Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Prison Break

Para que uma série de TV prenda seus telespectadores, tem de ter, no mínimo, um bom enredo, uma produção caprichada e um bom elenco.  O seriado norte americano, de quatro temporadas, Prison Break, tem tudo isso e muito mais.  Ótimos argumentos, violência urbana, excelente composição musical e grande direção que consegue explorar bem todo o drama vivido pelos personagens.
Poster de uma das temporadas com parte do elenco de Prison Break
Toda aventura gira entorno do brilhantismo de um personagem central, engenheiro superdotado Michael Scofield (Wentworth Miller), que planeja incessantemente libertar e inocentar seu irmão, Lincoln Burrows (Dominic Purcell), preso injustamente, vítima de uma trama política moldada por ambição, poder, assassinatos e muito dinheiro.  O impressionante é a constante reviravolta que parece nunca ter fim no decorrer dos episódios, levando aquela vivência de extremos opostos invertidos a cada momento.  Personagens que parecem fundamentais na história morrem e outros apresentados como coadjuvantes, tornam-se elementos cruciais para o fechamento.  Um detalhe, que faz toda a diferença na dramaticidade, é a direção musical em cima do trabalho de Ramin Djawadi, indicado ao prêmio Emmy de 2006.  Além desta, houve dezenas de outras nomeações a prêmios e as seguintes conquistas: ALMA Awards - Melhor Diretor Televisivo de Drama ou Comédia de 2006; Australian Film Institute – Melhor Ator para Dominic Purcell em 2007 e People’s Choice Awards, USA – Drama Revelação de Televisão Favorito de 2006.
Pra quem pensa tratar-se de um seriado retratando apenas a rotina carcerária norte americana, fica a dica de que a maioria da série se passa longe das prisões, mas com o clima incessante de ausência de liberdade com a inquietante sensação de perseguição e de que há algo a se resolver urgentemente.
No Brasil o trabalho foi exibido pelo canal pago Fox (emissora que detêm os direitos autorais da produção original) e pela Rede Globo, sendo que atualmente a Rede Bandeirantes exibe este ótimo drama.
Se você passar da primeira temporada (particularmente tenho como a mais fraca), possivelmente não conseguirá ficar sem acompanhar os demais episódios, até conhecer o desfecho da história.
Arrisque assistir que vale a pena.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Como Fazer Uma Ação Direta

 Um dos princípios básicos da cidadania, e até mesmo da humanidade, é a difusão do bom senso através do compartilhamento da boa informação.  Por muitas vezes nos encontramos em situações indignas ou injustas e simplesmente não sabemos como agir para contornar aquilo.  Não é de hoje que a situação política/econômica/social mundial é alarmante.  Isso naturalmente gera revolta popular e cabe a cada um de nós orientar a revolta a ser canalizada, bem instruída, pacificadora e que alcance o seu intuito, que seja ele benevolente para a maioria como um todo.  Baseado nesse instinto que discorro abaixo um passo a passo para a realização de ações diretas.
1º Passo: O Objetivo.
Todo questionamento tem de ter um “porquê”.  Não se pode meramente detratar.  A crítica quando não é construtiva, limita-se a ser destrutiva.  Uma das maiores qualidades da humanidade é o raciocínio que implica diretamente na construção de uma ideia a ser aplicada visando melhorias.  Você sabendo exatamente o que você quer, consegue alcançar o aspirado com mais facilidade.  A extinção de dúvidas promoverá a segurança para o sucesso.  Ideal que todos os protagonistas fiquem a par dos objetivos.
2º Passo: Brainstorm.
Uma vez com o objetivo traçado, junte algumas pessoas com afinidades para o feito, que sejam de sua confiança, e realize um brainstorm.  As perguntas básicas a serem levantadas são: “O que podemos fazer, a respeito disso?”; “Como podemos nos manifestar pacificamente?” e “Qual o melhor e mais eficaz modo de manifestação?”.  Toda ideia é bem vinda e deve ser anotada ou no mínimo especulada.  No final da relação, deve-se selecionar as melhores e finalmente escolher dentre elas a que será adotada para execução, levando-se sempre em consideração: segurança, custos, viabilidade e efetividade (quanto aos resultados).
3º Passo: Planejamento.
Como esta é a uma etapa delicada, subdivide-se em outras etapas: A) Estudo do local (também conhecido como Scouting) – onde um ou mais deverão levantar todos os dados a respeito do ambiente no qual ocorrerá a ação.  Nisso, toda informação é útil.  Geografia; natureza do local; se é um local aberto ou fechado; se há funcionários ou frequentadores; quais os horários desses personagens; qual melhor horário de acesso; vias de acesso; iluminação; metragem etc.  Dependendo da atividade, outras coisas a serem consideradas: se há locais para estender banners; cordas ou faixas; se há muito ruído etc.  Outro detalhe é imaginar a ação in loco.  Visualizá-la em execução com seus protagonistas em movimento com todo o material preciso para tal.  Nesta sub etapa, algumas ferramentas podem ajudar: filmadoras; máquinas fotográficas; fotos de satélite (tiradas da internet); spray marcador; mapa; trena; binóculos; gravadores de áudio etc.  Algumas coisas podem ser inviáveis para o momento e podem ser substituídas ou improvisadas.  Por exemplo: caso não seja possível uma trena, é possível se ter uma noção da metragem com passos no local; se uma máquina fotográfica chamar muita atenção, um celular pode ser usado discretamente, encenando uma ligação etc.  Na lógica de que o sigilo é um vetor crucial para o sucesso da empreitada (falarei mais adiante), quem for realizar este estudo de campo, pode-se passar por turista, um profissional prestando um serviço qualquer na área, transeunte, casal namorando ou estudante colhendo dados para trabalho acadêmico (estudante sempre funciona).  B) Compartilhamento dos dados – toda informação coletada deve ser compartilhada com alguns membros, não precisa ser todos (se for um grupo muito grande), mas isso certamente pode enriquecer o planejamento com ideias tidas por outros, com dados esquecidos e algo mais que, por ventura, venha de quem não estava no estudo de campo.  C) Desenho da ação – leve para o sentido literal.  Papel, caneta, pincéis de cores diferentes e trace a ação, as vezes sobre o próprio mapa ou foto do local.  Talvez uma projeção digital em foto ou maquete ajude.  O ajuste para um tamanho ampliado (quadro em branco, retro projetor ou data show), pode ser explorado para melhor ilustrar a atividade, em se tratando de muitas pessoas envolvidas.  D) Divisão de times – seria a escolha da função de cada componente da equipe.  O que cada um fará, com quem, como, onde, com o que e quando.  Neste momento saiba explorar as qualidades de cada pessoa.  Se for preciso de alguém habilitado pra dirigir moto; se precisa de alguém que saiba nadar; alguém que saiba andar de skate; alguém com determinada altura; falar determinado idioma; saiba escalar; pular de para quedas; fotografar profissionalmente etc.  Algumas características são específicas.  Tire vantagens disso.  Importante designar um Coordenador da ação, preferencialmente pessoa com habilidade em gestão de projetos e gestão de pessoas.  Se todo o grupo for subdividido em times menores, cada time deve ter o seu Coordenador.  Crucial que todos fiquem cientes de sua função, tire dúvidas a respeito e saiba exatamente quando entrar em ação, como e com o que.  O sincronismo de relógios e troca de números de celular é imprescindível.  Não se recomenda a participação de menores de idade, pessoas que respondam processos judiciais ou sejam foragidos de justiça, por pura questão legal que pode vir a prejudicar todo o plano.  O porte de documento de identidade tem de ser obrigatório.  E) Brainstorm de falhas – faça (em conjunto, óbvio) um levantamento de todo e qualquer motivo pra falha.  Invente motivos de fracasso.  Liste até os mais absurdos e depois disso, passe a encontrar respostas para superar cada um.  Uma vez com todas as resoluções encontradas, o grupo saberá como sair de problemas causados por qualquer imprevisto.  F) Check list – tem de ser feito para ferramentas e procedimentos, sendo o último organizado cronologicamente e por times.  É super importante que seja criado o check list.  Se um item for esquecido, pode ocasionar no fracasso da ação.  Muito bom também ter sempre uma ferramenta reserva para cada item, caso a principal venha a falhar, ser perdida na movimentação ou confiscada.  G) Análise de risco – a integridade física dos envolvidos é mais importante do que qualquer outro fator.  Cada tarefa da ação deve ser analisada e mensurada quanto sua periculosidade.  Se o grau for muito alto, deve-se abortar a atividade ou pensar numa alternativa mais viável no sentido da segurança.  H) Análise legal – é comum ação direta comportar algum tipo de infração (invasão de propriedade privada, formação de quadrilha, dano material etc.).  Esta tem de ser mensurada, preferencialmente consultando legislação vigente.  Se for uma infração muito grave, tem de ser repensada quanto sua execução.  Não faz sentido a manifestação pacífica se for criminosa ou incentivadora ao crime.  Contudo, se tratar-se de um delito leve, talvez valha a pena sua execução.  Muito cuidado nesta análise.  Convidar um advogado conhecido a ficar de plantão, durante a execução da ação, é a recomendação mais sensata.  Este profissional, deverá saber antecipadamente tudo em questão, sobre a atividade, sobre os objetivos, sobre os personagens etc.  I) Plano B – Deve existir pra atividade como um todo e pra cada uma de suas etapas.  Se possível até plano C, D, E, F etc.  Quanto mais alternativas existirem, menores serão as probabilidades de fracasso.
4º Passo: Briefing.
Orestes passando um briefing para um grupo, antes de uma ação direta
Uma reunião com todos os envolvidos para que todo o plano seja explicado.  Aqui se faz mais necessário o uso de quadro branco, data-show, maquete, mapa etc.  Todas as dúvidas devem ser tiradas e cada pessoa tem de ser escutada e atendida.  Lembre-se que se uma dúvida constar, pode ocasionar em decisão errônea, omissão de uma informação construtiva, execução incompetente ou qualquer outra fator comprometedor.
5º Passo: Debriefing.
Reunião pós atividade.  Também precisa da presença de todos os envolvidos.  Nela, tratar-se-á todo o processo como um todo.  Os erros, os acertos, o porque das falhas, o que poderia ter sido melhor, o que não havia sido pensado etc.  Nesta etapa que se firmará o aprendizado da ação.  Desse modo, com tudo apurado, fica válida a experiência para que em outra oportunidade as falhas não se repitam, buscando assim a excelência na prática.
Recomendações:
1)    Sigilo: O fator surpresa ainda é o melhor vetor de sucesso para um empreitada dessa natureza.  No caso de detenção, todos devem ser orientados a se firmarem como voluntários defendendo uma causa nobre, através de um Direito Constitucional etc.  Nunca deve-se apontar um líder, pois isso caracteriza, incontestavelmente, o crime de formação de quadrilha, artigo 288 do Código Penal Brasileiro;
2)    Contatos: Ainda no caso de detenção, o advogado tem de ser acionado imediatamente.  Portanto, todos devem conhecer o número telefônico do profissional em questão.  Comunicação é a chave do sucesso.  O uso de rádios e celulares tem de ser explorado para a aplicação das táticas no ato.  As vezes, pode ser necessário o uso de lanternas como sinaleiros, placas de mão etc.  Qualquer boa ideia é bem vinda;
O registro é essencial para segurança dos voluntários
3)    Registro: Uma câmera intimida um provável agressor, garantindo assim segurança aos participantes.  Portanto, é essencial que alguém fique na função de fotógrafo ou cinegrafista da ação.  Mais de um é ideal e se possível convidar mídia externa (imprensa), além de assegurar o registro do evento para divulgação e montagem de arquivo;
4)    Nada de balada no dia anterior: Ressaca ou sono por uma noite mal dormida, podem comprometer diretamente o desempenho.  Guarde forças para sua concentração na atividade e festeje depois como comemoração ao feito;
Deixe a comemoração pra depois da atividade
5)    Roupas adequadas: Sapato de salto ou sandálias abertas podem causar acidentes com danos físicos.  Saias ou roupas muito decotadas serão inconvenientes e podem levar a constrangimentos, dependendo dos esforços empregados na ação.  Também atente para o uso de peças adequadas a certas características como, por exemplo, capacetes, luvas, botas, pé de pato, macacão etc.