Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Demolidor - Netflix/Marvel

É inegável a regressão criativa que a Indústria Cinematográfica, bem como a maioria da Indústria Cultural, sofreu de umas décadas atrás para os dias de hoje. O fato comprovado encontrou como escape o nicho descoberto nas histórias em quadrinhos e suas adaptações para a devida indústria ativa, que conseguiu marcos históricos nas bilheterias, nos tempos do compartilhamento virtual gratuito. Não demorou muito pra este escapismo ser usado nas séries de TV. Pode-se relacionar uma significativa lista de seriados se entrarmos na citação de nomes, mas fechemos somente neste em destaque aqui aberto. “Demolidor”, “The Daredevil” da parceria Marvel-Netflix, surpreende, mesmo no estereótipo de super-herói, já bem deglutido pelo telespectador.
Poster da primeira série da parceria Netflix-Marvel
A produção esta simplesmente digna do detalhismo técnico exigido pela Academia, tida como a melhor do mundo. O que mais se faz notar é fotografia, direção, iluminação (perfeita, diga-se de passagem), cenografia, coreografia e roteiro. A atuação de Charlie Cox consegue convencer bastante como Matt Murdock, e o que é melhor, consegue levar a personalidade flexível, carismática e calculista do advogado cego para seu alter ego, o justiceiro notívago implacável e sedento de sangue. Aliás, sangue há em demasia nas cenas crônicas urbanas. A própria abertura do seriado, já dá um literal banho de sangue em toda a cidade representada belamente em elementos gráficos digitais. O roteiro da trama central de cada capítulo, mostra o surgimento do personagem, desde o uso de seu primeiro uniforme, o desenvolvimento evolutivo de sua atuação, o aparecimento de protagonistas importantes e referências de uma crônica longa separada em episódios sombrios.
Uma grande virtude na direção e roteiro, é a exposição do lado humano de Demolidor. Ele não possui grandes poderes como voar, super força física ou lançar raios translúcidos letais. Sua única grande habilidade está no seu sistema sensorial que o faz perceber ampliadamente o mundo a seu redor, sem precisar de visão. Este detalhe além de explorar a violência com seu sofrimento no enorme empenho em toda cena de luta, leva o telespectador a uma identificação imediata com aquele dito Super-Herói.
A sagacidade da produção, ainda linkada no escape citado no primeiro parágrafo, foi efetiva em ser muito fiel às histórias de Frank Miller, o que agradou bastante aos fãs e a crítica. Não é a toa que o nome de Stan Lee e Joe Quesada contam nos créditos do seriado, como Produtores Executivos. O sucesso da séria “Demolidor” da Netflix já garantiu continuação nas próximas temporadas e fortes especulações para outras séries desta parceria com a Marvel, que indica ser duradoura.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Aforismos Oresteanos

“O povo está tendo o que merece por reeleger seus governantes, não levar isso a sério, saindo pra dançar carnaval e torcer pro seu time ganhar a próxima rodada do campeonato. Bala, gás, porrada, assalto, morte, crise etc.”

“Felizes são as mulheres por estarem aptas fisiologicamente para praticarem o orgasmo múltiplo.”

“Desconfie sempre de quem apóia o governo. Certamente que há alguma remuneração ou qualquer tipo de gratificação ou agrado, para que este seja formador de opinião. Estereótipos atraentes fisicamente com discurso intelectualizado, são os mais eficazes. Funcionam maquiavelicamente há séculos. Há uma abundância em atuação na nossa sociedade.”

“Enquanto nossa economia for regida em caráter monetário, o mundo e a humanidade estará sujeitando-se a guerras, miséria, violência, pobreza e genocídios.”

“Se você ainda não teve um orgasmo hoje, não perca tempo. Tenha e o resto do seu dia será bem mais suportável.”

“Quem cultua pagode, sertanejo, axé, forró e transgeneros, não tem direito nenhum de reclamar por melhorias públicas, visto que suas próprias culturas já são objetos imediatos de degradação social implantados pelo sistema.”

“As feministas radicais não percebem que o seu próprio radicalismo é uma das ferramentas de manutenção do machismo.”

“O capitalismo é tão perigoso, efetivo e indignante que toda família, instituição ou organização qualquer tem componente corruptível. Quando não, em sua maioria absoluta, ao menos um membro.”

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Capas de Discos de Engraçadas a Bizarras

Navegando pelo ótimo site norte americano Lpcoverlover.com, pode-se encontrar algumas capas de discos bastante peculiares, no tocante a humor, estranheza e curiosidades. A facilidade está no fato da grande maioria constar em capas de álbuns entre as décadas de quarenta a oitenta, com poucas exceções. Uma fase da arte gráfica publicitária musical, onde muito ainda estava começando a ser explorado, esteticamente falando. Praticamente tudo era analógico. Ai encontraremos figurinos marcantes, penteados, make up, iluminação, fotografia tradicional, texto e outras coisa, que hoje já estão saturados e encadeados num ciclo em looping constante. Não existe um estilo musical em evidência. Jazz, erudito, rock, blues, infantis, gospel, efeitos sonoros, discursos gravados, piadistas e qualquer outra coisa é possível se encontrar como postagem de vários lugares do mundo. Um detalhe interessante, é que há a categoria brazillian music.
Abaixo segue uma sequência selecionada, que vale testemunhar por mostrar capas, no mínimo, curiosas.























quinta-feira, 2 de abril de 2015

Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes - Chá de Flores

Com a faceta de ser a primeira banda de Manaus a chegar no terceiro álbum lançado (com exceção da apagada banda Essence), a Chá de Flores brinda o seu público em 2014 “Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes”, que foi gravado no ano anterior. O vocalista Bosco Leão é o único membro remanescente da primeira formação, que não esconde a satisfação em continuar persistindo na árdua tarefa de levar adiante uma banda de rock na terra do boi bumbá, mesmo tendo passado por diversas formações, até apresentar um álbum bastante diferente do que já foi feito com o nome.
Capa do terceiro CD da banda Chá de Flores
O CD abre com “Um Tiro de Misericórdia”. Um rock básico com letra na segunda pessoa e vocais dobrados. A segunda “Eu Rio... Com Um Milhão de Clorofilas” segue a mesma linhagem, mas desta vez sem bancking vocals e com um refrão mais apelativo. A terceira faixa é “Os 12 Macacos” que desce para o pop rock com uma guitarrinha ska. Em quarto lugar vem “Petróleo e Diamante” que tem uma batida quase acústica, mas a ótima letra compensa, bem como o esforço dos efeitos de guitarra. Na sequência está “Alvorada”. Uma música fraca com acompanhamento de piano (não creditado no encarte), que não acrescenta muito ao disco. Em seguida está “A Mãe dos Pássaros” transmitindo uma leve impressão de que não há variação na melodia vocal entre as músicas, mas esta é salva pela ótima guitarra. A sétima faixa é “Amor Ressonante” que parece ter sido gravada ao vivo em estúdio, devido a crueza de gravação da voz. Poderia ter recebido um tratamento melhor. Posteriormente “Falsa Direção” aumenta o peso com um break em seu meio e um bom solo em seu final. Em nono vem “Preliminares”, a balada forçada apenas com voz e piano que até poderia ficar mais bonita se tivesse um arranjo mais trabalhado. A penúltima é “Névoa de Hortelã”. Ótimo título, mas o mesmo não pode ser dito para a canção em si. Outra balada, sendo agora com a banda tocando, mas que não tem muito brilho de destaque. Pra fechar o disco “Alvorada (Piano Bar)”. A mesma quinta música em versão apenas de voz e piano. Poderia muito bem ter ficado de fora do álbum, ou dado lugar pra uma outra que agradaria mais. O grande talento do baterista Ciro Jamil, poderia ter sido melhor explorado nos arranjos em várias faixas.
A arte gráfica merece um parágrafo à parte. Não que esta seja esplendorosa, ao contrário, deixa tanto a desejar que faz o disco parecer um CD demo. A ausência de letras já é algo corriqueiro nos álbuns das bandas de Manaus, salvo algumas exceções. Tudo indica que o piano não creditado na faixa 5, também tenha sido gravado por Kelson (creditado para as faixas 9 e 10), mas esta pequena falha, demonstra que os créditos não mereceram o devido carinho. Mas a maior falha está nas capas. A capa frontal é ilustrada com uma fotografia explicitamente amadora. O enquadramento poderia ser melhor e a iluminação é péssima que parece ter sido feita apenas com o flash da máquina. Em contrário, a contra capa é de uma beleza encantadora pelo profissionalismo quase que palpável. As cores ficam evidentes justamente pela iluminação perfeita que chega a ser encantadora. A impressão é que trocaram a capa pela contra capa.
Em suma “Com a Língua Envenenada Entre os Seus Dentes” certamente que é o ponto baixo dentre os três álbuns da banda Chá de Flores, e logicamente diferente de seus antecessores, principalmente o primeiro e homônimo disco da banda, recheado de grandes canções. Mas mesmo assim, ainda é um CD que vale a pena ser adquirido por quem acompanha a história do grupo.