Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, desenhos, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Qual o Motivo Da Maconha Não Ser Legalizada?


Décadas atrás a maconha era vendida livremente em mercados e farmácias.  Hoje em dia os especialistas são unânimes em afirmar que a dita “guerra contra as drogas” é perdida porque, comprovadamente a humanidade nunca se livrará dos entorpecentes.  Também já está mais do que comprovado que esta maldita erva tem seus benefícios homeopáticos, e é até receitada para o alívio de muitas doenças (até mesmo AIDS).  Tem uma diversidade de uso enorme que varia da indústria têxtil, culinária e cosméticos, sendo que uma vez liberada, diminuiria exponencialmente as mortes causadas pela guerra do tráfego.  Então qual o motivo dela ainda ser proibida?  A resposta para esta pergunta tem duas versões.  A verdade que é abafada por governos, empresários, mídia em geral e a exposta como imposição para opinião pública.
Leite de Cannabis Sativa
Existem três tipos de usuários de drogas.  O primeiro é o usuário “experimental”, que é aquele que usa a droga uma vez na vida, seja por curiosidade ou por influência de terceiros, e nunca mais volta a usar.  O segundo é o usuário “constante”, que é aquele que não consegue viver sem a droga.  Rouba, vende tudo que tiver em mãos e precisa de tratamento para se livrar do uso.  E o terceiro usuário que é o “ocasional”, que é aquele que tem seu trabalho, sua família, seus estudos, enfim, sua vida social normal.  Usa a droga se a tem em mãos num momento específico.  Caso não a tenha, não sente necessidade de sair à procura e só volta a usar quando surgir outra oportunidade recreativa.  Por incrível que pareça, este terceiro, o “ocasional”, soma 80% de todos os usuários de drogas.  Incluindo, é claro, a maioria que se trata de usuários enrustidos.  Em se tratando de maconha, especialistas já provaram que o usuário ocasional pode fazer gozo da erva por até 20 anos, que não terá problemas nenhum de saúde.  Isso, levando-se em consideração que o cidadão não tenha propensão a câncer, problemas cardíacos e outros males que podem ser intensificados com o uso.  Sendo que a maconha é considerada droga “leve” por não causar dependência física, causando somente dependência psicológica, descarta-se de imediato o argumento de que é um problema de saúde pública.  Em muitos países do mundo a maconha é tolerada.  Até a conservadora Inglaterra já tolera o seu uso.  Aqui na América do Sul, recentemente a Argentina declarou a tolerância ao uso.  Numa abrangência que engloba até os países que não toleram o uso, como o Brasil, por exemplo, seu consumo é recomendado legalmente para o alívio de dores localizadas e generalizadas, tumores cancerígenos, enxaquecas, anorexia, insônia e até mesmo AIDS.  A maconha não queima neurônios como o álcool, ela estagna neurônios sem os matá-los.  Cientistas estudam incessantemente esse fenômeno.  Se um dia conseguirem descobrir o porquê, muitas dessas doenças terão sua cura.  Porém, se essas doenças tiverem suas curas declaradas, ou simplesmente o consumo de maconha for receitado em grande escala como alívio homeopático, milhões de dólares deixarão de ir pra indústria farmacêutica com a fabricação e venda, agora incessante, de remédios.  Crie um banco de dados imaginário com o item “A”, representando a milionária indústria farmacêutica que atua no mundo inteiro.
No ramo da culinária, é possível se encontrar os mais variados produtos originados da maconha.  De bebidas fermentadas e destiladas como licor, vinho, cerveja a bebidas alimentícias como leite (veja foto ilustrando o texto de leite de maconha), achocolatado, chá etc.  Comidas doces e salgadas como torta, bolo, brigadeiro, sorvete, bombom, patê, manteiga, biscoito, óleo, pizza, pão, purê etc.  Enfim, é possível se fazer um banquete completo somente com produtos tendo a maconha como ingrediente.  O mais bacana é que, dependendo da receita de preparo, você pode optar por deixar o não o princípio ativo da maconha no alimento.  Isto é, você pode fazer um bolo de maconha, por exemplo, que dê o efeito entorpecente ou não.  Por mais que você opte por deixar o princípio ativo, o alimento (seja ele qual for) não fará os males ao organismo que são feitos no ato de fumar.  Sendo a cannabis (sativa ou indica) uma planta de cultivo relativamente fácil (mais ainda para o clima tropical) e com colheita de médio prazo, presume-se que em pouco tempo surgiriam centenas de produtores independentes no ramo alimentício, caso a planta fosse legalizada.  Centenas de produtores independentes com uma variedade enorme de diversificação de produtos, tornam-se uma ameaça em potencial para os produtores industriais que pagam muitos impostos (não pagos pelos independentes) e demoram meses, as vezes anos, pra conseguirem lançar uma única variedade de um único produto.  Imagine, se por acaso, o cultivo e venda da maconha fosse liberada no mundo.  Uma multinacional como a Nestlé, por exemplo, teria uma queda significativa em suas vendas com o surgimento desses produtores independentes, de pequeno e médio porte, no mundo todo.  Some em seu banco de dados imaginário o item “B”, representando toda a indústria multinacional alimentícia, incluindo também os grandes produtores de bebida alcoólica.
Diversos cosméticos com a Cannabis como insumo
Para a indústria de cosméticos o raciocínio é praticamente o mesmo.  Existem centenas de produtos que podem ser feitos com a maconha como insumo, tais como xampu (veja foto de xampu de maconha ilustrando o texto), cremes diversos, loção, perfume, desodorante, batom etc.  Todos eles, se produzidos por pequenos e médios produtores independentes, estariam livres da carga tributária dos grandes produtores e teriam um tempo hábil de lançamento em suas diversificações muito mais rápido do que as grandes indústrias.  Some o item “C” em seu banco de dados imaginário, representando os grandes produtores multinacionais da indústria de cosméticos.
Não pense que é mito quando se diz que cigarro de tabaco prejudica mais do que cigarro de maconha.  É a mais pura verdade.  No cigarro de tabaco é possível se encontrar nicotina, alcatrão, enxofre, aromatizante, conservante e mais dezenas de outros produtos cancerígenos e maléficos para o organismo.  Verifique a embalagem de qualquer maço de cigarros que você encontrará a relação.  Outro grande problema do tabaco é que ele, diferente da maconha, causa dependência física, além da psicológica.  Por isso que é tão difícil para o fumante parar de fumar.  Na produção industrial de cigarros, também se tem a gigantesca carga tributária (mais de 50% do preço do cigarro tem incluso os impostos) que não é paga pelo produtor de maconha.  Por mais que um dia a produção da erva seja legalizada, ela não terá toda a carga tributária que tem a produção tabagista.  E se por acaso a venda da maconha fosse legalizada, muitos tabagistas iriam migrar para o uso da cannabis, derrubando consideravelmente a venda de cigarros comuns.  Some o item “D” no seu banco de dados imaginários, representando a milionária indústria tabagista mundial.
Temos também a indústria têxtil.  Não precisa de muito tempo de pesquisa na Internet pra se descobrir que a fibra de cânhamo, extraída da maconha, é uma das mais resistentes que a humanidade conhece.  Sua grande resistência é válida não só para a característica de ligamento, como também para a durabilidade.  Para a produção em escala industrial da fibra de cânhamo, a indústria têxtil teria de gastar milhões de dólares replantando a maconha, onde hoje impera hectares de algodão.  E duraria mais de uma temporada de colheita, refazendo todo esse processo, tendo assim, uma paralisação de meses de lucro.  Entram também aqui os pequenos e médios produtores que aproveitariam a legalização da maconha pra realizarem suas produções independentes, livres da carga tributária imposta para a produção industrial.  Existem no mundo algumas marcas que teem a legalização de produção de alguns itens feitos de fibra de cânhamo.  Então é possível se encontrar pra venda no mercado tênis, camisetas, calças, gorros, agasalhos, bonés e outros produtos feitos de cânhamo.  Lógico que a fibra não possui o princípio ativo da planta.  Contudo, ainda é mais rentável para os grandes produtores manter a sua gigantesca rede de algodão e sintéticos já estabelecidos a parar por alguns meses seus lucros e investir pesadamente em nova estrutura de produção.  Agregue o item “E” no banco de dados imaginário representando a indústria têxtil mundial.
Foto de uma das Marchas da Maconha em algum canto
do Brasil
Para finalizar a somatória do banco de dados, coloque o item “F” simbolizando toda a grande quantidade de policiais, delegados, juizes, políticos e outros corruptos equivalentes que ganham muito dinheiro em cima do tráfego de drogas.  Lembrem-se que nosso país está dentre os mais corruptos do mundo e até mesmo aqueles que teem pouca corrupção, teem seus desvios de conduta em cima da 3ª indústria mais rentável do mundo (1º lugar é a indústria bélica, 2º a indústria petrolífica e em 3º lugar vem a indústria das drogas como a mais rentável).  Portanto, todo essa corja de engravatados ou armados que ganha muito dinheiro em cima das drogas, perderia seu “pé de meia”, caso a maconha fosse legalizada.
Agora junte as variáveis do banco de dados e verifique quantos milhões de dólares e euros do mundo todo estão agindo para que a maconha jamais venha a ser legalizada.  Óbvio que agem através da legislação, da formação de opinião pela mídia, subsidiando pesquisas anti drogas, pagando publicações, controlando a educação e de muito mais que não podemos imaginar.  Contudo isso, conclui-se que ainda demorará algumas décadas até que a maconha seja descriminalizada.  Enquanto milhares de pessoas morrem a toa por causa do tráfico e milhares de outras sofrem sem usufruir dos benefícios da legalização, algumas centenas continuam enriquecendo.  A resposta pode ser um pouco complexa para alguns, mas ela está dada e infelizmente não será a divulgada nos meios de comunicação que estão ocupados em formatarem outras respostas voltadas a interesses desses conservadores hipócritas e milionários que também fumam seus baseados em suas mansões.

2 comentários:

  1. Parabéns, Mário!
    Muito bem desenvolvido seu artigo, deixando mais claro que a legalização da mesma não é do interesse de muitas pessoas por motivos financeiros.

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  2. Excelente texto. O melhor que já li até agora neste blog! Parabéns ao autor.

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