Uma série de televisão pra durar 9 anos, ser premiada várias vezes, ter dois longa metragens pro cinema, alcançar multidões de fãs e ainda ter uma grande variedade de produtos agregados ao nome, é no mínimo muito boa. “Arquivo X” (“The X-Files” criado por Chris Carter) não é só muito boa. É instigante. Levanta reflexões sobre coisas que aparentam serem sobrenaturais e sempre com o ceticismo do respaldo científico.
A história: um agente do FBI (Fox Mulder, interpretado por David Duchovny) movido pela obsessão da abdução de sua irmã, resolve investigar casos arquivados pela organização por serem de natureza paranormais e insolucionáveis. Como é do interesse do governo manter tais casos (os “Arquivos X”) abafados, designam uma agente cientista (Dana Scully interpretada por Gillian Anderson) para apresentar relatórios com respaldo científico contrapondo cada caso investigado. O plano falha, a partir do momento em que a maioria dos casos teem fundos de verdade que são inexplicáveis para a ciência vigente. Outro contra senso é que Scully ganha a amizade e confiança de Mulder, no decorrer da série. A dupla tem de lidar o tempo todo com as mais variadas dificuldades. Desde censura com o argumento de escassez de recursos, até coerção e atentados promovidos por extra terrestres ou pelo personagem C. G. B. Spender, conhecido como “Canceroso” (um poderoso diplomata totalmente inescrupuloso que não mede esforços para deter o avanço de trabalho dos agentes. Interpretado por William B. Davis). Lógico que eles também recebem ajudas, mesmo que esporádicas. O chefe Walter Skinner (interpretado por Mitch Pileggi) já salvou a vida do casal várias vezes, mas os ajudantes mais eficazes são os informantes conhecidos como Lone Gunmen (um trio de nerds caricatos que editam um fanzine chamado “A Bala Mágica” e publicado pela editora “Os Pistoleiros Solitários”, onde expõem casos paranormais reais e prestam assessoria para Fox e Dana). Este trio fez tanto sucesso que acabaram por ganhar uma série independente de Arquivo X.
Dentre a diversificação de produtos, pode-se encontrar a série em filmes do seriado pra TV, livros, histórias em quadrinhos, e dois longas (como dito acima) para o cinema. Obviamente que no auge do sucesso foram lançadas camisetas, cadernos escolares, adesivos, posters e outros apetrechos relacionados. O curioso é que o teor da série não é a comédia, mas sim, o drama e o suspense. Teorias de conspiração governamental, híbridos alienígenas, fantasmas, exorcismos, bestialidade genética e outros assuntos são tratados de uma maneira bem sombria que tem o clima adulto mais acentuado pela música de Mark Snow como trilha sonora. Uma prova inquestionável da seriedade de Arquivo X, é o game oficial da série. Diferente de todos os jogos de vídeo games, este não é feito por computação gráfica, e sim, totalmente filmado com atores e cenários reais, transmitindo mais realismo ao jogo. Foi lançado até um livro que analisa cientificamente vários episódios alegando o que pode ser real e o que é mera ficção.O carisma da dupla protagonista é outro ponto forte. Fox Mulder é o sonhador poético, culto, bem humorado, bonito e tão humano que chega a comover. Já Dana Scully seria o estereótipo da mulher perfeita. Belíssima, culta, inteligentíssima, austera e encantadora. Qualquer mulher se identifica com ela.
A série durou de 1993 a 2002, mas deixou um ótimo trabalho disponível pra venda em DVD e muitas saudades para aqueles que ficavam intrigados com os assuntos após assistir um capítulo. Cabe a nós aguardar pela produção do terceiro filme longa metragem. Sim, haverá um terceiro filme. Ainda em fase de produção do roteiro e aguardando o aval da 20th Century Fox, os atores Duchovny, Anderson, junto com o produtor Frank Spotnitz, já garantiram que querem algo que remeta às origens da série, diferente do segundo “The X-Files – I Want To Believe”. A previsão de lançamento é a mitológica data de 21 de dezembro de 2012. Lembrem-se que independente de mito ou ficção, a verdade está lá fora.

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