Finalmente:
Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.
Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.
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terça-feira, 14 de julho de 2015
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Front Zine
Pra quem não acompanhou as postagens do trabalho em grupo do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, chamado “Front Zine”, dificilmente teve uma visão geral da evolução gráfica que exercemos, com o passar das publicações. Por isso, depois de postados individualmente com comentários, posto agora todos juntos em ordem cronológica, com o intuito de provocar essa análise. É interessante ver que numa cidade provinciana como Manaus, nós chegamos a ter tamanha liberdade de expressão numa página semanal em um jornal de grande circulação. Melhor disso tudo, é que ainda éramos pagos por isso. De vez em quando tenho acesso a jornais de outros Estados e não vejo, em pleno século XXI, nenhum trabalho tão impactante visualmente como este que fazíamos 15 anos atrás.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Front Zine 18
Este foi o último número do Front Zine publicado. Logo em seguida, fomos convocados pra uma reunião com a diretoria do Jornal do Norte. Alegaram que estavam passando por contenção de custos e não podiam mais ceder uma página semanal e ainda nos remunerar por isso. Como consolo tentaram nos dar apenas meia página, mas recusamos dignamente, pois iria descaracterizar nossa diagramação inovadora que teria de dividir uma página com alguma coisa aleatória qualquer. Acabava ali nosso ócio produtivo e remunerado. Quem acompanhou essas postagens, deve ter percebido que da última postagem pra esta, houve uma diferença com a ausência de dois números. Pois bem, esses dois que faltam, não temos cópias. Se por acaso alguém possuir esses exemplares e puder colaborar conosco, agradeceremos profundamente.
DEATH
Esqueça tudo que você já ouviu da banda Death. Symbolic é o último e melhor trabalho deste quarteto, que agora mostra evolução e profissionalismo. Evolução porque a voz de Chuck Schuldiner não está tão “rasgada” e incompreensível como nos primeiros trabalhos da banda. E profissionalismo porque, tecnicamente, os músicos estão competentíssimos e trabalham com harmonia e progressão nas longas e complexas canções. As letras ainda vagueiam pelo sobrenatural, mas agora de uma forma bem mais variada. Os destaques do disco vão para Perennial Quest e a boa Misanthrope. Porém, todas as nove faixas são excelentes. Parabéns à Roadrunner Records e à banda Death. Symbolic é um ótimo trabalho.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Front Zine 15
Este número 15 é um dos poucos “Front Zines” que não estão enquadrados. Lembro de uma interjeição sobre a arte central: “Que porra é essa?”. Eu ficava tentando imaginar de onde Fábio Prestes se inspirava pra criar uma ilustração tão bizarra e surreal. Talvez algum psicólogo explicasse. O texto de minha autoria é uma sucinta resenha de um livro de Robert E. Howard, com seus primeiros textos do famoso personagem Conan. Eu não a reproduzirei aqui, por ter a intenção de realizar uma resenha mais trabalhada para este blog, deste livro em si. Como nosso espaço era limitadíssimo, nesse trabalho coletivo do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, nossas resenhas também tinham de ser concisas.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Front Zine 14
Mais uma vez a morbidez volta a ser característica da arte de Fábio Prestes no centro de um Front Zine. Desta vez, este número 14, não teve a arte em todo o fundo da página, como fizemos em alguns números anteriores. Numa exposição itinerante, cheguei a ver uma garota expressar nojo ao ver este trabalho. Fico imaginando as centenas de pessoas conservadoras que abriam o seu jornal em casa e davam de cara com esse trabalho.
VIRUS 100
Atenção! Atenção! Amigos leitores! O selo independente de Jello Biafra, o Alternative Tentacles Records, fez chegar em nossas mãos uma coletânea intitulada Virus 100. Mais do que uma simples coletânea, o CD é um tributo ao Dead Kennedys feitas por bandas do calibre de Faith No More, L7, Kramer, Sepultura, Victims Family, Napalm Death e outras. Nomes famosos à parte, a faixa mais criativa é da banda Nomeansno, que leva a música Forward To Death à capela. Mojo Nixon & The Toadliquors atacam de rockabilly com The Winnebago Warrior. Disponsable Heroes Of Hiphoprisy mistura afro com dance em Califórnia Uber Alles. O multi instrumentista Kramer mostra uma versão, no mínimo assustadora, de Insight. Napalm Death e Sepultura estouram qualquer tímpano com Nazi Punks Fuck Off e Drug Me. Ao menos uma vez você tem que escutar essa obra de arte.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Front Zine 13
De todos os “Front Zines” lançados, este número 13 é o que tem maior participação de minha parte. Dos 6 textos compostos, 3 são de minha autoria, sendo que éramos 5 artistas realizando esse trabalho coletivo semanal. Abaixo eu reproduzirei apenas um, que é uma curta resenha de um disco da banda Garotos Podres. Pois, os outros serão refeitos com mais detalhes e melhor elaboração para, em breve, serem postadas neste blog.
Terceiro e melhor disco dos Garotos Podres, que depois de conquistarem o horário nobre do Jô Soares e a conceituada crônica de Elio Gaspari (verdade!), chegam conquistando o mercado externo (dez entre dez punks portugueses preferem Garotos Podres à excelente banda portuguesa Mata Ratos). Produzido por Roger Rocha Moreira (Ultraje a Rigor), “Canções Para Ninar” é porrada do começo ao fim. As letras continuam inteligentes e diretas. Destaque do CD é que, além das nove faixas inéditas, vem como bônus “Johnny”, “Anarquia” e “Papai Noel”, as melhores do primeiro disco. Parabéns à Rotten.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Front Zine 12
A psicopatia era um resquício na psicologia da arte central do Front Zine feita por Fábio Prestes. Ver a reação das pessoas era sempre muito divertido, ainda mais por saberem tratar-se de uma página de um jornal. Logo, toda a cidade via nosso trabalho doentio semanalmente.
Nesta edição de n° 12 eu cometi um erro crucial devido à pressa na criação. Os 20 anos da banda The Cramps, me foram escritos como apenas 10. A prova de que a falta de atenção pode destruir o mais simples dos trabalhos. Abaixo segue a reprodução, já com a devida correção, do texto.
OS 20 ANOS DE CRAMPS
São Francisco, 1976. Misturando surf music e rock pesado, os Cramps criam o estilo mais demente, excitante e divertido de som, o psychobilly, inspirados nas HQs de terror dos anos 60 e pelo trash movie. As letras tratam de lobisomens, sado masoquismo e serial killers verídicos com o maior bom humor possível. No público, 80% das mulheres de preto com peças transparentes e decotadas, pintadas com forte maquiagem. No palco o casal Lux Interior e Poison Ivy arrastam-se pelo chão, molham tudo e todos com vinho vagabundo e quebram microfones e pedestais. O clima é de uma grande “suruba musical”. Todos estão gritando e pulando como pipoca. Aqui resta-nos o consolo das importadoras, pois em vinte anos de banda e mais de dez discos na estrada, somente dois chegaram aqui: Look Moon, No Head e Flamejob.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Front Zine 11
Mais uma vez a violência era algo explorado na ilustração central de um Front Zine. Fábio Prestes estava mandando ver e não nos importávamos com os comentários que faziam a nosso respeito e aos olhares que nos lançavam quando íamos na redação do jornal entregar esse trabalho semanal que realizávamos. Tínhamos que aproveitar enquanto gozávamos dessa liberdade e ainda éramos pagos por isso. Infelizmente não durou muito mesmo, mas os registros estão aí para darmos boas gargalhadas com as lembranças.
O texto de minha autoria é uma pequena resenha de um filme, já resenhado aqui. Contudo, reproduzo abaixo o escrito somente para fins de registros.
THE SWINDLLE CONTINUES...
Lançado em 1980, o filme The Great Rock And Roll Swindlle traz Malcolm McLaren contando seu plano de emplacar uma banda enlatada (Sex Pistols), formada não por músicos, mas sim por punks. Apesar da farsa assumida, ainda podemos assistir ao lado bom da banda, com passagens em desenho animado e cenas verídicas históricas (com a banda ao vivo). Lançado pela Polygram, o vídeo está disponível nas locadoras.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Front Zine 10
A ilustração central do “Front Zine” n° 10 era de uma história em quadrinhos de Fábio Prestes chamada “Desastre”. Muita gente perguntava: - Que diabo é isso? – quando olhava a pintura. Nosso trabalho estava cada vez mais sob observação na redação do Jornal que publicava a página. Porém, não desanimávamos. O mais bacana era ainda receber pagamento pra fazer o serviço.
O texto de minha autoria é uma singela resenha (os textos tinham de ser curtos devido ao pouco espaço que tínhamos) sobre um disco clássico da banda norte americana de thrash/crossover “Anthrax”, que eu reproduzo a seguir.
AMONG THE LIVING
Com certeza, o melhor registro do Anthrax. A faixa título abre o CD e é uma das melhores músicas já feitas por Joe Belladonna, Scott Ian e cia. Caught In a Mosh há muito é considerada clássico. I Am The Law é a referência para Dredd. Isso mesmo: Juiz Dredd. E Indians possui um refrão que não sai da cabeça. O disco todo é calcado no thrash americano – agressivo e técnico. Uma boa pra quem não conhece o trabalho do Anthrax.
sábado, 27 de novembro de 2010
Front Zine 9
Assim como a edição de número 7, o Front Zine de número 9 possui uma ilustração central com características góticas. Outras mais violentas foram publicadas, mas essas góticas eram as que mais despertavam comentários por terem uma discreta alusão às religiões. “Malucos” era a qualidade mais educada dirigida para nós. Era muito gostoso fazer esse trabalho.
O texto de minha autoria era uma sucinta resenha de um disco do Kiss que eu reproduzo em seguida, com a observação de ter sido escrita em 1996.
UNMASKED
Obra prima do Kiss, Unmasked foi lançado em 1980. Infelizmente não consta nenhum dos clássicos da banda, resumindo-se num rock’n roll simples com levadas pop, como a faixa Shandi. O destaque é, logicamente a capa ilustrada com uma HQ. Aliás, a banda realmente teve sua própria revista em quadrinhos e já foi tema até de desenho animado. Enfim, um CD que deveria estar em qualquer coleção. Disponível na Rock Store.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Front Zine 8
Quando mostrei o Front Zine n° 8 para uma determinada colega, ela disse:
- Mas essa ilustração central é de autoria do H. Giger, o criador do monstro do filme “Aliens”.
Até então ela só havia visto Front Zines com ilustrações de nossa autoria. Eu rebati facilmente:
- Apesar de ser um trabalho profissional lançado em um jornal, ainda assim tem o caráter de um fanzine. Por isso que tem esse nome. E uma das maiores características de fanzines é a cópia, o uso não autorizado e a pirataria. Porque não poderíamos usar uma ilustração de um artista que apreciamos?
Ela parece não ter aceitado muito bem minha resposta, mas acabou conformando-se.
O texto de minha autoria deste número é uma singela resenha de um lançamento de Alice Cooper, que reproduzo em seguida.
MÚSICA E HQ – A ÚLTIMA TENTAÇÃO
Há exatamente dois anos, Alice Cooper lançava seu álbum The Last Temptation, que contava em sua capa, com a belíssima produção gráfica de Dave McKean (o mesmo de Asilo Arkhan e capas de Sandman). Até a 5ª faixa do disco, Alice Cooper chega a lembrar os bons tempos com um excelente Rock’n Roll pesado. Mas, da 6ª em diante, o repertório cai em baladas monótonas, estilo Bon Jovi. Cleansed By Fire vem para fechar (e salvar) o disco num clima denso e obscuro, como num pesadelo. O encarte, além das letras, traz uma HQ escrita por Neil Gaiman (escritor de Sandman) tendo Alice Cooper como personagem. The Last Temptation vale para apreciadores e colecionadores de rock e quadrinhos.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Front Zine 7
Lembro quando eu e Fábio Prestes fomos na redação do Jornal do Norte entregar o produto final do Front Zine n° 7. O meio que usávamos ainda era o disquete. A funcionária que nos recebia, era muito atenciosa e quase fã de nossa página. Quando ela abriu o arquivo num computador, falou num ímpeto espontâneo: -Vocês estão cada vez mais loucos!
Eu e Fábio só soltávamos sorrisos cínicos.
Lembro de ter visto um crente reclamando da arte central desse Front Zine numa das exposições itinerantes com o trabalho. Dizia que era coisa do demônio e que os autores estavam condenados a irem pro inferno. Evidentemente que não me identifiquei e nem sequer cheguei a conversar com o coitado fundamentalista, mas me afastei sorridente e com um sentimento confortante de dever cumprido.
O texto de minha autoria desse número divulgava quatro lojas locais de discos e acessórios de rock que infelizmente não existem mais hoje.
domingo, 24 de outubro de 2010
Front Zine 6
Normalmente nas modificações feitas em fotos através do Photoshop, as pessoas procuram melhorias estéticas como emagrecimento ou efeitos de cirurgias plásticas. Porém, no “Front Zine” n° 6, Fábio Prestes, novamente em homenagem a seus ídolos clássicos, deu uma engordada em Davi, a escultura renascentista de Michelangelo que demonstra, na naturalidade do relaxamento, uma anatomia masculina perfeita. A manipulação é perfeita e até hoje desperta sorrisos em quem a olha.
O texto de minha autoria (que reproduzo em seguida) explana numa sutil resenha a demo tape da extinta banda de thrash “Darkest Fears”, que teve em sua capa a pintura do próprio Fábio Prestes usada como arte central do Front Zine n° 5.
Mais uma ótima banda do cenário local. Darkest Fears lançando sua primeira demo tape, “Incomplete Minds”, nos serve um prato cheio de bom gosto em rock pesado. De cara, percebe-se a forte influência de Anthrax, Helloween e Suicidal Tendencies, sem perder sua personalidade. “Deadly Years”, “Dead In The Long Avenue” e “Never” mostram os bonitos efeitos conseguidos pelo guitarrista solo.”Devotion Song” e “Hidden” já deviam estar rolando na “Demo MTV” (sem exagero algum). “What’s Rage” e “Arabian Graves” são as melhores músicas, que chegam a impressionar pela excelente qualidade de gravação e o completíssimo encarte, com fotos da banda, letras das canções e créditos. Realmente recomendável, “Incomplete Minds” pode ser adquirida na Rock Store Discos, rua Barroso, edifício Alfredo Cunha, loja 7. Corra para pegar a sua!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Front Zine 5
Foi a partir do “Front Zine” n° 5 que passamos a ter fama (ou infâmia) de loucos na redação do Jornal do Norte. Eu sempre ia com Fábio Prestes na redação levar o nosso trabalho semanal. Notei que desde então as pessoas nos olhavam estranhamente quando entrávamos no ambiente. Os jovens (a maioria) nos olhavam com sorrisos nos rostos e um certo brilho nos olhos de quem diz: “Isso aí! Vocês fazem o que nós gostaríamos de fazer, mas não temos liberdade para tal”. Já os velhos conservadores (uma minoria, mas que ditavam a ordem no Jornal) nos olhavam com desprezo e até um certo nojo como quem diz: “Vagabundos! O que vocês fazem não é arte. É lixo visual!”. Por nossa sorte. Um desses velhos poderosos tinha uma visão vanguardista e bem a frente de nosso tempo. Portanto, gostava muito de nosso trabalho e nos dava toda a liberdade que precisávamos pra realizar a página.
A ilustração de Fábio Prestes usada no centro da página, também foi usada pela extinta banda “Darkest Fears” para a capa de sua demo tape. Meu texto nesse número do Front Zine se resumiu a uma divulgação de um selo independente.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Front Zine 4
O “Front Zine” n° 4 tem uma história curiosa. O fundo da página era pra ser um preto chapado, mas quando vimos o resultado final na impressão no jornal, ficamos estupefatos em ver o fundo cor de rosa. A desculpa esfarrapada que nos deram era que a tinta preta estava racionada no dia e pra não comprometer a impressão do jornal como um todo, tiveram de optar por uma cor mais clara para o fundo de nossa página. Ficamos indignados, porque nem sequer fomos consultados sobre uma sugestão de cor clara que poderíamos dar. Talvez o próprio branco fosse melhor que o cor de rosa, devido ao próprio conceito do Front Zine. Imaginamos que seria uma espécie de sabotagem de nossos detratores que atuavam dentro da redação. Nos vingaríamos mais tarde fazendo páginas ainda mais agressivas.
Depois da ilustração reproduzo a resenha que fiz para um disco da banda de hard core inglês GBH.
GBH
Uma das bandas mais viscerais da Europa apresenta seu mais novo trabalho “From Here To Eternity”, que deixa bem explícita a diferença entre o hard core americano e o inglês. Enquanto o yankee (Bad Religion, Green Day...) é limpo e melódico com influência pop, o punk inglês (English Dogs, Exploited...) é rápido, cru e distorcido.
O GBH (Grã Bretanha Hard Core, pra quem não sabe), apesar de quase 20 anos de existência nos brinda com canções sutilmente pesadas como “New Decade”, “Mass Production”, “You Don’t Do Enough” e “Destroy”, mas o destaque vai para a maravilhosa “Moonshine Song”, que faz você dormir com o ritmo da música em sua cabeça.
A formação da banda continua a mesma e o disco foi lançado pelo selo Rough Justice. Confira.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Front Zine Em Exposição
Depois que Fábio Prestes me passou 13 números do “Front Zine” enquadrados como posters, fiquei tentando imaginar o que eu poderia fazer com aquilo, além de ornamentar mais ainda as paredes de meu quarto. Olhei pros quadros pensativo e percebi que poderia mostrá-los em exposições, visto eles já estarem apresentáveis pra isso. Seria uma exposição itinerante do trabalho coletivo de alguns Quadrinheiros. Consultei os nomes envolvidos e todos deram aval sem nenhum interesse em especial. Comecei a minha mobilização solitária pra divulgar um trabalho coletivo. Por algumas vezes cheguei a carregá-los dentro de ônibus, como os farofeiros que carregam suas tralhas. Sempre havia um texto apresentando aquela loucura visual que ficava exposto junto aos quadros. Dentre vários lugares onde houve a exposição, lembro do Espaço Cultural Valer, do Espaço Cultural do SESC, da Faculdade Martha Falcão, do evento Arte Na Praça e do Ao Mirante Bar. Neste último lugar, levei o amigo Adelino Lobato pra ajudar-me na montagem. Na época eu ainda fumava maconha. Enchemos a cara de cannabis no show que houve na casa no dia de abertura da exposição.
O bacana de expor esse trabalho é ver a cara de espanto das pessoas que olhavam a arte mórbida de Fábio Prestes e ficavam imaginando como isso poderia ter sido uma página semanal num jornal de grande circulação. Alguns mostraram interesse em comprar os quadros, mas também cheguei a escutar acusações do trabalho tratar-se de obras de mau gosto.
Abaixo, um dos cartazes de uma das exposições do “Front Zine”, que a qualquer momento pode voltar a ser exposto em algum lugar da cidade que permitir o ato.
domingo, 26 de setembro de 2010
Front Zine 3
No “Front Zine” n° 3 Fábio Prestes, como fã de Leonardo Da Vinci, fez a sua devida homenagem. A partir de então, sem querer, começamos a chamar a atenção dos funcionários do Jornal Do Norte. Reproduzo abaixo o texto de minha autoria por estar ilegível na foto da página.
ROCK EM DECADÊNCIA
Por onde anda o bom e velho Rock ‘n’ Roll? Antes purista e envolvente, agora encontra-se falsário e medíocre? O rufar dos tambores que introduziram os anos 80 mostrou-se enlatados com “armas e rosas” e conservantes para durar como moda. Tony Iommy que nos perdoe, mas o Black Sabbath não é mais o mesmo e a muito tempo que a banda deveria ter acabado. Iron Maiden (quem diria, o grande Iron...) provou com seu “Fator X” que estão aí mais pra vender as capas super produzidas e o logotipo bonitinho. “X Factor” é ótimo pra boi dormir. Metallica que era uma das bandas mais undergrounds, tem seu álbum negro nas mãos de qualquer mauricinho. Isto sem contar com as centenas de bandas de hard rock americanas que soam coincidentemente iguais. Se o espaço não fosse tão curto, dezenas de bandas, discos e evidências seriam citados. Na terra da banana Mamilos Matadores plageiam descaradamente Titãs, The Clash, Pantera e outros, enquanto Ira!, Camisa de Vênus, Inocentes, Kães Vadius e a Envergadura Moral continuam com pouco espaço para divulgação.
Bobão estava certo. O rock errou. E feio!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Front Zine 2
Neste “Front Zine”, Fábio Prestes expôs nossa influência de cibercultura. Reproduzo abaixo o texto de minha autoria por estar ilegível na foto do trabalho. Reparem que do número 1 pra este segundo, a diagramação já sofreu uma significatriva mudança. Lembrem-se que o texto dava uma informação que na época (ano de 1996) era novidade.
Já encontra-se em lojas manauaras “Plugado”, o disco de retorno do Camisa de Vênus. Retorno este que já havia acontecido a alguns anos atrás, mas somente para apresentações ao vivo, como mostra este registro feito em novembro do ano passado, que traz as tradicionais “Sílvia”, “Só o Fim”, “Eu Não Matei Joana D’arc”, “Pastor João e a Igreja Invisível”, outras mais do Camisa e muito rock’n roll dos anos 50. A formação da banda é a mesma com a inclusão de Carlos Alberto Calazans nos teclados (o mesmo que tocava contrabaixo na “Envergadura Moral”, banda que acompanhava Raulzito). Vale a pena conferir.
domingo, 12 de setembro de 2010
Front Zine 1
“Front Zine” era uma página semanal, publicada aos sábados, no extinto “Jornal do Norte” em 1996 e produzida pelo Clube dos Quadrinheiros de Manaus, mais precisamente pelos membros: Daniel Dante, Fábio Prestes, João Vicente, Bruno Cavalcante e este que vos escreve. Curiosamente Vicente tinha que assinar o trabalho com o pseudônimo de “Teckiller” por ser funcionário do jornal “A Crítica” e Bruno Cavalcante, que passou a fazer parte da equipe somente a partir do número 12, como sempre muito excêntrico, assinava com “B%C2”. O jornal acabou em pouco tempo por tratar-se de uma grande “lavagem de dinheiro” de um certo Governador que tínhamos e ainda hoje mama nas tetas públicas.
A diagramação e a arte central da página eram feitas por Fábio Prestes. Os demais cuidavam do trabalho de pesquisa dos textos e da contribuição com as fotos e ilustrações. Primeira empreitada profissional do Clube que rendeu uns trocados para cada membro, a folha era influenciada por parapsicologia, mangá, cibercultura, ultra violência e punk rock.
Irei postar as páginas, uma a uma com o passar do tempo e reproduzir os textos de minha autoria, quando estiverem ilegíveis, para facilitar a leitura. Como se tratava de um trabalho jornalístico que abordava cinema, quadrinhos, fanzines, música e tudo a respeito de cultura alternativa, os textos anunciavam novidades daquela época.
Temos 13 desses trabalhos em forma de quadros que estão disponíveis para exposição itinerante e até já foram expostos em alguns espaços culturais.
O Front Zine era chamado de “inovação gráfica” pela maioria e “lixo visual” por alguns funcionários conservadores do jornal. Vocês entenderão o porque, quando verem a evolução do trabalho a cada número. Este número 1 é o mais “comportado”.
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