Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Luneta Mágica - No Meu Peito

Após o lançamento de seu debutAmanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida” no ano de 2012 (ver resenha aqui: http://whiplash.net/materias/cds/219138-lunetamagica.html), a banda manauara Luneta Mágica, fecha o ano de 2015 com o parto de seu inesperado segundo álbum “No Meu Peito”. A boa produção segue a linha independente, como no disco anterior, sendo que este mais recém, possui uma elevação astronômica no quesito de amadurecimento musical, em comparação a seu antecessor. Quem vê a imagem da banda, de caboclos amazônicos que acabaram de entrar na fase adulta, não imagina a qualidade de suas composições expostas neste surpreendente trabalho.
Capá do surpreendente segundo CD da banda Luneta Mágica
O CD abre com a faixa título, homônima ao disco, de uma balada acústica curta com letra drummoniana. Uma tranquilidade típica de amanhecer que logo é quebrada pela cadência explosiva de uma música que já começa com banda e vocal juntos. “Lulu”, que é muito bem aceita nos shows, depois de lançamento e divulgação de seu clip. Solo e refrões bem cativantes, mesmo na letra curta. Destaque para as viradas de baixo. Em seguida vem “Acima das Nuvens” que tem uma melodia e letra bem simples, mas também é de refrão convidativo. A quarta é a segunda mulher do play. “Mônica” já cai no clichê do romance adolescente de protagonista de “Malhação” da Rede Globo. A quebrada em seu meado, salva a canção, como se o adolescente tivesse um lapso de experiência adulta através de algum psicoativo. Na sequência, “Só Depois” remete ao primeiro álbum com alguns elementos psicodélicos nos arranjos, a lembrar um pouco o mestre Arnaldo Baptista. Destaque nesta, vai pra aparição de uma batida curta, mas totalmente John Boham, no meio da canção. A próxima é “Preciso”. Referência direta a Fernando Pessoa em outra balada apaziguadora com características de psicotrópicos. Aqui a lembrança já cai sobre Violeta de Outono. Na sétima posição está “Mantra”. Apesar da viagem, se trata de uma das faixas mais pesadas da bolacha. Ótimos arranjos. Em oitavo vem “Sem Perceber”. Vocal com efeito e traços eletrônicos dão a impressão que esses garotos vivem chapados, mas até se isso for verdade, eles sabem tirar proveito com a mesma inspiração criativa que os beatniks tiravam em suas composições escritas. A faixa emenda com “Tua Presença”, outra melosa romântica, que poderia estar em novela global de final de tarde, mas não chega a depreciar o conjunto da obra. Novamente emendando entra “Lembra?”, assim mesmo na interrogativa. Não é muito diferente da anterior. Sendo que esta já cresce em seu final, tornando-a, quase épica.  Pra fechar, a terceira com nome próprio feminino “Rita”. É outra com dotes adolescentes, mas com instrumental bem interessante. O contrabaixo parece estar solando a música inteira que junto com os acompanhamentos de backing vocals conseguem dar uma grande levada. A arte gráfica expressa muito bem o conteúdo do trabalho. Ilustrações primárias com cores suaves e uma ficha técnica que poderia ser melhor detalhada, mas a simplicidade casa perfeitamente com a delicadeza do produto final.
A Luneta Mágica pode ser formada por garotos recém saídos da puberdade, mas no resultado da mistura de Los Hermanos com Syd Barrett, o CDNo Meu Peito” apresenta a banda com uma sonoridade que já começa a definir sua própria musicalidade. E isto é a maturidade chegando.
Não deixe de conferir!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Manticore


Capa da primeira edição de Manticore
Obra prima das histórias em quadrinhos brasileiras, “Manticore” é uma graphic novel independente, lançada em setembro de 1992, pela Editora Monalisa, com qualidade de impressão acima da média, originalidade em seu roteiro e proposta de tornar-se uma publicação periódica. A empreitada com um extenso crew de produção, acabou por angariar alguns prêmios significativos, e o produto muito influenciado pelo seriado norte americano “Arquivo X”, dentre outros nomes de ficção científica e terror, acabou por tornar-se cult, mesmo por uma série de motivos (infelizmente), não conseguir vingar.
Enquanto a indústria do entretenimento era infestada por mini séries, desenhos animados, games e filmes sobre extra terrestres, o mercado das histórias em quadrinhos sofria a ausência de uma boa revista de terror e/ou ficção científica, outrora marcantes nas bancas de revistas do Brasil. Exatamente nesta época, vem à tona o famoso episódio “verídico” do “ET de Varginha”. O fato noticiado nacionalmente na mídia, foi a inspiração para o roteiro que aproveita este personagem urbano do interior de Minas Gerais como vetor de uma intervenção alienígena, na humanidade, devido a auto destrutiva ação antrópica. Tudo protagonizado por membros de uma sociedade secreta motivada a veicular a intervenção e censores de intuito inverso.
Capa da segunda edição, que termina a graphic novel iniciada no
primeiro número
Além da ótima impressão em papel couchê colorido, formato Veja (a número 1. Já a número 2 sai em 25,5 por 21cm e a número 3 em formato americano) e o roteiro original, a arte gráfica é de desenho e pintura que teem traço variável do cartun ao realismo, com a colaboração de artistas convidados em algumas páginas. Enfim, uma apresentação impecável e sublime.
A excelente história com o “chupa cabras” de Varginha completa-se na segunda revista com um final confortante e megalomaníaco.
Capa da terceira edição de Manticore, que tem a
proposta de se firmar como coletânea
A terceira revista, lançada somente em dezembro de 2004, já é uma produção à parte. Além de seu formato diferenciado, a impressão já não tem a mesma qualidade. Seu miolo não é em papel couchê e somente as capas são coloridas. Além disso, o conteúdo é uma coletânea com várias histórias de vários autores diferentes. Sem nenhuma ligação entre as histórias ou com aquela que brilhou nos dois números anteriores, o vigente é a temática de ficção científica/terror. Evidente que dentre as HQs, várias são muito boas, sendo algumas destaques incontestáveis, mas nada que se compare à perfeição da que deu origem ao impresso.

Por motivos que fogem a compreensão do mero leitor, a revista não conseguiu estabelecer-se como publicação periódica. O que é uma grande pena. Mesmo não tendo a qualidade da história que deu início a revista, “Manticore” deveria continuar sendo publicada. Não apenas por preencher uma lacuna, presente até hoje nas bancas do Brasil, mas também por ter sido um marco nas histórias em quadrinhos independentes no país.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Aforismos Oresteanos

“Enquanto a quantidade monetária for usada para estabelecer classes sociais, existirá miséria, fome, guerra, violência e toda mazela antrópica.”

“Um orgasmo é mais crucial do que um abraço, um aperto de mão e um beijo, porque provoca mais satisfação, prazer, auto estima, calma, e com isso tudo, mais saúde. Então nossa sociedade deveria se cumprimentar transando.”

“O ensino religioso só é válido se praticado por um docente agnóstico e mesmo assim, este não poderá ser tendencioso ao agnosticismo.”

“A administração pública virou um mero sistema de auto manutenção dentro da manutenção de massa. Isto é vigência global.”

“O ser humano que usa de seu narcisismo para sobrepor-se a outro, representa o caráter mais vulgar da espécie. Como vivemos num mundo onde os mais abastados sempre estão investindo em sua beleza física, fica comprovada a afirmação.”

“O controle de natalidade é um dos males necessários para a sustentabilidade humana. Este é um princípio básico. Como o inverso prospera, com o crescimento constante da população global, ainda estamos na contra mão de alcançarmos controle nas mudanças climáticas.”

“Se qualquer coisa pode ser usada contra você, menos vulnerável é o recatado.”

“O colapso social acontecerá assim que a população mundial perceber que estamos à beira de um colapso social.”

“Profissionais do sexo deveriam ser custeados pelo Estado para satisfazer doentes terminais.”

“Religiões não se diferem muito de partidos políticos.”

“A cadência de trabalho é algo defendido piamente por empresários e políticos, por ser esta a sua maior fonte de enriquecimento, evidentemente em cima do trabalho alheio.”

“Quando educação, cultura e intelectualidade alcança o nível de subversão, sofre intervenção do Estado para controle de reversão ou interdição.”

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Entrevista com Marcelo Nova


Entrevista realizada em 04/12/2010 (um dia após a apresentação de Marcelo Nova na cidade de Manaus, no Vitrola Music Hall). A banda de apoio, formada por músicos locais, contou com a guitarra de Drake Nova (filho de Marceleza). Um tanto difícil esta entrevista, apesar dela ser bem curta, por eu estar muito nervoso. É complicado um fã entrevistar o seu ídolo.