Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Front Zine 18

Este foi o último número do Front Zine publicado.  Logo em seguida, fomos convocados pra uma reunião com a diretoria do Jornal do Norte.  Alegaram que estavam passando por contenção de custos e não podiam mais ceder uma página semanal e ainda nos remunerar por isso.  Como consolo tentaram nos dar apenas meia página, mas recusamos dignamente, pois iria descaracterizar nossa diagramação inovadora que teria de dividir uma página com alguma coisa aleatória qualquer.  Acabava ali nosso ócio produtivo e remunerado.  Quem acompanhou essas postagens, deve ter percebido que da última postagem pra esta, houve uma diferença com a ausência de dois números.  Pois bem, esses dois que faltam, não temos cópias.  Se por acaso alguém possuir esses exemplares e puder colaborar conosco, agradeceremos profundamente.
A matéria de minha autoria nesse exemplar é uma sucinta resenha de “Symbolic”, um ótimo disco da banda “Death” que eu reproduzo abaixo.




DEATH

Esqueça tudo que você já ouviu da banda Death.  Symbolic é o último e melhor trabalho deste quarteto, que agora mostra evolução e profissionalismo.  Evolução porque a voz de Chuck Schuldiner não está tão “rasgada” e incompreensível como nos primeiros trabalhos da banda.  E profissionalismo porque, tecnicamente, os músicos estão competentíssimos e trabalham com harmonia e progressão nas longas e complexas canções.  As letras ainda vagueiam pelo sobrenatural, mas agora de uma forma bem mais variada.  Os destaques do disco vão para Perennial Quest e a boa Misanthrope.  Porém, todas as nove faixas são excelentes.  Parabéns à Roadrunner Records e à banda Death.  Symbolic é um ótimo trabalho.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Drunna

Série de ficção científica erótica em quadrinhos criada pelo escritor e desenhista italiano Paolo Eleuteri Serpieri, com roteiro fantástico num mundo futurista e apocalíptico.  A personagem principal que dá nome à série, é uma belíssima morena baseada (conforme palavras do próprio autor) numa mulher brasileira com corpo torneado e sensualidade latente.  Em algumas passagens o erotismo chega ao explícito, mas a excelente arte não deixa cair na vulgaridade.
Num mundo dominado por um vírus que transmuta e perverte seres humanos, Drunna vagueia e se prostitui em busca da cura para seu amado namorado contaminado.  Enfim, o caráter ninfomaníaco desta beldade, na realidade é em prol do verdadeiro e mais puro amor.  O absurdo surreal e a violência também são detalhes constantes nas histórias.  Como Paolo é um ótimo desenhista, os quadrinhos chamam a atenção, não só pelo erotismo, mas também pelo teor artístico.  As cores bem distribuídas, a anatomia perfeita, os movimentos sugeridos e o clima dantesco são notados por leitores cultos ou leigos.  Como sempre deixando aquele gostinho de “quero mais” a cada leitura.
A princípio as histórias saíram na revista Heavy Metal (já citada neste blog), mas não demorou pra ganharem álbuns especiais solos, lançados pela própria editora Heavy Metal.  Incrivelmente publicados no Brasil, fizeram a satisfação de muitos jovens e adultos.  Uma animação da série respeitando o traço seria o clímax.
Procurem.  Vale a pena conhecer.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fobia

Fobia da cultura
Fobia da censura
Fobia da fartura
Fobia da loucura.

Fobia do facismo
Fobia do racismo
Fobia do simplismo
Fobia do egoísmo.

Fobia do Apartheid
Fobia da verdade
Fobia da mentira
Fobia da fobia.

Fobia da família
Fobia dos amigos
Fobia dos inimigos
Fobia de mim mesmo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Glossário Orestes - D, E e F

D
Dama sf. Designação atenciosa dada para mulher nobre, de grande valia ou respeitosa; Angelina Jolie, Dana Scully.
Delatar vt. Revelar algo prejudicando sempre alguém; Caguetar.
Delírio sm. 1. Estado obscurecido da consciência. 2. quadri. Irmã de Sandman. 3. Constante em sessões religiosas.
Demônio sm. Originado do grego, significa conhecimento. Utilizado erroneamente pela grande maioria.
Destino sm. 1. Lugar para onde se encaminha algo ou alguém. 2. quadri. Irmão mais velho de Sandman.
Destruição sf. 1. Demolição; arruinação. 2. quadri. Irmão de Sandman
Diabo sm. 1. Diferente de demônio. Entidade mitológica que representa o mal. Lúcifer, Satanás. 2. George W. Bush e Amazonino Mendes.
Droga sf. 1. Qualquer substância de medicamento vendida em drogarias. 2. Substância entorpecente que amplia a consciência e os sentidos, usada erroneamente pela grande maioria. 3. Conteúdo de jornais e revistas; programação da televisão.

E
Égua sf. 1. Fêmea do cavalo; esposa do Kid Bengala. 2. interj. Dita pelo trabalhador ao ver sua carga horária de trabalho.
Emprego (ê) sm. 1. Ato de empregar. 2. Diferente de trabalho, cargo ocupado em órgão ou instituição onde o empregado ganha salário realizando pouco serviço em poucas horas no local de trabalho.
Enigma sm. Coisa obscura; mente da fêmea; intuito do político.
Espetáculo sm. 1. Aquilo que chama a atenção e atrai o olhar; Júlia Paes. 2. Representação teatral ou governamental usada para entreter.
Esposa (ô) sf. 1. Cônjuge fêmea; a mulher do marido. 2. Problema tido até que a morte ou o juízo separe.

F
Fábula sf. História mitológica na qual, em geral, tem animais ou entidades como personagens; Constituição Federal.
Fabular vt. Narrar em forma de fábula; promessa do empresariado e do político.
Fome sf. 1. Grande apetite de alimentos. 2. Apetite perpetuado como maneira governamental do controle de natalidade.
Fraude sf. 1. Burla a verdade. 2. Prestação de conta do empresariado e do político.
Fundo adj. 1. Que tem fundura. 2. sm. Pra onde o povo é sempre encaminhado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Charles Bukowski

Também conhecido como o “velho safado”, Henry Charles Bukowski foi um dos escritores mais devassos que já existiu.  Alemão naturalizado norte americano, faleceu aos 73 anos de idade em Los Angeles, no ano de 1994, devido a uma leucemia.  Contista e romancista tem seus escritos, geralmente na primeira pessoa, narrando suas experiências auto biográficas com trabalhos braçais, porres memoráveis e prazeres com prostitutas baratas.  Quando o cenário não era um quarto de motel de 5ª categoria, era algum beco escuro ou algum bar underground infestado de marginais, bêbados, drogados, travestis e outros personagens notívagos.  O cômico muitas vezes se misturava com o trágico que evidenciava todas as surpresas constantes no submundo etílico e boêmio.  O desleixo, a auto destruição insalubre e a sobrevivência decadente estão onipresentes sem censuras, mas com uma construção simples e indiscreta digna de grandes mestres da poesia.
Publicou dezenas de livros, dentre os mais famosos estão “Mulheres”, “Hollywood”, “Pulp” e “Cartas Na Rua”.  Sua personalidade descarada e suas publicações despudoradas inspiraram bandas como Red Hot Chilli Peppers, Anthrax, HIM, Modest Mouse, dentre outras.  Fez vários trabalhos de encomenda para o cinema e teve alguns filmes baseados em seus livros.  O biográfico de maior projeção, certamente foi o ótimo “Barfly” de 1987.  Dirigido e produzido por Barbet Schoreder, estrelado por Mickey Rourke e Faye Dunaway, esta película de 100 minutos tem a aparição do próprio Bukowski como registro.  A produção em si foi um pesadelo para Bukowski que odiava ter de acordar cedo e comparecer pontualmente nos estúdios de gravação, enquanto o ator que lhe interpretava sempre chegava atrasado e com ressaca.
Inspiração para muitos e odiado por tantos outros, Charles Bukowski conseguiu destacar-se dentre os muitos poetas da boemia, devido a seu caradurismo que sempre lhe acarretava em brigas e confusões, e também devido ao seu humor único e auto caricato.  De fácil acesso por ter publicações em pocket books, merece atenção e leitura.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Heavy Metal - Trailer

Como na resenha feita para este desenho longa metragem, não é possível expor toda a qualidade do trabalho, segue abaixo o trailer oficial de “Heavy Metal”. A variedade de imagens pode parecer estranha, mas se trata de apenas uma história, porém, muito bem bolada. Destaque total para a trilha sonora que faz jus ao nome do filme.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dicas para Sucesso no Plantio da Maconha

Como a maioria já sabe, eu não fumo maconha já tem alguns anos.  Contudo, ainda continuo com os mesmos ideais de legalização, devido à necessidade que se faz de parar com a mortandade, devido ao tráfico, e alavancar nossa economia e diversos outros setores.  Recomendo leitura do artigo “Qual O Motivo Da Maconha Não Ser Legalizada”, deste blog, para maior entendimento do assunto e de meu ponto de vista.  Por isso mesmo que continuo lendo a respeito e me interessando por qualquer novidade relacionada ao assunto.  Devido a tal know how, sempre sou questionado sobre o modo de plantio dessa erva maldita.  Como sei que não se trata de um processo fácil e requer determinada explicação (isso considerando-se o processo de plantio mais viável, pois existem vários), descrevo abaixo o passo a passo para sucesso na empreitada.

1ª etapa: seleção de sementes
Após ter uma certa quantia de sementes (preferencialmente acima de uma dúzia, devido à fragilidade das espécies sativas e indicas), colocam-se elas submersas num recipiente com água.  Aguarda-se 24 horas.  Após o prazo de descanso, descarta-se as sementes que boiarem, por serem as estéreis e aproveita-se as que ficarem no fundo, por serem as férteis.
2ª etapa: germinação
As sementes férteis devem ser germinadas no algodão com água.  Num pires, prato ou qualquer outro recipiente com tais características, coloca-se um monte de algodão molhado ao centro.  Espalham-se as sementes com uma certa distância entre elas em cima do monte de algodão e completa-se o recipiente com água, de forma que o algodão pareça uma “ilha” encharcada.  Tem de haver um acompanhamento diário para se completar o recipiente com água, não deixando-o secar com o evaporar natural.  Não carece que seja feita ao ar livre.  O amarelar do algodão é normal.  Em cerca de 5 dias a uma semana nascerão as primeiras folhinhas.  O processo de manutenção deve continuar até que a germinação alcance o tamanho mínimo de 10 cm.
3ª etapa: fortificação da muda
Assim que a muda alcançar o tamanho indicado acima, transfere-se ela para um vaso com terra preta, juntamente com o algodão no qual a raiz já estará incorporada.  O algodão deverá ser coberto pela terra, como se ele fosse parte da raiz.  Não se pode transferir a muda diretamente para o solo, senão ela morrerá.  O vaso deverá ter no mínimo um palmo de terra para que a raiz possa crescer sem atrofiamento, afetando assim o desenvolvimento da planta.  O vaso terá de ser mantido dentro de um recipiente maior com água, exatamente como uma “ilha”.  Deste modo a muda ficará protegida de formigas.  Não me pergunte porque, mas formigas adoram pés de maconha novos.  Ou então, deve ser feita uma proteção de tela fina que envolva toda a planta (inclusive a parte superior), mas atente em dar espaço para o crescimento do vegetal.  Desde então o vaso com a planta, deve ser exposto ao sol da manhã, entre as 7:00 até as 9:30.  Caso a muda apanhe sol fora desse horário ou um forte temporal, provavelmente morrerá.  Regar moderadamente.  As folhas secas poderão ser colhidas para consumo, mas elas possuem fraco teor de THC (princípio ativo da maconha).
4ª etapa: fase adulta da planta e colheita
Quando a muda alcançar 50 cm, deverá ser transplantada para o solo.  Ideal seria que ela ficasse plantada em um local que pegue somente o sol da manhã.  O transplante deve ser feito junto com a mesma terra do vaso.  Se o solo for muito pobre (argiloso ou arenoso demais), deve ser enriquecido com terra preta no ato do transplante e com adubo periodicamente.  Quando a planta alcançar 1 metro de altura, pode-a.  Deste modo ela ramificará, produzindo mais cachos chamados “camarões”, que possuem as sementes e a parte de maior concentração do princípio ativo.  Dentro de algumas semanas começarão a nascer os primeiros “camarões”.  Quando estes alcançarem o tamanho de 12 cm, já poderão ser colhidos para consumo.  Caso a planta alcance o tamanho de 1 metro e meio e não produza os “camarões”, sinto muito, você deu azar e germinou um pé macho.  Mate-o, seque as folhas e consuma, mas tudo terá fraquíssima concentração de THC.  Mais indicado para o chá, que é ótimo para o aparelho digestivo.  Toda a planta, inclusive a raiz, pode ser usada para o chá.  Se aparecerem os “camarões”, você teve sorte, germinou uma fêmea.  Comemore.  Aliás, fumemore.  Tanto a sativa quanto a indica, podem alcançar o tamanho acima de 2 metros de altura, dependendo do solo, da qualidade das sementes, do cuidado na manutenção etc.
Lembre-se que mais vale você plantar para o consumo, a se arriscar no envolvimento com tráfico e gastar dinheiro desnecessariamente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Amanhecer Dos Mortos - Parte 2

Meu primo Fernando Crispim, um dia fez um curta metragem independente, que chegou a ser exibido num desses festivais de cinema promovido pelo Estado.  Um filme trash de terror sobre zumbis chamado “O Amanhecer Dos Mortos”.  Mais clichê impossível.  Sinceramente nunca assisti, mas por pura falta de oportunidade.  Certo dia ele me pediu ajuda para produzir o texto do filme que seria a continuação da história.  Lógico que aceitei.  Ele veio até aqui e depois de algumas horas no meu computador, estava pronto o roteiro de “O Amanhecer Dos Mortos – Parte 2”.  Ele me confessou depois que mudou alguma coisa e até hoje a produção nunca foi filmada, por estar aguardando subsídio.  De qualquer forma, participei como co roteirista e o resultado eu disponibilizo abaixo.  A formatação é padrão de roteiro de cinema.



CENA 01
Estrada
Exterior
Amanhecer

Em uma estrada deserta em perímetro rural, cinco pessoas, quatro homens e uma mulher, de carro seguem seu percurso, ao som de “Highway To Hell”, de AC/DC.

O MOTORISTA está vestindo uma camisa surrada escura, calça jeans e sapatos e tem um revólver na cintura. Sentado ao lado dele está O SENHOR, vestindo uma camisa social branca de mangas longas, dobradas até os cotovelos, calça social e sapatos. No banco traseiro estão O FUMANTE, que veste camisa esporte, calça jeans, tênis, usa óculos escuros e fuma um cigarro, A MOÇA, com uma camisola, e O DE BONÉ, com o boné virado para trás, camisa esporte, bermudão e tênis. O SENHOR e O DE BONÉ possuem um pedaço de pau cada um, que utilizam como arma. O FUMANTE tem um facão.

Todos têm a aparência cansada, e A MOÇA está extremamente pálida. O DE BONÉ está cuidando dela.


CENA 02
Carro
Interior
Amanhecer

O marcador de combustível mostra que o carro está quase sem gasolina. Ao visualizarem um posto de gasolina, O MOTORISTA pára o veículo a certa distância. Eles olham atentamente para o posto e seus arredores, depois trocam olhares receosos entre si.


CENA 03
Posto de Gasolina
Exterior
Amanhecer

O posto de gasolina possui uma loja de conveniência e não é possível ver ninguém.

O veículo aproxima-se e pára ao lado de uma bomba de gasolina. Os quatro homens saem do carro com armas em punho, com exceção do MOTORISTA.

            O MOTORISTA
VOCÊS VÃO LÁ!

O MOTORISTA, com um sorriso irônico, levanta a borda de sua camisa mostrando o cabo da arma que carrega na cintura.

Os três passageiros, então, dirigem-se à conveniência ao mesmo tempo em que o motorista passa a encher o tanque de combustível. Antes de entrarem na loja, olham atentamente através das vidraças da loja. Por fora, a loja parece estar vazia.

            O SENHOR
CADA UM VAI ATRÁS DE UMA COISA!

O FUMANTE joga seu cigarro no chão, pendura seus óculos na gola de sua camisa. Então, os três caminham em direção a porta da loja.


CENA 04
Loja de Conveniência
Interior
Amanhecer

Ao adentrarem na loja, tomam sentidos diferentes. O DE BONÉ segue diretamente para o balcão, largando o pedaço de pau em cima dele e contornando-o. Ele se abaixa para procurar um kit de primeiros-socorros.

Um disparo de arma de fogo vindo de fora da loja chama a atenção dos três. O SENHOR e O FUMANTE vêem, pelas vidraças, O MOTORISTA apontando seu revólver. O DE BONÉ surge por trás do balcão com o kit de primeiros socorros em mãos.

O DE BONÉ não nota a presença de um morto vivo vindo em sua direção pelas costas. O morto vivo o ataca de surpresa, fazendo que ele grite de susto e terror. Com o ataque,os dois vão parar no chão e nada mais se escuta.

Os outros dois passageiros voltam seus olhares para o balcão já em estado de alerta para um possível ataque, quando três mortos vivos saem de dentro do banheiro para atacar O SENHOR.

Ele ataca um morto vivo com uma paulada nocauteando-o, mas é ineficaz ao defender-se dos outros dois.

            O SENHOR (gritando)
ME AJUDA, PORRA!

O FUMANTE, num ataque feroz com seu facão, esquarteja os dois mortos vivos que ainda atacavam O SENHOR. Ele olha fixamente para o colega ensangüentado

            O SENHOR
Ele me mordeu!

Sem perder tempo, O FUMANTE mata o companheiro.

Ele pára por um momento e olha a sangrenta cena ao seu redor, revelando um caminho de sangue vindo do balcão em sua direção. Instantes depois, grita de dor e com um movimento letal decepa a cabeça do morto vivo que sorrateiramente o mordeu na canela.


CENA 05
Posto de Gasolina
Exterior
Amanhecer

Ainda enchendo o tanque de gasolina, O MOTORISTA da tiros esporádicos com a perigosa aproximação de mortos vivos. Sem muita demora, O FUMANTE sai da loja em direção ao carro. O MOTORISTA atina para o ferimento na canela do sujeito e mira sua arma.

            O FUMANTE (implorando)
NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO!

Como se dito nada, o disparo é realizado tirando-lhe a vida.

O MOTORISTA caminha em direção ao FUMANTE, toma-lhe os óculos e coloca em seu rosto.


CENA 06
Carro
Interior
Amanhecer

O MOTORISTA entra no carro dando a ignição e saindo com o veículo. Ao passar por cima de um corpo o motorista liga o aparelho de som do carro que continua a tocar “Highway To Hell” e ri ironicamente. Ao ajustar o retrovisor interno, ele se assusta ao deparar com o reflexo da MOÇA já morta viva. Ela avança rapidamente em direção a seu pescoço sem oferecer condições de reação para a vítima.


CENA 07
Estrada
Exterior
Amanhecer

O veículo segue em linha reta por vários metros. É possível ver o ataque canibal que ocorre em seu interior. Em seguida sai desgovernadamente da estrada.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

House

Dificilmente eu me apego por um seriado de televisão.  Creio que o último, na qual eu me senti na obrigatoriedade de assistir todos os episódios de todas as temporadas, foi “Arquivo X”.  Um dia me recomendaram assistir “House”, que passa no Universal Channel (no Brasil).  Sinceramente não senti muita vontade.  Os poucos segundos que passei pelo canal quando, o seriado era transmitido, não me atraíram a atenção.  Mesmo porque gosto de assistir a um filme pelo começo, em vez de “pegar o barco andando”.  Mas num certo dia, enquanto fazia um lanche, o dito seriado estava começando.  Deixei rolar.  Me identifiquei imediatamente com o personagem que dá nome a série.  Paixão à primeira audiência.
O drama (com tendências a comédia) médico foi criado pelo jovem americano David Shore.  Começou a ser exibido no ano de 2004 e hoje já se encontra na 7ª temporada.  As histórias teem como cenário um conceituado hospital universitário público fictício do Estado de Nova Jersey.  Cada episódio é um caso clínico baseado numa doença verídica, quase sempre rara ou de difícil diagnóstico.  Quando nenhum médico e nenhum hospital conseguem detectar o mal do enfermo, este é enviado para o Dr. Gregory House (interpretado brilhantemente pelo inglês Hugh Laurie).  O médico reconhecido pelos diagnósticos precisos e por métodos não convencionais de tratamento, possui uma equipe de Diagnóstico Médico que ajuda a desvendar o caso com as hipóteses levantadas no decorrer do capítulo.  Tudo com muita discussão, controvérsia, testes realizados, coleta de pistas e horas de trabalho incessante.  Além da equipe médica de apoio, House possui um grande amigo, Dr. James Wilson (interpretado por Robert Sean Leonard) um oncologista que sempre auxilia o inseparável amigo, e sua chefa Drª. Lisa Cuddy (interpretada por Lisa Edelstein), que também não consegue viver sem House.  Até aí nada de mais se não fosse por um detalhe.  A personalidade de House.  Ele se droga constantemente (durante o trabalho mesmo) para evitar as dores de um sério problema pós operatório na perna, que o faz mancar e andar com bengala, nunca veste a bata branca, não tem o visual clean (sempre com barba por fazer e cabelos despenteados), é anti social (ao extremo de odiar relacionar-se com seus pacientes), cético radical, mau humorado e sarcástico.  Muito sarcástico mesmo a ponto de ser detestado por todos.  Porém, algumas frases irônicas dele são simplesmente geniais.  Está sempre fazendo uso de metáforas para expressar sua razão ou seu sarcasmo e nas horas vagas gosta de tocar piano ou guitarra.  O que faz com que todos tenham de aceitar sua personalidade difícil é o fato dele ser muito bom no que faz e estar sempre com a razão no diagnóstico.  Um anti herói da medicina moderna.
O ótimo elenco e os excelentes diálogos combinados, já renderam vários prêmios para a série, incluindo o de melhor ator para Hugh Laurie.  Diversão garantida, com um pé no realismo e sem deixar a inteligência em segundo plano, House também é transmitido na TV aberta, mas com péssima dublagem.  Procurem o legendado do Universal Channel que, além de episódios das temporadas passadas, exibe a nova temporada.  A série também já é vendida em DVD e está disponível pra download na Internet.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Amazônia Canta Com Anísio Mello

Desde criança eu fui desenhista autodidata, mas tenho orgulho de dizer que fui aluno de Desenho Artístico do mestre Anísio Mello.  Olhar enigmático de expressão instigante, Anísio Thaumaturgo Soriano Mello era um multi mídia carismático.  Desenhista, artista plástico, escultor, compositor, escritor, poeta, jornalista, professor e boêmio, Anísio era membro da Academia Amazonense De Letras, foi um dos fundadores do lendário Clube Da Madrugada e chegou a participar de uma Mesa Redonda num dos Encontros do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus, o qual ele estava sempre me perguntando a respeito.  No ano de 1976, chegou a lançar um disco de composições próprias onde canta e toca violão.  Em 2003 eu apareci em seu Liceu De Artes para solicitar autógrafo em um livro de poemas seu, dentre os vários lançados, bem como no disco.  Fiquei lisonjeado e sem palavras ao ler a dedicatória no autógrafo do livro que diz: “Ao amigo Mário Orestes Silva, inteligência viva, com admiração de Anísio Mello”.  Ao ver o vinil em ótimo estado de conservação, me questionou imediatamente: “Onde você conseguiu isto?  Nem eu tenho um exemplar deste!”.  Senti vontade de lhe presentear com meu exemplar, mas vontade maior mesmo de guardar a sete chaves, como o faço hoje com muito carinho e respeito.  É dessa raridade da música manauara que falarei agora.
“Convite” abre a bolacha.  Uma balada romântica mostrando a exaltação das belezas naturais amazônicas que estarão presentes, senão em todas, mas em boa parte das canções.  “Uma Casa De Caboclo” é a segunda e narra o dia a dia do interiorano amazônida.  Típica poesia de quem nasceu no interior do Amazonas.  A terceira “Tarumã” pode parecer saudosista para os dias de hoje, mas na época de lançamento do disco, as águas desse lugar citado eram límpidas e próprias para o banho da população.  Eu mesmo quando criança, cheguei a me banhar inúmeras vezes com meus pais e irmãs naquelas corredeiras, hoje poluídas.  A mãe d’água é citada dando um ar mitológico à letra.  “Definições” é uma espécie de glossário amazônico que explica de modo bem conciso o significado de vários termos e nomes da região, sendo algumas palavras de origem indígena.  Possui uma linda melodia.  “Saudade Do Rio Mar” é outra com linda melodia e digna de mesa de bar.  Destaque para o piano que acompanha, bem como todo o arranjo.  A bela “Canção Do Juruá” fecha o lado A do disco e poderia muito bem ser gravada por um dos grandes nomes da música popular brasileira.  A que abre o lado B, “Hino Do Seringueiro” é uma marchinha que canta o orgulho do norte brasileiro, quase nacionalista.  “Baião Do Norte” é digna do título.  Um baião mesmo, com pitadas de carimbó.  A terceira “Dança De Nêgo” segue a mesma levada que, assim como a anterior, tem em sua letra características da cultura brasileira.  “Súplica De Amor” é outro baião com levadas de tango.  Também perfeita para ser cantada pela boemia em seu habitat natural.  “Saudade Outra Vez” é um bonito samba canção com letra bem curtinha que mais parece uma dupla de haikais.  A prova de que para um grande poeta, a simplicidade pode ser o seu diferencial.  “Vida De Amor” é uma linda marchinha que fecha o LP com uma letra cheia de esperança e beleza em sua poesia.
A produção é independente e poderia ter melhor acabamento na parte técnica da gravação.  O mestre também não tinha o potencial vocal de Ney Matogrosso, mas não há dúvidas quanto ao peso lírico e poético da obra.  Anísio faleceu em abril de 2010, mas seu legado é gigantesco quanto a tamanho, diversidade e significado para o Amazonas e para o Brasil.  Lembro que no ato do autógrafo, ele me revelou que uma de suas metas era digitalizar esse álbum.  Sei que esse trabalho já deve ter sido feito e tal merecimento tem de ser imediato para o registro histórico de nossa cultura.  Pois “A Amazônia Canta Com Anísio Mello” é uma pérola rara esquecida pela maioria e lembrada por poucos.
Meus olhos se encharcam de lágrimas nessas últimas palavras, não só de saudades do mestre, mas também em gratidão a lenda que me ensinou a ter naturalmente visão crítica sobre desenhos e pinturas.