Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Entrevista com Gian Danton

É com o pseudônimo de Gian Danton que o escritor e roteirista de histórias em quadrinhos, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, conseguiu um certo renome neste meio tão prolífero e marginalizado da arte contemporânea. Professor da Universidade Federal do Amapá, este artista e pesquisador da nona arte, já publicou livros e quadrinhos nas editoras D-Arte, ICEA, Nova Sampa, Metal Pesado, Fantagraphics Books, Literata, Livrorama, Kalaco, Infinitum, dentre outras, além de colaboração em vários fanzines. Com seu legado já ganhou prêmios como do I Concurso de Crônicas e Contos, organizado pela Editora Geração, Angelo Agostini, HQ Mix e Associação Brasileira de Arte Fantástica. Abaixo segue uma sucinta entrevista cedida gentilmente para o blog Orestes.

Orestes: Seu nome já é uma referência nacional no universo dos quadrinhos. Você já consegue sobreviver da nona arte?
Gian Danton: Quem dera. Sou professor universitário e é de onde tiro o meu sustento. Às vezes consigo tirar uma grana, principalmente de HQs institucionais, mas com quadrinhos mais autorais, dificilmente dá para ganhar dinheiro. A única vez em que realmente fui muito bem pago por um roteiro foi quando participei do MSP+50. O Maurício deveria ser um referencial para outros editores de quadrinhos. Mais recentemente fiquei pasmo ao receber por roteiros para a Mundo Paralelo. O editor, Walter Klatuu, pagou direitinho. Espero que a revista vingue e vire referência.
O.: Parte significante de seu legado é voltada para o drama, ficção ou terror. Você já tentou se aventurar em outros estilos?
O carismático roteirista Gian Danton
G.D.: Eu costumo dizer que um bom roteirista deve escrever de tudo. Muita gente se surpreendeu quando comecei a escrever roteiros para a MAD. O compadre Joe Bennett foi um: “Mas compadre, você também escreve humor?”. Escrevo. Aliás, a sátira que fiz sobre a Big Brother foi muito elogiada. O dono da editora Mithos, que produz material para a Panini chegou a dizer que era a melhor sátira que ele lia há anos na MAD nacional. Também escrevo infantil. Recentemente aprovei um projeto de quadrinhos infantis chamado A Turma da Tribo no edital de literatura da Secretaria de Cultura do Amapá. A arte será do Ricardo Manhaes, naquele traço europeu típico dele. Sempre quis fazer algo no estilo Asterix e essa foi minha chance.
O.: Além da literatura, já efetuou algum outro tipo de arte?
G.D.: Eu sou especialista em Artes Visuais. Na época em que estava cursando realizei diversas obras, inclusive instalações. Mas o que gosto mesmo é de escrever.
O.: Como se dá o seu processo de criação?
G.D.: Sabe aquele frase “10% de inspiração e 90% de transpiração”? Pois é, comigo é assim. Criar sempre é um processo demorado, que envolve pesquisa e às vezes dias pensando na história. Muitas vezes mergulho na história a ponto de sonhar com ela, como aconteceu com a Manticore. Tive um pesadelo com a criatura e cheguei a colocar esse pesadelo na HQ. Aliás, muitas de minhas histórias surgem de sonhos. Decadence, com traço do compadre Joe Bennett, foi assim. Sonhei até com o layout dela. Ás  vezes sonho como se fosse um diretor filmando uma história e até fazendo modificações no roteiro conforme filma... Ou seja: roteirista trabalha até quando está dormindo.
O.: Qual a sua maior dificuldade para a criação?
G.D.: Acho que acabei respondendo as duas perguntas lá em cima.
O.: Qual feito você tem como sua obra prima?
G.D.: Difícil escolher uma obra só. Dos trabalhos que fiz com o Joe Bennett, gosto muito da Família Titã e da Refrão de Bolero. Ambas devem ser republicadas em breve em álbuns. A Manticore, claro, tem que entrar na lista. Mais recentemente um trabalho que tem me dado muito orgulho é Os Exploradores do Desconhecido, uma homenagem aos seriados antigos de ficção científica, como Jornada nas Estrelas publicadas no blog http://www.exploradoresdodesconhecido.net. Há duas editoras interessadas nesse material, esperando apenas o Jean Okada terminar de desenhar para publicar.
O.: Você prefere realizar trabalhos curtos ou de inúmeras laudas?
G.D.: Olha, isso depende do desenhista com o qual trabalho. Não existe um modelo que funcione para todo mundo. Com o Joe Bennett era sempre Marvel Way: nós discutíamos o roteiro, ele, muitas vezes ia fazendo o rafe enquanto a gente conversava e eu colocava o texto diretamente sobre o rafe. Já o Jean Okada gosta de um roteiro full script, mas não excessivamente detalhado para deixar brechas para ele criar em cima. Já trabalhei com um artista português que queria tudo extremamente detalhado. Pedia até referências visuais dos personagens.
O.: Quais suas metas e seus próximos projetos?
G.D.: Um projeto recente é o livro “Grafipar, a Editora que Saiu do Eixo”. Na verdade, recente é a publicação, pois é  resultado de uma pesquisa de quase vinte anos. A obra foi indicada ao HQ Mix na categoria melhor livro teórico sobre quadrinhos. Também tenho participado de diversas antologias de terror, ficção científica e fantasia e ainda este ano deve sair meu primeiro romance, Galeão, uma fantasia histórica sobre um navio perdido no Oceano Atlântico. Meu objetivo nesse próximo ano é aumentar minha produção literária e, se possível, a de quadrinhos.
O.: Deixe seus contatos e um recado para os leitores deste blog.
G.D.: Quero aproveitar para convidar todos a visitarem meu blog pessoal (ivancarlo.blogspot.com) e meu blog sobre roteiro para quadrinhos (http://roteiroquadrinhos.blogspot.com). Também é possível me adicionar no Facebook (é só procurar por Gian Danton, sou o único do mundo com esse nome) e no Twitter: @giandanton.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Agradecimentos pelo Ramones Day

 O que um homem prestes a completar 41 anos de idade, assalariado, desencantando com os rumos da insanidade humana expandida pelo neo liberalismo e com tendências depressivas pode esperar para o restante de sua vida? Nada muito motivador, senão a procura de bons orgasmos com alguma garota, uma dose de Ayahuasca e tentar há anos comprar o It’s Alive dos Ramones em vinil. Bem, estes três últimos motivos é que garantem a sobrevivência, deste que vos escreve, com auto conhecimento, consumo irrefreável de arte alternativa e boa dose de humor negro.
Orestes mandando o som com a Playmobills
No último dia 19 de maio (ano corrente de 2013), o evento da Mandrake Produções chamado de Ramones Day, foi a dose certa necessária para a confirmação deste estímulo revigorante, energético, saudável e bastante animador. Mais ainda, com a oportunidade de berrar algumas letras de algumas canções da banda de rock mais amada pelo protagonista. Ainda nos bastidores, surgiu a especulação desta participação com alguma banda. Já participei de algumas bandas no passado, sendo duas bastante icônicas e um tanto lendárias (ver arquivo neste blog), mas a realidade é crua e com o passar dos anos, o romantismo mostra a verdadeira cara carcomida do hipócrita mainstream musical e artístico em geral. Sendo que hoje, já não me há mais vontade de seguir a diante na composição de bandas na cidade de Manaus. Porém, quando a proposta é descompromissada, desde seu início, com o mero intuito de diversão pura e louvor aos Ramones e sua filosofia de vida rocker, a coisa muda de figura e torna-se prazerosa.
Participação memorável também com a The Mones
Mais do que esperada, a oportunidade de desabafo sonoro veio de duas dentre as quatro bandas do evento. Let’s Go, formada exclusivamente para o evento por integrantes dos grupos DPeids (escutem essa banda) e Luneta Mágica (ver resenha de CD debut no arquivo deste blog), juntamente com a cativante Antiga Roll, mandaram muito bem e fizeram exatamente o que tinham de fazer no palco, alegrando o público presente. Contudo, foi com as bandas Playmobills e The Mones que o esporro sonoro foi possível para este ramonemaníaco incurável (que não quer se curar nunca). Muito poderia ser discorrido nestas linhas digitadas numa madrugada, poucas horas antes do despertador do celular me chamar pra labuta. Seja da escolha do repertório (mesmo com a decepção de nenhuma ter tocado Garden of Serenity - eu não posso morrer antes de cantar esta canção perfeita dos Ramones), da performance encantadora, dos poucos ensaios para o dia do show e das amizades que se formaram naturalmente nas afinidades ramoníacas. Chega! Me limitarei apenas a agradecer com uma sinceridade satisfatória. Obrigado a meu amigo Douglas Mandrake, que teve a iniciativa do evento, obrigado aqueles que comporão a equipe de trabalho na noite, obrigado ao Dário Mattos pelas fotos voluntárias, obrigado à Let’s Go e à Antiga Roll pelo complemento notívago, obrigado ao público que entrou no clima da celebração e principalmente obrigado, de coração mesmo, à Playmobills e à The Mones. Vocês me fizeram sentir com 20 anos de idade e com a certeza de que ainda chutarei a bunda de muito adolescente que ainda não abriu os olhos para a cultura que devemos fomentar em nosso necessário questionar vívido e incansável (como disse Raul: “falta cultura pra cuspir na estrutura”).
Com o amigo promoter do evento Douglas Mandrake
Continuem firmes, amigos. É neste punch sóbrio que ficamos com a sensação que todo dia é Ramones Day.
Hey, ho, let's go, forever!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Bandas Locais Fazem Homenagem a Ramones em Manaus

           Matéria publicada no jornal A Crítica na data de 11 de maio. Autoria de Rafael Seixas.
      O link pra visualizar a matéria online é este: http://beta.acritica.com.br/vida/manaus-amazonas-amazonia-Bandas-locais-homenagem-Ramones-rock-eventos_culturais-cultura_0_917308265.html

Bandas locais fazem apresentação em comemoração ao aniversário do vocalista da banda punk no próximo dia 18 de maio

Banda punk rock liderada por Joey Ramone influenciou gerações
Banda punk rock liderada por Joey Ramone influenciou gerações (Divulgação)
O modo de tocar, o estilo e ideologias da banda norte-america Ramones influenciou diversos grupos de Manaus. No dia 18 de maio, a partir das 21h, no Nativos Bar Café, as bandas “influenciadas” irão prestar uma homenagem ao Ramones, em especial ao seu vocalista, Joey Ramone (1951-2001), que comemoraria aniversário no dia 19 de maio, com o show “Ramones Day!”. As atrações são Antiga Roll, The Mones, Os Playmobils, Let’s Go! (formada por integrantes da Dpeids e Luneta Mágica), além dos convidados Clovis Rodrigues (Os Tucumanus), Mario Orestes e a DJ Livie Pop.
“É uma celebração com as bandas que foram influenciadas pelos caras, como a The Mones, que surgiu por conta do Ramones, para fazer cover. A antiga Roll tem o cabelo, o estilo e o modo de tocar do Ramones; a Playmobils toca o som deles no repertório; e a Let’s Go! foi formada justamente para o evento. Sou fã do Ramones há tempos e a ideia é fazer uma festa anual, sempre próximo do dia 19 de maio”, adiantou Douglas Mandrake, responsável pela projeto e iniciativa.
“Vamos levar também o Clovis Rodrigues, que já fez diversos eventos comigo. Tem também o cara que é considerado o maior fã do Ramones, o Mario Orestes, que é do Clube dos Quadrinheiros, e cantará seis faixas. Entre os roqueiros de Manaus, ele o que detém o título de ser o Ramones maníaco. Ele tem toda a discografia de Manaus. As bandas juntas vão tocar mais de cem músicas!”, complementou.
Só clássicos
E não pense que irão repetir algumas canções, pois o repertório está bem dividido. É Ramones dos anos 1970, 1980 e 1990. Entre os sucessos “Psychotherapy”, “Needles & pins” e “California sun”.
“Se não fosse pelo Ramones não existia o punk rock. Eles inventaram um estilo de roupa, cabelo e de vida”, afirmou Aercio Mones, baterista da The Mones, que promete muito “One, two, three, four” – expressão eternizada por Joey Ramone – do início ao fim.
Serviço
O que é: Evento “Ramones Day!”, com  Antiga Roll, The Mones, Os Playmobils e Let’s Go!
Onde: Nativos Bar Café, rua Leonardo Malcher, Centro
Quando: Dia 18, às 21h
Quanto: R$ 10 (por pessoa)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Ramones Day



A última vez que subi num palco pra pegar um microfone e gritar algumas letras de músicas, foi no final da década de noventa. De lá pra cá, percebi o que já era óbvio. É extremamente difícil manter uma banda em nossa terra. Muitos querem tocar bêbados ou completamente alucinados de qualquer outra substância tóxica. Nada de postura conservadora, ao contrário, sempre fui a favor da legalização das drogas (como percebível em várias postagens aqui), mas o problema é quando esses excessos comprometem o desempenho do músico. Faltar ensaio é praxe em várias bandas e raras são aquelas que possuem técnicos de palco, técnicos de mesa, ou se preocupam em transmitir uma sonoridade coerente. Enfim, pode ser considerado um casamento piorado.
Contudo, meu amigo Douglas (vulgo Mandrake) está realizando este evento, o qual divulgo este lindo flyer abaixo. Neste, devo participar cantando algumas músicas com duas das bandas (The Mones e Playmobills). Evidente que no caso, não há intenção de comprometimento sério. Logo, será simplesmente diversão pura, no mais lúdico teor ramonemaníaco.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

1º Sketche de HQ Inédita

        Abaixo segue o primeiro sketche de uma HQ minha que está sendo desenhada pelo talentoso Marcelo Ribeiro. A crônica ilustrada segue a linha pós apocalipse no estilo Mad Max. Em breve divulgarei outros sketches desta história que tem final surpreendente.