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segunda-feira, 9 de março de 2026

Entrevista para o programa de rádio Made in Brazil

      Entrevista que prestamos (eu e o amigo Gaspar Vieira) para o programa de rádio "Made in Brazil" em 11 de outubro de 2022, onde apresentamos o nosso livro "Fúrica e Subversão - História do Punk Rock/HC na Cidade de Manaus", recém lançado na ocasião.

 A entrevista pode ser acessada no link (https://www.youtube.com/watch?v=if5bqL5kE_w)




sábado, 6 de agosto de 2022

Programa Boa Noite Amazônia 13/07/2022 - Bloco 5

5º e último bloco do programa Boa Noite Amazônia, do circuito Onda Digital, onde participei, dando depoimentos a respeito do tema "Rock de Protesto", devido à data do Dia Mundial do Rock.



quarta-feira, 20 de julho de 2022

Programa Boa Noite Amazônia 13/07/2022 - Bloco 4

Programa de rádio/TV/web do circuito Onda Digital, onde participei nos dois últimos blocos, dando depoimentos a respeito do tema "Rock de Protesto", devido à data do Dia Mundial do Rock.



sexta-feira, 5 de março de 2021

Entrevista com o produtor musical Rafael Rebelo

Psicólogo de formação o pós-graduado Rafael Rebelo atua no cenário artístico amazonense, como produtor musical, desde 2009. Neste meio tempo vem produzindo diversos lançamentos dos mais variados estilos. Em fevereiro de 2021 foi ao ar a primeira apresentação ao vivo da ópera rock A Sombra de Monalisa, obra que Rafael formatou, mediante contemplação pelo prêmio Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc, e já está em andamento a produção do álbum que conterá esta ambiciosa representação.

Abaixo uma singela entrevista que Rafael cede gentilmente para Orestes, contando um pouco de sua carreira como músico e produtor.

Orestes: Você também é musicista, mas o que lhe fez optar por trabalhar mais na parte de produção, do que atuar como músico?

Rafael Rebelo: É uma mistura de fatores. Desde a minha adolescência, eu fazia experimentos com gravações, usando aqueles aparelhos de som com dois compartimentos de fita cassete e microfone de karaokê. Ia fazendo gravações em camadas, para mim e para amigos meus. Provavelmente não era do jeito “certo”, mas na época funcionava e era divertido (risos). Sempre me interessei por timbres, sons etc., e uma coisa foi levando a outra. Aos poucos comecei a fazer bicos com gravações e acabou virando uma fonte de renda para reinvestir em equipamentos e no meu home studio.

Outro fator foi que em Manaus nunca houve muito espaço ou lugares para música autoral, e eu nunca tive interesse em ficar tocando música cover. A escassez de produtores musicais também foi uma motivação para investir na área, devido aos meus gostos mais específicos. Temos grandes produtores em Manaus, como Bruno Prestes, o Beto Montrezol e o Viktor Judah, e cada um com seu estilo próprio e formas de trabalhar.

O meu gosto... acredito que o que mais me deixa excitado, quanto a uma produção, é àquela na qual você consegue sentir o suor dos músicos, a saliva, aquela energia que estava acontecendo na hora da gravação. A sonoridade que mais mexia comigo, é mais aquela “vibe” setentista. Então meus equipamentos e técnicas refletem essa pegada retrô e vintage, que era o que eu buscava em relação à produção musical. Atualmente, tenho me interessado mais por uma sonoridade/abordagem mais moderna e contemporânea, e estou tentando experimentar com algo híbrido, entre o vintage e o moderno, e o álbum “A Sombra de Monalisa” está sendo fruto desse experimento.


O.: Quando você testemunha alguém elogiando o disco de uma banda que você produziu, sem esse alguém saber que parte das qualidades no álbum se deve ao seu trabalho, qual a sua reação?

R.R.: Creio que quase sempre o produtor musical vai ser o homem (ou mulher) por trás das cortinas. Talvez, muitos produtores prefiram isso, o anonimato (ou menor atenção). Tanto que muitos produtores são músicos. E talvez, essa menor visibilidade seja mais confortável. Geralmente o produtor musical (de estúdio) não tem que estar se preocupando com imagem, com rotina de shows etc.

Rafael Rebelo efetivando seus dons na sua
criação A Sombra de Monalisa

Então, é normal o seu trabalho não ser tão reconhecido quanto o da banda. Afinal de contas, esse é o papel do produtor musical: fazer os artistas brilharem. Por exemplo, muitas pessoas devem adorar o Nevermind (1991) do Nirvana e o Hybrid Theory (2000) do Linkin Park, e não devem saber que foi o mesmo profissional (Andy Wallace) que mixou ambos. Para o público, isso não é muito interessante. É informação mais relevante para os próprios músicos.


O.: É inegável a falta de profissionalismo nas bandas de Manaus. Quase ninguém tem empresariamento, a grande maioria precisa se manter com empregos divergentes à música, a desunião ainda vigora entre os estilos, a cidade não tem boas locações para shows, não existe um festival local e uma série de outros empecilhos que acabam retroagindo a cena local. Na sua opinião, qual seria a solução para isso?

R.R.: É uma questão bem difícil e complexa. No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, havia algo bem interessante acontecendo na cidade, muitas bandas autorais, alguns barzinhos com show ao vivo (Macintosh), o Festival de Rock do CIEC, o Festival Fronteira Norte etc. Não dá pra saber o que aconteceu. Pode ter sido uma questão, de que realmente o rock ‘n’ rollficou para trás”, se tornou um estilo ultrapassado e isso se refletiu na cidade. Hoje em dia, dificilmente ouvimos/vemos grandes lançamentos. Não é o meu estilo favorito, mas se você for ver vídeos no YouTube de bandas como Deftones e Korn, em programas de TV entre final dos anos 90 e começo dos anos 2000, é inegável que havia algo de especial acontecendo.

Seria um ótimo estudo fazer essa análise entre os reflexos das mudanças culturais e do cenário musical mundial e seus impactos no Brasil e de forma mais específica, em Manaus. E com certeza, há também o impacto da Internet e o que hoje chamamos de distribuição digital (que antes era pirataria) da música, que mudou a forma como a música é consumida, criada, monetizada e promovida.

Sendo um pouco mais direto, um dos maiores problemas que vejo, é algo cultural da cidade (talvez do Brasil), mas sempre vejo que as pessoas valorizam mais o que é de fora. Se um músico lança um vídeo de cover (por vezes com baixa qualidade de vídeo e de áudio) e lança também um vídeo (com alta qualidade) de música autoral, muitas vezes o vídeo de cover tem mais reações. Isso também pode ser uma resistência do público de rock a conhecer coisas novas. O velho conservadorismo.

Então, para mim, a solução não virá do público e sim do artista. Como? Caprichando cada vez mais em suas produções, tentando sempre fazer algo melhor, de alto nível. É questão de fazer o público ver o valor que artistas locais teem e que eles podem oferecer algo de qualidade internacionalmente comparável.


O.: O que falta para o rock de Manaus ter a merecida visibilidade nacional?

R.R.: Acompanho a cena desde o final dos anos 90, minha adolescência, e acho que Manaus sempre teve bandas incríveis. Amo os trabalhos que gravei e penso que todos teem um grande valor. Talvez seja “bairrismo” meu, mas pra mim, bandas como Os Playmobils ou Dpeids, fazem um punk rock de qualidade nacional, ou até melhor do que o que tá acontecendo no resto do Brasil. O “Antes Que Seja Tarde” da Alado’s, é um dos melhores trabalhos que o Brasil nunca ouviu. Muitos em Manaus conhecem a Several. Pra mim, é a melhor banda nacional de rock que já existiu e até hoje escuto com gosto o “Carma”, álbum deles de 2008.

Então o que falta? Só posso teorizar, mas acho que são três grandes motivos: geografia (e suas atribuições sociais), imagem e investimento. A localização de Manaus atrapalha de várias formas, mas uma questão importante é o que chamo de “síndrome de patinho feio”. Na minha opinião, o manauara sempre dá mais valor para o que é de fora e desmerece o que é local. A imagem sempre foi importante na música (em relação ao sucesso). É só lembrar de exemplos como o Elvis Presley, que popularizou o blues por ser branco. Essa questão de imagem, nos leva para a questão de investimento. Por falta de verba, nem sempre as bandas locais conseguem ter uma imagem (apresentação) de acordo com os padrões nacionais ou mesmo internacionais. Quando falo de imagem/apresentação, falo da qualidade dos videoclipes, das fotos, das capas dos álbuns etc.

A falta de investimento, atrapalha também, por exemplo, em aquisição de equipamentos de qualidade ou os vocalistas fazerem aula de canto. E isso é importante. Já vi alguns shows fora do Brasil, e lembro de um show em específico: era uma banda de Londres, tocando em um lugar grande e famoso dos Estados Unidos e o instrumental era sofrível. Mas os vocais eram impecáveis, e todos da banda cantavam e harmonizam juntos. Acho que um dos pontos fracos da cena é este, a questão dos vocais. Mas o problema seria realmente a escassez de verba e investimento. Afinal, por que os cantores iriam fazer aulas de canto, se não há investimento na cena, a ponto de motivar o aprimoramento dos músicos?


O.: Qual foi o trabalho que, se possível, você reformularia ou mudaria algo e porque?

R.R.: Sou perfeccionista. Então, sempre estou querendo melhorar as coisas (risos). Creio que pelo tempo disponível dos músicos, orçamentos limitados e vários outros fatores, alguns dos primeiros trabalhos poderiam receber uma repaginada, mas hoje em dia, consigo apreciar mais o registro daquele momento em específico. No momento não escolheria um trabalho em particular, por estar mais focado no futuro, que é o que eu sinto, ser o aspecto da música que precise de mais atenção hoje em dia.


O.: Como a sua formação como psicólogo ajuda o seu trabalho no campo da música?

R.R.: Creio que todo produtor musical (e mesmo de outras áreas), precise ser um tipo de psicólogo. Primeiro, porque muitas vezes você está trabalhando em transformar uma ideia abstrata em algo concreto, um som. É muito comum, músicos se referirem a timbres e sons de forma abstrata e passarem anos (ou pedirem ao engenheiro de som ou produtor) para traduzir aquilo para o mundo real. Um grande exemplo é o “Brown Sound” (Som Marrom) do Eddie Van Halen.

Segundo, porque na música, você lida com várias pessoas, e cada uma com sua particularidade. Então tem que ter um jogo de cintura. É importante ter alguma noção de dinâmica de grupos, comportamento humano etc. Por exemplo, gravações são extremamente estressantes e muitas vezes os membros das bandas estão em desacordo sobre direcionamentos ou quaisquer outras coisas. Faz parte do produtor musical conseguir resolver isso, evitando o menor atrito possível. Mas vão ter atritos (risos). Muitas vezes, um músico sente dificuldade em executar uma parte em específico em uma gravação, e o produtor tem que analisar o músico (e sua técnica), a música e encontrar a melhor forma de fazer aquilo acontecer.

Terceiro, porque música é sentimento. Mas muitas vezes, músicos querem externalizar algo e não conseguem, ou não sabem bem como. Como produtor, é preciso saber como fazer a mágica acontecer. Algumas vezes apaguei as luzes para um cantor ou falei para que cantasse como se estivesse sussurrando no ouvido de alguém.


O.: Como surgiu a ideia de compor A Sombra de Monalisa?

R.R.: Inicialmente, Monalisa era uma banda e a maioria das músicas já existiam. Como a banda se desfez, as músicas ficaram “engavetadas” por anos, e o projeto surgiu para resgatar essas composições.

A ideia começou sendo desenvolvida em torno da vontade de trabalhar com vários vocalistas, buscando timbres de vozes diferentes e formas de interpretar particulares, e com inspiração em musicais como o Fantasma da Ópera e Jesus Cristo Superstar. A concepção foi sendo idealizada aos poucos.

Eu e o Norcírio Queiroz (guitarrista da Alado’s e também psicólogo), trabalhamos em cima da história e do enredo para fazer uma conexão entre as músicas. Alteramos e adaptamos muitas coisas das músicas originais e fomos otimizando cada letra e música para ficar com a “cara” de cada vocalista.

A Sombra de Monalisa é uma ópera rock. Ou seja, várias músicas interligadas por uma narrativa, consistindo de vários personagens. No caso, temos 5 personagens (ou perspectivas). Monalisa é a personagem principal, mas é retratada a partir de 4 perspectivas diferentes (O Malandro, Ele, Ela e a Sombra). A narração é feita pela Musa. Cada perspectiva da Monalisa, é interpretada por um vocalista diferente.

As perspectivas de Monalisa, foram baseadas nos arquétipos de Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Alguns dos arquétipos que aparecem são o Trickster, o Herói, Anima (lado feminino dos homens), Animus (lado masculino das mulheres), a Sombra, entre outros.

A história conta a trajetória e consequente declínio de Monalisa. Quando falamos em declínio, falamos de ir em direção à nossa Sombra, nosso lado egoísta e antissocial. É uma visão pessimista do ser humano, porém nosso objetivo é que as pessoas reflitam sobre quem elas estão sendo no mundo, como estão vivendo suas vidas e o que estão fazendo para si e para as outras pessoas.

Em relação ao enredo, optamos por não ser muito diretos, e às vezes, beiramos o abstrato. Para quem estiver acompanhando o enredo, vá imaginando e desenvolvendo a história, preenchendo as lacunas de acordo com as suas percepções e experiência de vida. Isso foi inspirado, em partes, por séries como Twin Peaks, Dark e Lost, que não respondem a todas perguntas e deixam muita coisa para a imaginação do público.

Musicalmente, o projeto apresenta uma sonoridade moderna e além do rock, passeia por vários estilos musicais do blues ao jazz e até o flamenco, mas sempre tentando manter a coesão.

Em relação ao instrumental, buscávamos uma sonoridade de rock pesado, sensual e versátil. Cada integrante do projeto foi escolhido de acordo com essa concepção e cada um dos músicos, trouxeram suas ideias e suas influências, o que enriqueceu muito mais o projeto.


O.: Com o chamado “novo real”, devido à Covid-19, como você pensa que será o padrão do show business daqui por diante?

R.R.: Penso que muito da arte será direcionada para o mundo digital. As mudanças globais e sociais mostram que é para onde tudo está caminhando, inclusive antes do Covid-19. Creio que no futuro, o foco será as apresentações/shows virtuais. Talvez, já esteja sendo. Mas isso gera um problema... se aquele show fica com registro digital disponibilizado a longo prazo, como os artistas vão conseguir se beneficiar ou sobreviver com várias apresentações? O que leva a pensar duas coisas em primeiro momento: as apresentações (ou lives) vão ser mais espaçadas e que os artistas deverão inovar entre cada apresentação.


O.: Quais suas metas para curto, médio e longo prazo?

R.R.: A curto prazo, terminar de gravar o álbum “A Sombra de Monalisa”, que foi iniciado no segundo semestre de 2020 e tem a previsão de lançamento entre julho e agosto de 2021. A médio prazo, pretendemos fazer a segunda apresentação do projeto, só que desta vez, no Teatro Amazonas. A longo prazo, desenvolver mais músicas para expandir o universo “A Sombra de Monalisa”.

A ideia é colocar músicas novas, explorando novos pontos dos personagens/perspectivas e da narrativa e experimentar novas sonoridades também. Minha meta é que seja um projeto em expansão e evolução constante e que cada apresentação seja uma experiência única e tenha elementos novos. No momento temos 9 músicas, sendo que uma não entrou na primeira apresentação por não estar finalizada ainda, mas quero chegar no número de 16 a 20 músicas pro projeto.

Não acho que haverá um segundo álbum “A Sombra de Monalisa 2”, ou algo do tipo. Tenho em mente, ir lançando singles ou EPs de músicas, que se encaixem dentro da cronologia que foi construída. É algo como uma estória que está em construção junto com o público, ou como se fossem cenas adicionais de um filme, só que feitas posteriormente. Mas não pra ser algo “filler”. Pretendemos manter nosso nível de qualidade. Seria algo como músicas que explorem o desenvolvimento e a vida do “Malandro”, antes de ele conhecer a “Musa”, ou explorar mais a visão de mundo da “Sombra”, coisas do tipo.

Tenho também algumas músicas que havia separado para um outro projeto com o Queison Alves (também vocalista em “A Sombra de Monalisa). Em algum momento dos próximos dois anos, quero trabalhar nesse projeto. Se “A Sombra de Monalisa” é fruto da minha veia “led zeppeliana” e foi pensado para ser exagerado e exótico, esse outro projeto seria algo inspirado em Beatles, Beach Boys e O Clube da Esquina, algo mais enxuto, intimista e poético.


O.: Deixe seus contatos e um recado para quem está lendo a entrevista.

R.R.: Acredito que o melhor recado que posso deixar é para que os artistas sonhem, ousem e façam grandes produções, para que a arte se torne novamente algo valioso, que leve as pessoas àquele lugar especial. E que o público esteja mais aberto ao novo e a reavaliar a ideia de que “a grama do vizinho sempre é mais verde”.

Contatos: rafaelrrebelo2@gmail.com

https://www.instagram.com/rafaelrrebelo/

https://soundcloud.com/rafaelrebelo/

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Orestes no programa Band Cidade

Desta vez a aparição foi no programa Band Cidade exibido em 28 de janeiro de 2019, para depoimento sobre acervo da Casa de Cultura Joaquim Marinho. O vídeo pode ser visto no link https://www.youtube.com/watch?v=rZ9cVpLUuW4&t=19s


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Depoimento para o Oportunidades e Notícias

Nesta feita, presto depoimento para o jornal virtual "Oportunidades e Notícias" edição Nº 65 de 03 a 05 de fevereiro de 2018.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista com a Banda Os Playmobils

Com mais de 15 anos de carreira, algumas gravações e um livro no currículo, além de extensa e contínua agenda de shows, a banda Os Playmobils vem se firmando como um dos expoentes de maior significância no cenário local da cidade de Manaus. A simplicidade na sonoridade reflete diretamente a humildade e o carisma de Albenízio Júnior, Henrique Magnani e Carol Magnani que formam este power trio, que cedeu gentilmente uma entrevista exclusiva para este blog.
Vida longa aos Playmobils!

Orestes: O nome da banda é referência direta a um brinquedo. Onde mais há referências inusitadas no que os Playmobils fazem?
Carol: A referência, além de citação ao brinquedo, é uma lembrança de nossa infância. Tem vários itens do meio adolescente no rock comercial. Tanto que a primeira gravação nossa é "Sorvete e Fliperama" que gravamos em K7.
Henrique: Apesar de nosso nome ser referência aos anos 80, queríamos fugir dessa linha oitentista. Foi difícil sair um pouco disso, porque o nosso primeiro letrista e o nosso atual (Albenízio) são muito fãs de Legião Urbana e outras coisas ligadas à essa década infame. Sobre a escolha do nome "Os Playmobils", as vezes bate um certo arrependimento, porque sabemos que um dia podemos ter problemas com isso. Não é o que almejamos. Por isso mantemos o nome. Tanto é que nas páginas de nosso livro, está bem claro que a formação de uma banda de rock, não é como um time de futebol pra competir. É algo que fazemos por amizade, por gostarmos.
Albenízio: Sim, o nome da banda é referência ao brinquedo de mesmo nome. Ideia de Henrique e Carol, que sempre foram fãs desse brinquedo. Há mais coisas relacionadas a brinquedos na banda, entre outras coisas inusitadas, como alguns projetos que estão por vir, como "A Caixa", álbum que eu escrevi em 2007, e o "Jingles da Estação Pirata" que eu escrevi ano passado e que espero gravar um dia, pois valerá a pena.

O.: Algumas letras de canções da banda, direta ou indiretamente, expõem problemáticas humanas existentes também no meio musical/artístico local. Evidentemente que estas problemáticas existem em qualquer lugar do mundo. Em que ponto esta temática se diferencia no cenário local para o cenário global, pros Playmobils?
C.: Hoje existem muito "viúvos" de alguma coisa, de uma época que foi boa. As pessoas pararam no tempo e não criam mais. Essa coisa de viver do passado, tira um pouco de criatividade pra criar coisas boas.
H.: Mundialmente a molecada está ligada muito no rock and roll medalhão. Ninguém quer ouvir o que deu origem a tudo. Ninguém quer mais ouvir um blues, um "garajão". Acho que tudo está rumando pra colocarem na tua frente o que todo mundo ouve e tirarem na tua frente o que tenha essência. Banda de rock é muito mais do que baixo, bateria e guitarra. Se os integrantes da banda não estiverem convictos do que realmente gostam, a coisa fica massante, chata e não vai durar muito tempo, e é o que tem acontecido bastante.
A.: Acho que no geral as nossa letras são globais ou universais. Principalmente quando se trata de sentimentos e situações humanas. Mas quando falamos do regional, como as músicas "Banda de Mentira" e "Ode e Cirrose" são letras críticas, geralmente. Daí o ouvinte escolhe se por bem ou por mal. Se é construtiva ou não. Digo isso porque a cena rock de Manaus, especificamente, não tem nada ainda. Há pouco trabalho e muita gente querendo aparecer, só porque gravou um disco, fez um ótimo show, ou porque canta ou toca pra caralho. Grandes merdas isso tudo! A produção é frequente e, pra mim, creio que a colaboração com uma cena, seja até morrer, por toda uma vida e com humildade sempre. Então é isso! Letras levando pro regional é essa porrada. Aí o diferencial pras letras universais. Diferente dos amigos da Dpeids, que levam pra um regional mais escrachado e que mostram nosso cotidiano manauara através do ridículo, que acaba por ser muito engraçado. Coisa que o Nicolas Jr. faz e muito bem, também.

O.: Qual a maior fonte de inspiração pra cada um dos Playmobils?
H.: Em termos de letras, acredito que temos evoluído. Estamos fugindo mais da temática colegial, que é a tecla que batíamos bastante no início da banda. A gente tinha muita composição, relacionada a romance e coisas mal resolvidas. Algo que não toma mais conta da temática que queremos passar. Tanto é que hoje, nos shows, a gente vê um punkezinho ou outro fazendo careta pra nossa apresentação, e os mesmos trajam camisetas dos Ramones. Só que talvez na imbecilidade deles, não sabem que 80% das canções dos três primeiros discos, eles cantavam o amor, mesmo que no formato de ódio.
A.: Me inspiro em todas as bandas que ouço e em situações de minha própria vida. É incrível você transformar em música ou literatura o que se vive ou o que se sente. Confesso que só entendi, enfim, o que era arte, quando saí da teoria e fui pra prática.

O.: Os Playmobils foi uma das bandas que fez o pré show de Marky Ramone em Manaus. Sendo os Ramones, indiscutivelmente, uma das maiores influências da banda, teria sido este show de abertura o maior privilégio do grupo, ou vocês ainda viverão privilégio maior?
C.: Foi sem dúvida o maior privilégio que tivemos, pois os Ramones são a maior influência da Playmobils. Dificilmente teremos um privilégio maior que esse. Só se abrirmos pro Paul McCartney (risos).
H.: Eu não diria privilégio maior, mas foi algo surreal que aconteceu. O som em si, foi bem meia boca. O público, o som e não era o tipo de palco que gostamos em nossas apresentações. Mas só da gente estar alí, ao lado de um Ramone, um cara que eu tenho como ídolo, como influência, até mais do que o próprio Tommy, pra mim passou um filme depois que eu tive contato com ele. Se na década de 90 eu ouvia Ramones, deitado no meu quarto e sonhava em ter uma banda, anos depois eu dividiria o palco com um deles. É coisa que a gente tem nos sonhos mais otimistas. Não imaginava que isso fosse acontecer, ainda mais na capital que a gente vive.
A.: Foi pra mim o pagamentos dos deuses, por termos uma banda. Abrir pra um Ramone, valeu a vida! Poderíamos ter acabado a banda após o show e já teríamos muitas histórias boas pra contar. Fora isso, as festas do Mama Rock; ter organizado com Infâmia, Dpeids e Antiga Roll, esse projeto, foi algo surreal. Ainda mais em Manaus, onde o pessoal monta banda pra brigar, menosprezar eventos e se vangloriar de alguma coisa. O Mama Rock é sim um grande feito e surreal, pela união dessas bandas e pelas noites insanas que criamos com um público fiel. Mas, mais uma vez, nada disso ainda não é o bastante. E sim, eu creio que ainda teremos privilégio maior que tudo isso, por nós mesmo. Porque não paramos. Banda underground ou autoral, não tem férias.

O.: Se não existissem os Playmobils, o que cada um de vocês estaria fazendo, ou o que cada um de vocês estaria tocando?
C.: O meu primeiro violão eu ganhei antes da Playmobils. Eu sempre quis montar uma banda com o Henrique e com meu outro irmão, tipo Hansons, e provavelmente não sei dizer se estaria numa outra banda, tocando em casa e ouvindo música.
H.: Eu não estaria tocando em lugar nenhum. Estaria frequentando os shows undergrounds e ouvindo bastante música e discos, até mais do que ouço agora, talvez.
O carismático power trio manauense Os Playmobils
A.: Quanto a música, eu estaria tocando e cantando sim, de qualquer forma. Compondo sempre! Esta coceira interminável. Escrever é relaxar! Teria um outro projeto, na verdade eu tenho vários (risos). Em meus escritos tenho até composições de jazz, blues e rock progressivo.

O.: Se um dia acabar os Playmobils, o que cada um de vocês fará?
C.: Eu tocaria Jovem Guarda!
H.: Não sei se tocaria em outra banda, mas eu gosto muito do lance mais brega, tipo Roberto Carlos, Jerry Adriani, Adair José, talvez me interessasse. Erasmo Carlos é rock até hoje!
A.: Se um dia os Playmobils acabar, continuarei tocando mesmo assim, em algum outro projeto, seja meu ou de algum amigo. Nunca vou parar de tocar e cantar!

O.: Possibilidade de entrar um membro adicional na banda, ou os Playmobils já está ciente num power trio fechado?
C.: Esta formação existe desde o começo, há mais de 15 anos. A fórmula funciona bem com a gente. Não será necessário mudança!
H.: Já imaginei um projeto com outros artistas, mas nunca foi exposto pra todos. Acredito que a formação atual seja bem completa pro tipo de som que buscamos.
A.: Somos um power trio mesmo. Não tem jeito! E isso não só, ajuda a combinar as coisas (por ser pouca gente na banda), como na logística pra tocar e viajar. Três pessoas é muito mais prático! Nunca tive alguma aversão a um quarto integrante, mas já temos mais de 15 anos de banda e realmente somos três. Acredito que os arranjos com uma guitarra solo, daria uma Playmobils talvez mais harmônico, o que agradaria muita gente, mas nosso som é urbano e não bucólico. Já temos a voz como instrumento solo e três bases com guitarra, baixo e bateria, não tão harmônico, mas pesado e sincero. É o som das ruas, de nosso bairro. É o som de uma grande capital. Gostamos da cidade! Gostamos de amar aqui! Colocamos ketchup em cima de macarrão, feijão e arroz! Gostamos de jeans e camisa de algodão. Violão ao redor de uma fogueira, numa praia, fumando e filosofando, é outra parada! Sem falar no virtuosismo que é demasiado e maçante.

O.: Qual foi o maior "mico" dos Playmobils?
C.: O mico não foi tão grande! Um começa uma música e outro começa outra música.
H.: Não tem um grande mico, que eu lembre. Tem muitos erros nas apresentações, que acontecem com qualquer banda.
A.: Acho que foi no Posto de Lavagem do Negão, próximo ao Hotel Da Vinci (risos). Nossos amigos e familiares estavam lá e foi um desastre, tudo. A bateria se desmontava e eu me senti um macaco tocando banjo (risos). O som estava horrível! Foi uma noite tosca, mas foi divertido. Isso foi bem no início da banda.

O.: Quais as metas de curto e longo prazo da banda?
C.: Continuar lançando material que a gente tem escrito há muito tempo.
H.: A gente tem atrasado bastante as gravações por excesso de preciosismo e até em exigir uma qualidade bem melhor, pro que a gente costuma apresentar. Só que ouvindo muitas outras bandas, eu tenho verificado que esse preciosismo não é necessário (risos), pra que nosso som fique bom, pra se ouvir num CD. A gente pretende lançar "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com a gravação bem próxima do que a gente costuma apresentar nos shows.
A.: Curto prazo, gravar e lançar o disco "O Rock n' Roll Sempre Viverá para Mim" com 12 faixas. Longo prazo, gravar mais discos e tocar sempre que pudermos.

O.: Deixem seus contatos e um recado pra quem ler a entrevista.
C.: A gente vê pessoas que cantam nossas músicas, que me perguntam, por mensagens, quando será a próxima apresentação. Agradecemos a estas pessoas o prestígio dado a banda!
H.: A entrevista não foi nada pessoal contra ninguém, mas se alguém achar que foi pra ele, foda-se!
A.: Acessem as páginas de nossa banda no Facebook, no Instagram e fiquem por dentro das notícias da banda. Procurem nessas duas redes sociais por "os Playmobils"(https://www.facebook.com/osplaymobils/) e (https://www.instagram.com/osplaymobils/). Na página de Facebook tem links pra baixar nosso material. E para as pessoas que lerem esta entrevista, conheçam, não só nossa banda, mas outras que são de Manaus. Pra uma grande cidade encravada na selva Amazônica, temos bandas incríveis acontecendo por aqui, que não devem nada a nenhuma banda de rock do mundo, e isso falo de qualquer vertente do rock n' roll. Pesquisem, nos ouçam e compartilhem! Grande abraço!
osplaymobils@gmail.com

sábado, 30 de julho de 2016

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Meio Dia em Revista com Quadrinhistas Autorais

Participação no programa Meio Dia em Revista da TV Cultura em 06 de julho de 2016. Gravação ao vivo em take direto com apenas uma pausa de intervalo.
No estúdio em companhia de Gedeon e do eterno parceiro Romahs. Na pauta, sem tempo pra delongas e detalhes, a gestão do Clube dos Quadrinheiros de Manaus e o trabalho solo lançado na graphic novel O Desejo Eterno.
Nona arte autoral regional ganhando seu espaço aos poucos.

Os participantes Mário OrestesGedeon e Rogério Romahs

Ao vivo no estúdio do programa Meio Dia em Revista.
Todas as fotos por Giselle Mascarenhas.

Participantes com a apresentadora Bia

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Entrevista com Marcelo Nova


Entrevista realizada em 04/12/2010 (um dia após a apresentação de Marcelo Nova na cidade de Manaus, no Vitrola Music Hall). A banda de apoio, formada por músicos locais, contou com a guitarra de Drake Nova (filho de Marceleza). Um tanto difícil esta entrevista, apesar dela ser bem curta, por eu estar muito nervoso. É complicado um fã entrevistar o seu ídolo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Entrevista com Yonami Paulo Teles

Abaixo entrevista que realizei com o nome do Clube dos Quadrinheiros de Manaus, por motivos óbvios.


Com a abertura de uma exposição, com cerca de 80 artes oficiais para editoras consagradas como Marvel, DC Comics e Dynamite, o estúdio House 137 começa sua projeção no mercado de sua cidade natal - Manaus. Com uma linha de ilustradores, arte finalistas, estagiários, coloristas e designers, que teem como parâmetro o padrão internacional, o estúdio demonstra maturidade no trabalho apresentado. Dois talentosos amazonenses dirigem o grupo, com o empenho de quem está apenas começando a escrever essa história, e ainda teem muito a mostrar. Jucylande Júnior e Yonami Paulo Teles conseguiram transformar seus hobbys em sonhos realizados, com muita paixão naquilo que fazem de melhor.
Abaixo, Yonami (que já publicou para Stone Arch Books, Glyph Productions, Galaxy Graphix, Dynamite, Marvel e DC Comics) fala um pouco de sua arte, do incrível trabalho da House 137, da participação em eventos como Festival Internacional de Quadrinhos e Comic Com Experience, da exposição OS FORASTEIROS DA AMAZÔNIA, que terá sessão de autógrafos, além de dar provas de que isso tudo será apenas o início, de muito que ainda virá por aí.

Clube dos Quadrinheiros de Manaus: Quantos e quais artistas compõem o estúdio House 137?
Yonami: Cerca de 12 artistas e 6 estagiários.
Yonami Paulo Teles marcando presença
na Comic Con Expérience com a House 137
- Yonami (agente, ilustrador, web e sócio);
- Jucylande Jr. (gerente, ilustrador e sócio);
- Emanuel Braga (web, arte finalista e ilustrador);
- Thiago Rocha (colorista e ilustrador);
- Jahn Cardoso (arte finalista e ilustrador);
- Al Ramon (ilustrador);
- Cesar Edgar (colorista e ilustrador);
- Daniel Lima (ilustrador);
- Vicente Moavero (ilustrador);
- Diego Mendes (ilustrador);
- Ananda Ferreira (ilustradora);
- Gregory Oliveira (ilustrador);
- Glaucio Silva (designer e estagiário);
- Raquel Teixeira (estagiária);
- Erika Yukari (estagiária);
- Rogério Vieira (estagiário);
- Fabian Iturri (estagiário) e
- Deborah Colares (estagiária).

C.Q.M.: Quais os trabalhos mais relevantes do estúdio House 137?
Yonami: Até então os trabalho nos quais mais nos destacamos foram os cards promocionais de filmes da Marvel Studios (Avenger 2 - Age of Ultron”, “Ant Man), cards DC (Super Villains), quadrinhos fantásticos para editoras européias (Rage) e capas para Dynamite (The Blood Queen” e “Dejah Thoris).

C.Q.M.: A que se atribui a versatilidade do estúdio House137 em atuar com cards, quadrinhos e cinema?
Yonami: Duas das coisas com as quais mais precisamos nos preocupar ao trabalhar com quadrinhos, é justamente a adaptação a um trabalho enviado por um editor e a agilidade. Esses são pontos fundamentais para qualquer trabalho. Como agente da Glass House Graphics, acabei aprendendo isso com David Campiti, e atribuí à minha equipe, aplicando exercícios e estabelecendo prazos para todos os artistas da equipe.

C.Q.M.: Fale da diferença de traços que o estúdio House 137 apresenta.
Yonami: Até então trabalhamos com vários estilos, principalmente os que mais se aplicam ao independente, nos dando uma variação enorme entre nossos artistas. Posso dizer que dificilmente não haveria trabalho ao qual não pudéssemos nos adaptar. Por outro lado, dadas exigências de mercado, também temos artistas focados nos estilos mainstream (Marvel e DC). Obviamente, cada um de nossos artistas possui um traço com o qual mais se identifica e acaba lhe proporcionando mais facilidade para trabalhar. Como disse Stan Lee: "Estilo é tudo aquilo concebido aos olhos do desenhista", em outras palavras, é algo tão pessoal que não conseguimos definir em poucas palavras.
Como diria Bruce Lee: “Sejamos como a água, e nos adaptemos a qualquer coisa”.

C.Q.M.: O que será apresentado na Exposição OS  FORASTEIROS DA AMAZÔNIA?
Yonami: Teremos obras diversas, dentre as quais destacam-se nossos principais trabalhos para Marvel, DC, Dynamite, independentes e muitas artes de acervos pessoais dos próprios artistas, como pinups, designs de personagens, páginas, trabalhos em preto e branco, além, é claro, de 4 obras dos nossos artistas convidados - Carlos Furuzono, Ronilson Freire, Manuel Preitano e Catherine Koht

C.Q.M.: Agora referindo-se ao traço de Yonami Teles, qual a maior influência?
Yonami: Tenho várias influências em cada aspecto do meu estilo. Gosto de dizer que peguei bastante dos artistas que mais admiro, como a força de Joe Madureira, a elegância de Chris Bachalo, a graciosidade de Alessandro Barbucci e, principalmente a narrativa FENOMENAL de Will Eisner, o PAI dos quadrinhos. Além de toda essa gama de artistas em meus trabalhos, o movimento Art Nouvéau também é muito presente nas linhas e formas que uso e nas composições para minhas capas.

C.Q.M.: Qual a sua arte que você a tem como a sua "Mona Lisa"? A sua obra prima que lhe orgulha em ter feito.
Madika Leona na arte que Yonami tem como sua
"Mona Lisa"
Yonami: A arte que mais gosto, particularmente, foi um desenho que fiz há pouco tempo, quando precisava desenvolver uma capa para minha série - Midnight Witch - com minha personagem Madika Leona. Parei por um instante e pesquisei os principais trabalhos de Alphonse Mucha, que desenvolvia cartazes maravilhosos no começo do século XX em estilo Art Nouvéau e resolvi agregar isso neste trabalho. Fui atrás de imagens da cantora que me inspirou a desenhar Leona (dez anos atrás), estudei suas principais características expressivas (seu olhar, seu sorriso, etc.) e fiz uma pinup com a qual me surpreendo até hoje. Como se não fosse o bastante, pedi para o concept artist finlandês Mikko Kautto colorir a imagem e o resultado (honestamente), foi muito além das minhas expectativas. Acredito que foi quase a mesma sensação que o doutor Frankenstein teve ao ver que sua criação "ganhara" vida. Estou mandando ela em anexo.

C.Q.M.: No seu ponto de vista, como se encontra o mercado de quadrinhos em parâmetros nacionais e internacionais?
Yonami: Recentemente tive conversas com artistas, autores e editores nacionais que me expressaram opiniões interessantes, fora o fato de que testemunhei, em eventos como o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em BH e CCXP (Comic Con Experience) em SP, o QUANTO o mercado independente brasileiro está crescendo. São muitos os autores que estão produzindo e publicando por conta própria, e é incrível o quanto as editoras nacionais estão facilitando isso. Posso estar enganado, mas suspeito (isso é uma opinião pessoal) que devido à crise, as editoras deram uma freada nos títulos licenciados devido à alta do dólar e resolveram apostar no que é mais "barato", e finalmente se atentaram à qualidade dos quadrinhos nacionais. 
Quanto ao mercado internacional, devido às obras adaptadas para o cinema, o mercado mainstream tem crescido bastante, tanto na América quanto na Europa. Em vista disso sempre há trabalhos disponíveis para aqueles que mais se destacam, como por exemplo, tenho artistas na Glass House que já trabalharam em séries como Doctor Who para a Titan Comics, séries como The Evil Within da Bethesda, entre tantas outras franquias de grandes nomes dos games e da TV.

CQM: Quais as próximas metas da House 137 a pequeno, médio e longo prazo?
Yonami: A curto prazo queremos lançar um de nossos próprios títulos independentes, via crowdfunding, junto à editoras nacionais e/ou internacionais, graças a meus contatos no exterior, e publicá-lo como uma série regular com destaque para artistas famosos do mercado internacional em nossas capas principais. 
A médio prazo pretendemos promover nosso estúdio com exposições, palestras e oficinas em eventos em Manaus e no Brasil, bem como já marcamos presença em eventos como a Comic Con Experience 2015 (foto em anexo) e agora, em Os Forasteiros da Amazônia. Já temos previsão para outros eventos que serão divulgados mais pra frente.
A longo prazo desejamos fazer de Manaus um pólo de criação de quadrinhos, com artistas trabalhando tanto para o mercado nacional e internacional, o que eventualmente será consequência das metas citadas acima.

C.M.Q.: Deixe seus contatos e um recado para o público da exposição  OS FORASTEIROS DA AMAZÔNIA.
Yonami: Quem quiser entrar em contato com a House 137 pode nos escrever em - contact.house137@gmail.com ou jyo.woo@gmail.com ou na nossa fanpage - www.facebook.com/house137
Contamos com vocês em nossa exposição e, PRINCIPALMENTE na nossa sessão de autógrafos na manhã do dia 19 de dezembro (sábado), onde faremos sketches gratuitos, fotos e venderemos prints autografados.
Não deixem de acreditar nos seus talentos, todos nós somos capazes se nos esforçarmos PRA VALER. Tem uma frase que eu adoro e resume muito bem nossa história como artistas "algumas montanhas são escaladas, outras são derrubadas", e é por isso que acredito que devemos derrubar um gigante diariamente, pra atingirmos nossos objetivos.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Entrevista com a Underground Brasil Distro

 Com a experiência que já caminha para os sete anos no ramo de distribuição da música pesada e seus acessórios, Thony Sacrifice e Paula Aguiar ministram a Underground Brasil Distro. Estabilizados na cidade de Manaus, o casal vem conseguindo conquistar respeito e credibilidade com um trabalho digno de quem leva a sério e ama o rock underground. Mesmo com todas as dificuldades, crises mercadológicas e contra tempos, o profissionalismo se torna cada vez mais evidente na marca da Undergound Brasil Distro, seja através de um stand em show ou da logomarca estampada na contra capa de um CD independente. Abaixo, Thony e Paula cedem gentilmente uma entrevista exclusiva, contando um pouco desta louvável atuação.

Orestes: A Underground Brasil Distro é tida como uma das melhores distros da cidade de Manaus. A que vocês atribuem isso?
Thony & Paula: Bem, eu não sabia que essa atribuição estava senda dada à UBD, mas agradeço a todos que nos veem desta forma. Posso atribuir isso à forma como trabalhamos que é com conhecimento de causa, honestidade, humildade, respeito e com os pés no chão.

Thony e Paula formando o casal que vem ganhando respeito e credibilidade
O.: Desde quando você percebeu que deveria investir no rock como produto comercial?
T. & P.: Em algumas viagens que fiz para assistir a shows fora do Amazonas, percebi que em quase todos os eventos haviam estandes de lojas, de pequenos selos, distros e afins, e aqui em Manaus não havia nada disso. Nem mesmo as bandas colocavam seus ‘merchans’ em exposição. Somente nos eventos de hardcore que o Bruno Uchôa aparecia com o estande da Dog Hot Dog. Então pensei que aquilo poderia e deveria mudar, e em 2009 resolvi pôr em prática a ideia de revender alguns CD’s, durante os eventos no Bar do Cabelo (Cabelo Rock Fest). Como já tinha muitos contatos e sempre pedia materiais para o meu acervo pessoal, comecei a pedir em maior escala e por para revenda. A resposta foi positiva, pois em Manaus não haviam lojas especializadas em material underground. Em 2010/2011 a Paula Aguiar (minha namorada) entrou como sócia no esquema e as coisas fluíram mais ainda. Fico muito feliz por ter dado certo!!

O.: Quais as dificuldades de uma distro de rock na cidade de Manaus?
T. & P.: O que mais dificulta é a questão da distância com relação aos centros distribuidores. Não temos como pegar os materiais ‘just in time’ e o valor do frete para nossa região, pois isso finda por encarecer um pouco mais os produtos, contra nossa vontade. E isso é no comércio de uma forma geral, não só no rock.

O.: Quais os méritos que a Underground Brasil Distro já alcançou até agora?
T. & P.: O reconhecimento por parte do público, das bandas que nos procuram para fechar parcerias de lançamentos e de outros selos/distros, inclusive alguns do exterior.

O.: Como se dão as parcerias com a Underground Brasil Distro?
T. & P.: Através dos contatos diretos e de indicações.

O.: Como tem sido a procura e projeção do rock manauara para outros estados do Brasil e para o exterior?
Pequena amostra de tudo que a Underground Brasil Distro vem fazendo



T. & P.: Já melhorou bastante, mas ainda falta muito! Para que haja uma projeção e procura tem que haver uma boa divulgação e são as bandas que devem tomar essa iniciativa para que então, depois as coisas fluam com naturalidade. E isso no modo geral, ainda falta. Talento temos, falta mais iniciativa, perseverança!! A UBD faz a sua parte. Sempre que pessoas de outros estados ou países entram em contato conosco querendo comprar CD’s indicamos logo as bandas de Manaus. Pelo menos das que deixam algum material na loja, pois às vezes até isso é complicado!

O.: Qual região do Brasil que mais mantém vínculo com Manaus no comércio e difusão do rock?
T. & P.: São as regiões sul e sudeste.

O.: Quais bandas de Manaus mais procuradas por outras localidades?
T. & P.: Brutal Exuberância e Mystical Vision.

O.: Quais as próximas metas da Underground Brasil Distro pra médio e longo prazo?
T. & P.: A médio prazo gostaríamos poder ter em nossa lista de lançamentos de CD’s oficiais uma banda de Manaus, pois já ajudamos a lançar bandas de cidades do sul, sudeste, nordeste e centro-oeste. Falta Manaus. Do norte já ajudamos a lançar bandas de Belém e do Amapá. Espero que algum dia alguma banda de Manaus nos dê essa honra!!!
A longo prazo queremos poder melhorar o espaço da nossa taberninha afim de receber melhor os clientes.

O.: Deixe seus contatos e um recado para os leitores.
T. & P.: Para conferir nosso catálogo completo, podem acessar a página no Facebook: https://www.facebook.com/undergroundbrasildistro
Por lá também podem entrar em contato.
E nosso e-mail é: underbrasildistro@yahoo.com.br