Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Coração Envenenado - de Dee Dee Ramone

A publicação deste livro no Brasil, pela editora Barracuda em 2002, mostra o quão atrasado é o interesse de empresários para investimentos em lançamentos, pois “Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones”, que foi lançado originalmente na Inglaterra, exatamente no ano de 1997, com o título de “Poison Heart – Surviving the Ramones”.  Independente do atraso, o livro é um deleite para leitores que curtem, não só um bom rock e suas consequências divertidas, mas também uma narrativa na primeira pessoa direta, clara e forte, assim como as músicas desse ícone que influenciou muitos dos grandes nomes.
Capa do divertido livro de Dee Dee
Existe uma certa cronologia no andamento do texto, escrito com a ajuda da ghost writer Veronica Kofman, que começa mostrando a infância na Alemanha e pré adolescência conturbada com o pai problemático e as mazelas perpétuas de uma típica família de classe baixa.  Desse complexo familiar vem o domínio das ruas com o abuso de drogas, as brigas, a vivência marginal, as tendências subversivas e a música underground.  O interessante é que todo esse conteúdo pesado é descrito com humor hilário, levando o leitor a uma cumplicidade cômica a cada parágrafo.  No ímpeto da juventude começa a amizade com seus companheiros, que reescreveriam a história do rock com uma banda de estilo peculiar chamada the Ramones. Os primeiros shows, as primeiras turnês e as primeiras brigas.  Atenção carinhosa para a passagem de uma noitada com o primeiro carro (um fusquinha) comprado com os primeiros lucros da banda.  Também é explícito o perfil ditatorial do guitarrista Jhonny, que tomava a frente na imposição de postura no marketing, na tomada de decisão e até do visual agregado.  Os pontos nos bastidores de gravações e ensaios com os porres do baterista Marky (que chegou a ser expulso do grupo pela bebedeira e retornou alguns anos, depois de superado o alcoolismo), também são de uma graça exagerada.  De toda essa rotina criada com tédio, discussões e ressacas, surgem as justificativas plausíveis de Douglas Colvin (o próprio Dee Dee), para sua saída da banda no auge do sucesso e do reconhecimento mundial.
Livro característico para leitura em apenas um dia, “Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones” é um registro histórico e único que esclarece obscuridades e traz um pouco de sinceridade e alegria nas praxes decadências que toda grande banda tem.  Cabe a nós esperar que a prometida biografia de Marky e a póstuma de Jhonny não demorem tanto tempo, quanto esta de Dee Dee, pra serem lançadas aqui no Brasil.
Editora Barracuda; São Paulo, 2004; brochura de 192 páginas; prefácio de André Barcinski; tradução de Paulo Salles.