tem estréia simultânea nacional e internacional nesta semana.  Em breve teremos as primeiras cópias legendadas chegando aqui por Manaus.  Por ser um filme totalmente independente, ainda não há planejamento para exibições nos cinemas manauras, mas estamos verificando nossos contatos.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Primeira Banda Manauara A Fazer O Público Cantar

Resenhar uma banda conterrânea não é tão difícil.  O problema é manter-se imparcial quando há amigos pessoais dentre os músicos.  Mais ainda quando o carisma tem reconhecimento unânime.  A Espantalho conseguiu algo que nenhuma outra banda conseguiu em Manaus.  Fazer o público cantar em coro, senão todas, mas a maioria das músicas.  O que é melhor, músicas próprias.  Eis que no ano de 2003 eles conseguem lançar o único CD deles, até então.  O homônimo trabalho pode não ter a produção merecida e que sempre faz falta no disco de estréia de um grupo musical, mas a qualidade das composições não deixa nada a dever para os grandes nomes do rock nacional.
Colar De Estrelas” abre a bolachinha com um bom pique e um astral muito elevado.  A letra poética evidencia o acentuado teor artístico nas inspirações das composições.  “Desde o Berço” é a segunda, e deixa claro a qualidade que será mantida no restante das músicas.  Esta canção não era muito notada pelo público, mas hoje é uma das mais pedidas nos shows.  Em terceiro lugar vem o primeiro hit da banda “Red”.  Acompanha o grupo desde o início e já virou até cover tocada pela conceituada “Several”.  A letra depressiva mostra a influência do grunge.  Em seguida vem “O Extraordinário”.  Outra com um bom astral.  A falta de interpretação pode acusar de pessimismo a letra, mas no fundo ela é extremamente incentivadora para a auto superação.  “Qual É” é a próxima, que também tornou-se um hit e sua letra ganha até mesmo outras gerações que não curtem rock.  “Patchulí” vem em sequência e é a melhor do disco.  Uma pérola do rock manauara.  Incrível o nível poético dela.  O andamento, a letra inteligente a linda vocalização.  Enfim, um conjunto de sutilezas que mostram o grande momento de inspiração desta composição.  “Amanhecer Dirigindo” é o maior hit da banda.  Uma balada com uma letra onde a identificação com muitas pessoas é direta.  Cantada praticamente em uníssono nos shows, já foi usada até como fundo de propaganda de televisão.  “Balas De Titânio” é a mais fraca do disco e nem por isso deixa de ser uma grande música.  Letra pacifista.  “Lágrimas Das Nuvens” foi escrita como um tributo a uma amiga nossa que se foi deixando um amigo viúvo e uma linda filha.  Belíssima balada que chega a molhar os olhos de quem conheceu o eterno bom humor da amiga homenageada.  “Overdrive” fecha o CD sendo a única cantada em inglês.  Bom exemplo de uma música lado B.  Desprezada por ser em outro idioma que não é cantado pelo público, mas ganha o gosto daqueles que sabem reconhecer uma boa canção.  Mostra a forte influência de Alice In Chains.
Em suma, um disco que representa muito bem o melhor do rock nortista e pode deixar impressionado aquele que subestima o que pode ser criado por aqui.  No mínimo uma audição obrigatória para quem deseja conhecer a nata de nossa criatividade rockeira.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Front Zine 13

De todos os “Front Zines” lançados, este número 13 é o que tem maior participação de minha parte.  Dos 6 textos compostos, 3 são de minha autoria, sendo que éramos 5 artistas realizando esse trabalho coletivo semanal.  Abaixo eu reproduzirei apenas um, que é uma curta resenha de um disco da banda Garotos Podres.  Pois, os outros serão refeitos com mais detalhes e melhor elaboração para, em breve, serem postadas neste blog.



CANÇÕES PARA NINAR

Terceiro e melhor disco dos Garotos Podres, que depois de conquistarem o horário nobre do Jô Soares e a conceituada crônica de Elio Gaspari (verdade!), chegam conquistando o mercado externo (dez entre dez punks portugueses preferem Garotos Podres à excelente banda portuguesa Mata Ratos).  Produzido por Roger Rocha Moreira (Ultraje a Rigor), “Canções Para Ninar” é porrada do começo ao fim.  As letras continuam inteligentes e diretas.  Destaque do CD é que, além das nove faixas inéditas, vem como bônus “Johnny”, “Anarquia” e “Papai Noel”, as melhores do primeiro disco.  Parabéns à Rotten.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Carl Sagan

Maior astrônomo que já existiu na contemporaneidade, este americano novaiorquino nascido em 1934, faleceu de um raro caso de câncer na medula óssea em 1996.  Prestou consultoria pra NASA e foi o principal fundador do programa SETI (Busca De Inteligência Extra Terrestre), que chegou a fechar por um tempo, devido ao corte de recursos, mas já voltou às atividades.  Apesar de ter trabalhos técnicos científicos, alcançou muita popularidade e ganhou inúmeros prêmios, medalhas, títulos honorários e homenagens por conseguir explicar a complexidade científica com um linguajar simplesmente popular e acessível para todos.  Tal linguajar acessível cativava o interesse geral para a ciência com toda a didática necessária para o aprendizado.  A seguir farei uma breve síntese dos cinco livros, que tive a sorte de ler, desse magnífico exemplo de inteligência humana.
Cosmos” de 1980.  Impressão de luxo com formato grande, capa dura e miolo em papel coche colorido, aborda os principais temas componentes do universo como um todo.  Pode até ser confundido com um Atlas, mas é bem melhor.  As muitas e belas ilustrações abrilhantam mais ainda o livro.  A “cereja do bolo” pode-se dizer que são as projeções (sempre com respaldo especulativo científico) das vidas extraterrestres.  Nada a ver com homenzinhos verdes.  O livro rendeu um seriado pra televisão, curiosamente exibido no Brasil, que originou a popularidade de Carl Sagan e deixou o público em geral mais próximo da ciência.  Recomendo a série em DVD (5 discos no total) que vem com vários extras e com muitas notas de atualizações.  Tudo feito pelo próprio autor.
Contato” de 1985.  Única ficção científica escrita por Sagan.  Foi o romance com o maior número de informações científicas verídicas que li em minha vida.  São mais de 400 páginas que passam com a naturalidade de uma história envolvente e criativa.  Anos depois de seu lançamento, “Contato” virou produção hollywoodiana estrelada por Jodie Foster e dirigido por Robert Zemeckis.  Apesar de ser um bom filme, não chega nem aos pés do livro (como sempre).  Sagan morreu durante a produção do longa metragem e infelizmente não viu seu trabalho adaptado para os cinemas.
Sombras De Antepassados Esquecidos – A Procura Por Quem Nós Somos” de 1993.  Obra não lançada no Brasil.  O começo do livro chega a ser um pouco entediante por ter uma abordagem um tanto técnica, principalmente no tocante a genética, DNA, bioquímica e outras coisas do tipo que não prendem muito a atenção do leigo.  Contudo, essa introdução se faz necessária para explanação mais respaldada do legado humano.  Antes da metade do livro, o carisma do autor na arte do ensino literário deslancha e muitos temas são envolvidos e relacionados com o contexto geral.
O Mundo Assombrado Pelos Demônios – A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro” de 1996.  Esse livro deveria ser obrigatório em todos os cursos de universidades.  O intuito principal é desmistificar toda ficção exaltada como realidade num abranger extremamente eclético.  De lendas urbanas e acadêmicas ao comportamento humano sobre os assuntos, e as histórias do seriado “Arquivo – X”, os esclarecimentos vão abrindo o leque de percepção do leitor, que termina o livro com uma sensação de alívio, por saber que há um intelecto seguro dissertativo de temas que nos são comuns, mas que fogem de nossa explicação devido nossa ausência de cientificismo, ou simplesmente desleixo na falta de comprometimento no aprofundamento demandado para o exato comprovado.  448 páginas que terminam com o gostinho de “quero mais”.
Bilhões e Bilhões – Reflexões Sobre a Vida e a Morte Na Dobra Do Milênio” de 1997.  Livro que segue o mesmo lineamento de “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”.  Póstumo, sendo que alguns capítulos, Sagan escreveu no próprio leito de hospital.  Com a colaboração (não estreante, diga-se de passagem) de sua viúva, Ann Druyan.
Com escritos que abrem a mente do leitor, Carl Sagan foi um cientista querido pelos órgãos profissionais do ramo, pelas academias, pela mídia e principalmente pelo público formado por estudantes, pesquisadores, escritores (Isaac Asimov era um que não poupava elogios à Sagan), jornalistas e até crianças.  Busque conhecer esse nome e seus trabalhos que beiram o fantástico sem perder a humildade.  Certamente você terá algo a aprender.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Onde Encontraremos O Sentido?

No prazer do amor
No sopro do furacão
Na bala enterrada no peito
No rufar dos tambores indígenas
Na pureza da inocência
No pólen da rosa negra
No aroma do sangue coagulado

No meio de uma aurora boreal
Nas galáxias mais distantes
Na lágrima de uma criança
Na cor dos raios solares
Na vida que já se foi
No fio da teia de aranha.

Na força do ódio
No vôo da gaivota
No gosto da vingança
No auge da agonia
Nas asas do Ícaro.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Nietzsche

Nascido na Alemanha em 1844 e falecido 55 anos mais tarde, Friedrich Wilhelm Nietzsche foi o mais clássico dos filólogos e um dos mais controversos filósofos que o mundo já conheceu.  Aos 24 anos de idade já exercia a profissão de professor universitário em Filologia.  Essa sua grande vocação está explícita em muitas de suas obras que abordam, dentre outras coisas, o auto enaltecimento germânico.  Este, por sinal, foi o resquício mais usado pelos nazistas que abordaram demagogicamente Nietzsche, visto que este era um anti semita e pregador de uma superioridade além do homem com a disciplina austera da ultra intelectualidade.  A maior parte de seu legado está na forma de aforismos cheios de máximas, mas ainda há muitos escritos inéditos, correspondências e poemas do autor.
A complexidade de seus textos reflete-se na eterna confusão e incompreensão de seus críticos e seus leitores estudiosos.  Erroneamente dito como niilista, na verdade, Nietzsche era um otimista ao falar na tese do “eterno retorno” que o ser deveria aspirar um estágio espiritual elevado a ponto de considerar-se o super-homem.  Tal estado de nirvana, ainda hoje é difícil de ser imaginado, com o desapego ao budismo e principalmente ao cristianismo.  Ateu convicto, ganhou fama (ou infâmia) ao declarar que Deus estava morto, e morto por nós mesmo.  Em seu livro “O Anticristo”, deixa claro que não era contra Cristo, mas sim, contra toda a idéia deturpada que foi feita pelo usurpador Paulo de Tarso.  E o único cristão que realmente existiu, foi o próprio Jesus.
Foi amigo pessoal do compositor Richard Wagner, com quem iria romper posteriormente.  Afirmava que só a arte remediava a tolerância à vida e harmonizava o caos formado pela raça humana na natureza e na convivência consigo mesmo.  Teve pouquíssimos amigos em vida ao pregar a inimizade como um orgulho, e conseguia ressentimentos até de seus alunos que o consideravam louco.  Questionava a moral e todos os valores da civilização que estavam corrompidos por uma dissonância naquilo que ele chamava de “máscaras” ostentadas pelos homens.
Alguns de seus trabalhos mais expressivos são: “Assim Falou Zaratustra – Um Livro Para Todos e Para Ninguém”, certamente o seu livro mais famoso; “Ecce Homo” uma auto biografia que tenta expor todo o seu ponto de vista sobre os tratados; o já citado “O Anticristo” que rebaixa o cristianismo à farsa, sem sequer baixar o nível no argumento e “Além Do Bem e Do Mal – Prelúdio a Uma Filosofia Do Futuro”, sua obra mais poética.
Nome obrigatório para o estudo da filosofia, Nietzsche coloca de ponta cabeça qualquer racionalidade imposta para descrever seu pensamento e instiga o intelecto em aprofundar-se mais naquilo que lhe é negado pela própria razão.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Filosofia Do Punk - Mais Do Que Barulho

Esta é uma publicação que prova inquestionavelmente, o quão atrasados estamos no tocante a lançamentos de bons produtos culturais.  Lançado originariamente no ano de 1992 nos Estados Unidos, “A Filosofia Do Punk – Mais Do Que Barulho” foi publicado no Brasil apenas em 2005.  Isso porque uma editora nova se propôs ao empreendimento.  Simplesmente uma vergonha para a cultura bibliográfica brasileira.  Poderíamos divagar sobre todas as obras estrangeiras ainda não lançadas no Brasil, mas daria uma infindável lista que não caberia nesta modesta resenha.
Com linguagem extremamente popular por ter sido escrito por um punk, o livro esclarece didaticamente toda contradição, violência e manifestação dessa tribo urbana muito marginalizada e pouco compreendida, mesmo no século XXI.  A narrativa faz jus ao título do livro, que não se prende no chavão de contar histórias engraçadas com as bandas do estilo.  O foco está em destrinchar de modo explicativo os ideais, as manifestações, as letras das músicas e até mesmo as contravenções feitas pelos punks.  Como a composição é realizada por alguém do meio, a leitura não é chata como o estudo de uma tese acadêmica.  Ao contrário, as muitas fotos, os depoimentos e os exemplos tornam a absorção recreativa sem perder a essência educativa.  O flerte dos skinheads com o nazismo, a onipresente tpm das riot girls e a inevitável proliferação dos grass roots, são alguns dos pontos abordados e disseminados com muita clareza e naturalidade pelo autor.  Aqui também fica mais evidente a maior qualidade do punk, o “do it your self” que ilustrado com fanzines e sonorizados por canções de poucos acordes, serve como incentivo revigorante até para os mais comodistas.  Um único detalhe que não se passa despercebido, é que em nenhum momento no livro é citado o nome dos Ramones.  Fato bem estranho devido à peculiaridade do escritor ser novaiorquino e pertencente à uma banda punk.  Talvez resquício de alguma mágoa pessoal.  Um grande ponto positivo para esse lançamento brasileiro, é o complemento com um glossário, uma discografia e uma ótima bibliografia.  Curiosamente nada disso consta na edição original.
Indicado não só para os amantes do gênero, mas também pra quem tem intenção de entender o mais controverso dos rockeiros, o punk.
Autor: Craig O’Hara; editora: Radical Livros; tradução: Paulo Gonçalves; 200 páginas; São Paulo; 2005.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Akira - Trailer legendado

Já fiz a resenha neste blog deste filme longa metragem em desenho animado, que se tornou uma das maiores referências no estilo. Contudo, ainda há aqueles que não assistiram essa animação para adultos com ótimo roteiro da criação de Katsuhiro Otomo, que também assina a direção da película.
Abaixo o trailer legendado que mostra apenas uma pequena porção da violência, da criatividade fértil e do drama que é Akira.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Animatrix


Todos conhecem a trilogia “Matrix”, marco da ficção científica no cinema de autoria dos irmãos Wachowski.  Mas poucos conhecem “Animatrix”.  Dentre estes, menos ainda assistiram esta verdadeira obra de arte da animação.  São nove episódios (curta metragem) de animes retratando o universo Matrix de modo bem mais sombrio e dezenas de vezes mais violento que a trilogia do cinema.  O curioso é que cada curta é feito num estilo de traço diferente e alguns tiveram participação de criação dos irmãos Wachowski.
O Vôo Final De Osíris” abre o DVD com muito bom gosto.  O estilo hiper realista tem passagens que o telespectador pensa tratar-se de um filme mesmo em vez de um anime.  Feito por quatro membros da equipe que realizou o perfeccionista “Final Fantasy: The Spirits Within”, a história tem um início que mostra um treino de duelo com muita sensualidade e possui um final trágico para o pique heróico que se desenvolve na trama.  “O Segundo Renascer – Parte I e Parte II” são os dois curtas que estão em seguida, e teem um traço mais tradicional.  A violência chega a impressionar prendendo o telespectador ou fazendo-o desligar o vídeo de tão chocante que é a psicologia do filme.  Mostra como foi a ascensão das máquinas sobre o declínio da humanidade.  Uma amiga minha que é psicóloga disse que jamais mostraria isso pra sua filha.  “Era Uma Vez Um Garoto” tem um estilo mais rabiscado como um desenho underground.  Conta a história de um estudante que recebe o convite de Neo para entrar na Matrix.  O próprio Keanu Reeves dubla o seu personagem.  “Um Coração De Soldado” tem o traço mais mangá de todos os curtas, e narra um caso de traição na equipe em prol do amor por uma musa.  “O Recorde Mundial” é o mais estilizado.  Contudo o mais diferenciado no roteiro, que aborda a fronteira descoberta por um corredor entre nosso falso mundo e a Matrix.  “Além Da Realidade” tem um traço bem suave no desenho e conta a prosa de uma garota que encontra, junto com outros garotos, uma falha no sistema nas dependências abandonadas de uma instalação.  Porém, o suporte técnico surge com a brutalidade necessária.  “Uma História De Detetive” tem todo o clima noir demandado.  O protagonista investigador procura por uma suposta hacker criminosa chamada Trinity, mas sem saber da grandiosidade em que está se metendo.  Carrie-Anne Moss dubla sua personagem.  “O Robô Sensível” carrega o traço mais juvenil e fecha a série.  Porém, é a história mais poética e tem o final mais depressivo dentre os demais.
O DVD traz como bônus um extenso makin of que mata curiosidade até de quem não é fã.  Em suma, um vídeo que vale pelo conteúdo mais adulto do que a famosa trilogia, pela criatividade dos roteiros, pela explicação mais detalhada do universo Matrix e pelo lírico teor artístico do conjunto em si.  Disponível pra venda na Internet.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sintoma Invisível

Estava 17 anos trabalhando em pesquisas e testes com diversos tipos de elementos químicos, insumos e fórmulas de protótipos.  Agora parece que ele finalmente conseguira.  A dose dada para o rato cobaia, apenas mais um camundongo dentre as dezenas que ele utilizou nesse tempo, havia feito o mamífero desaparecer, ao menos visualmente.  Porém, ao colocar a mão enluvada dentro da pequena caixa de vidro, pegou o animal e ergueu-o por vários segundos, mas só via a sua mão segurando algo palpável vivo, porém, totalmente transparente.  Olhou para o relógio memorizando a hora em que a droga fizera efeito.
Seu sorriso tornou-se gargalhada.  Teoricamente invisibilidade é algo simples.  Basta que não se reflita a luz que se torna invisível.  O que ninguém havia conseguido, até então, era algo que não refletisse luz.  Até a água límpida e transparente quando sai de uma torneira cria sombra e brilha refletindo a luz.  Agora ele quebrou esse paradigma.  Pensou em tudo que ia usufruir.  Prêmio Nobel da Ciência, sua foto estampada na capa da revista Time com a frase “O homem do ano”, palestra para cientistas ao redor do mundo e milhões de dólares em suas contas bancárias.
Tirou uma amostra de sangue para ver se haveria alguma mudança na composição que aparecera junto com a invisibilidade e colocou o animal de volta à caixa de vidro.  A filmadora dirigida para o recipiente gravava cada momento de todo o processo do efeito.  Voltou para suas anotações e passou a registrar os últimos dados.  Muitos testes ainda deveriam ser feitos com cobaias até se chegar a uma margem de segurança confiável para o teste em humanos.  Após as anotações, abriu uma garrafa de champanhe e brindou consigo mesmo.  Sua comemoração era solitária.  Todos pensavam que ele estudava medicamentos para o tratamento da leucemia em suas horas vagas do laboratório que trabalhava.  Depois iria descansar para retomar o trabalho.
Dois meses mais tarde já tinha a certeza que seria seguro testar a droga em humanos.  Macacos, coelhos, cães e gatos apresentavam o mesmo quadro apresentado com o rato.  Nada de anormal, nada de dor, nenhuma contra indicação.  Somente a invisibilidade vigorava num intervalo de 4 horas em cada animal testado.  Como não possuía assistentes e queria manter o segredo até garantir a patente, dominar cada etapa do processo de desenvolvimento da fórmula, até o término de seu efeito num organismo, seria ele próprio o primeiro humano a tornar-se invisível.
Estava psicologicamente pronto para o teste consigo mesmo. Tirou toda sua roupa, mantendo apenas a cueca, tirou seu relógio de pulso e seu cordão de ouro.  A filmadora ligada registrava tudo.  A dose com dois dedos no copo era a medida certa para o seu peso corporal.  Ingeriu todo o conteúdo em poucos goles.  O gosto era amargo, mas nada que provocasse ânsia.  Sentou na cadeira, voltou sua atenção para suas anotações e esperou.  Iria demorar cerca de 30 minutos para a digestão e o começo do efeito.  Estava ansioso, mas conseguia manter a atenção na leitura.  Era cientista respeitado e conhecido pela paciência e tranqüilidade.  Não seria nada perturbador e tudo estava saindo sem nenhum problema constatado.
Uns 25 minutos depois, começou a sentir sua vista embaçada.  Rapidamente percebeu que não estava mais conseguindo ler.  Ao parar a tentativa de leitura, notou que o sintoma não era somente para leitura.  Tudo estava ficando embaçado.  Virou sua cabeça para o espelho em um dos lados e ainda conseguiu enxergar o seu corpo sentado na cadeira sumindo deixando apenas sua cueca no assento como preenchida por ar como um balão.  A imagem do espelho também não era mais visível.  Nem mais o espelho.  Não sentia nada de anormal em seu corpo, mas também já não enxergava mais nada.  Não era cegueira por uma escuridão, mas sim por um clarear branqueador que lhe tirou toda a visão.  Não via absolutamente nada, mas sem nenhum outro sintoma sentido.  Apalpou vários objetos sobre a mesa, a cueca em seu corpo, seu cabelo, enfim, tudo.  Mas estava completamente cego.  Ao entender que teria de ficar naquela condição por 4 horas, soltou um grito:
- Puta que pariu!