Auto biografia artística virtual. Registros de eventos, resenhas, crônicas, contos, poesia marginal e histórias vividas. Tudo autoral. Quando não, os créditos serão dados.

Qualquer semelhança com a realidade é verdade mesmo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

American Horror Story

      Mais uma grande série norte americana de televisão que está batendo recordes de audiência e de premiações, “American Horror Story” consegue prender o telespectador frente a seu aparelho de TV. Com apelo forte na ultra violência e no sangue desenfreado, o atrativo principal e mais chocante está no drama dos personagens, intrigados em seus destinos num trama existencial, que sempre chega no sadismo e na psicose.
A casa mal assombrada que serve de locação para a
primeira temporada
Curiosamente, os autores Ryan Murphy e Brad Falchuk são os mesmos da baba conhecida como Fox Glee, uma comédia musical tão limpa e bonita que dá nojo. Como os criadores queriam fazer algo totalmente oposto a isso, acabaram acertando na produção e criando um efeito único com direção, iluminação e fotografia que causam clima sinistro.
Uma sacada muito interessante da série, está no fato de cada temporada ser uma história totalmente diferente da outra. Os atores são os mesmos, mas em personagens diferentes e em histórias diferentes. Contudo, todas carregam o clima pesado e denso conseguido no produto final apresentado nas telinhas.
Uma das bizarrices existentes na segunda temporada da série
Na primeira temporada, temos a luta de uma família em crise que tenta se estabelecer numa casa nova. Detalhe: a casa é mal assombrada e cheia de fantasmas de todas as pessoas que nela morreram no decorrer de décadas. Mentiras, surpresas e tragédias são corriqueiras nesse arco. A segunda temporada é totalmente focada num internato para infratores ou enfermos psiquiátricos diversos. Desta vez surgem exorcismo, tortura, mutilações, experimentos macabros, abuso de poder e até abdução. A terceira temporada, que ainda está em exibição (até a data de publicação desta resenha), tem uma história contada em duas épocas diferentes, no começo do século passado e nos dias atuais. Nesta, há bruxaria, zumbis, serial killers e algo mais que ainda deverá surgir. A quarta temporada já está confirmada para o segundo semestre do ano de 2014.
Por mais que o gênero terror não seja o preferido, vale a pena conferir, ao menos um episódio, de American Horror Story. Não é tão fácil aparecer algo criativo, bem feito e muito cativante hoje em dia.
No Brasil está em exibição no canal fechado Fox.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Entrevista com Jorge Laborda

Personagem emblemática no underground boêmio da cidade de Manaus, Jorge Laborda é astrólogo, web designer, escritor, artista digital, cyberativista, dentre outras coisas mais. Seu trabalho caracterizado pelo bom humor, criatividade e colagens em cores marcantes, remete diretamente aos mestres da pop arte. Suas crônicas, recheadas de sarcasmo, dizem exatamente o que muitos querem dizer e não podem, por medo ou pura frescura. Enfim, abaixo uma entrevista exclusiva para o blog Orestes, onde este vanguardista carismático demonstra um pouco de seus ácidos ideais.

Orestes: Seu ramo de atuação está na publicidade e arte, dentro de mídias digitais em todas as suas técnicas. Seu trabalho criativo se dá unicamente no formato virtual ou há alguma etapa do processo que é mais tangível?
Jorge Laborda: Mário, trabalho em todas as etapas do processo. Desde a concepção até a execução final. Na literatura, além de escrever os textos, eu mesmo faço os livros usando os softwares necessários. Para distribuição desse produto é que entra a gráfica, mas se for e-book, eu mesmo faço até a distribuição pela rede. Em publicidade também. Faço desde a logomarca ou projeto visual de um produto ou serviço até a placa da frente da padaria se for o caso.

O artista, astrólogo, escritor, designer
e cyberativista Jorge Laborda
O.: Qual sua maior fonte de inspiração?
J. L.: Tudo na vida é copydeskado, tudo já pensando, testado e inventado. O que pode-se fazer, é dar uma nova utilização para uma terceira ou quarta coisa. Não ter medo de misturar conceitos e não se aprisionar em dilemas oriundos do bom gosto é uma boa fonte de inspiração.

O.: Você também atua como webdesigner. Qual seu diferencial, frente aos acadêmicos do ramo que entram no mercado a cada ano?
J.L.: A academia é legal para quem tem saco. Eu nunca encarei, sou autodidata. Leio e aprendo as coisas que me interessam, novas tecnologias de fazer coisas. A academia também pode ser inibidora e viciante, aprisionando a pessoa em processos, formular e métodos. O autodidata tem que aprender com a academia e vice-versa.

O.: O que falta pra Internet na cidade de Manaus ter um sinal digno?
J.L.: Policia! Virou caso de policia e isso passa pelas autoridades que devem ganhar algum para que o serviço não seja devidamente entregue ao consumidor que paga por ele. Assim como tem a máfia da prefeitura que deixa a cidade apodrecer, carros estacionarem em calçadas, mesmo tendo leis que proíbam, tem o serviço de internet em que as empresas do setor vendem um kilo e entregam 100 gramas e vão vendendo mais um kilo para mais um trouxa. Se não tem um kilo, não cobra preço de um kilo e se vendeu tem que entregar. O lance é, que quando trata-se de droga tem policia que entra para tomar a droga e revender. Quando trata-se de serviço de internet, a grana é muito alta e a polícia não sabe como prender porque droga é palpável e dados de internet não são. No caso, é um Estado corrupto que não age porque rola grana solta. O pior é um Ministério Público e todo um Judiciário conivente com isso.

O.: O fato do Legislativo estar sempre atrasado, no tocante às adequações com os avanços tecnológicos, está apenas nas disfunções burocráticas ou há outra problemática como entrave?
J.L.: A corrupção se alimenta da ineficiência da informação. Informação atrapalha o não trabalho. Quando falo corrupção, não falo do político eleito, falo de toda uma cultura da preguiça, de não mudar. Por outro lado, o Estado não pode se achar onipresente em tudo. Existem áreas da existência humana que é entre o cidadão e sua consciência. Quanto a regulamentações, geralmente elas são feitas para beneficiar a casta dominante que os políticos no período histórico representam. Nem sempre regular é bom.

O.: Qual trabalho você tem como sua obra prima?
J.L.: Eu inacabado.

O.: Na sua opinião, o que falta para o Linux ter uma projeção maior ou mais popular?
J.L.: Ser pago. As pessoas ocidentais estão tão viciadas no consumismo que só o que é pago é bom, e só o que for caro é melhor ainda.

O.: Quais suas dicas de proteção contra vírus, hackers, spams e outras mazelas virtuais?
J.L.: Controlar a curiosidade e entender que nada é de graça. Portanto, desconfie de garotas gostosas querendo te dar na cam ou de caras te dando grana na net.

O.: Qual a encomenda de trabalho mais bizarra que você já recebeu?
J.L.: Fazer mapa astral de cachorro.

O.: Deixe seus contatos e um recado para os leitores deste blog.
J.L.: Tenho um site (http://www.canoamultimidia.net/) e também escrevo em um blog, como todo desocupado tem. O meu é o (http://cronicabipolar.blogspot.com.br/) e também meus telefones que são públicos: (92) 3236-5345 / 9346-3998 / 8107-3284. E-mail: jorgelaborda@gmail.com

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos - Gian Danton

Já entrevistado neste blog, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, mais conhecido pelo pseudônimo de Gian Danton, destrincha no livro “O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos” toda a ciência por trás da tarefa de escrever a nona arte. Com linguajar acessível e, por vezes, explicando termos técnicos, o autor demonstra que não existe muita dificuldade latente nesta façanha, senão, estudo, leitura assídua, dedicação e muita pesquisa.
Capa do ótimo livreto de Gian Danton
Como toda obra com cunho educativo, este livreto (infelizmente o livro possui formato pequeno e poucas páginas) tem toda linhagem didática necessária. O que é um roteiro, quais os tipos existentes, como formatar, seus componentes, adaptações, gêneros e muito mais. Tudo está ali, muito bem explicado, com exemplos, indicações de leitura, ilustrações, bibliografia e o que mais for preciso para que alguém se inicie na empreitada. Em algumas passagens, nota-se uma certa contenção do autor que poderia explorar um pouco mais o abordado no capítulo, mas vale frisar que este não é o primeiro escrito de Danton sobre o tema e provavelmente não será o último. A propósito, o mesmo possui um blog que trata exclusivamente de roteiro nas histórias em quadrinhos (http://roteiroquadrinhos.blogspot.com.br/), e não é difícil de se encontrar textos diversos de Gian em outros domínios que servem como embasamento para o estudo. Em outras passagens, dentre os exemplos, repetem-se algumas obras. Contudo, uma vez conhecidos estes, fica fácil compreender a repetência, devido à complexidade dos citados e de suas importâncias históricas no universo das histórias em quadrinhos. Pra fechar o livro, Ivan Carlo apresenta uma análise detalhada do processo de criação de sua obra prima “Manticore” (premiada Graphic Novel lançada no início da década de 90 pela editora Monalisa).
O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos” de Gian Danton não é indicado apenas para aspirantes a roteiristas, mas também para quem deseja entender um pouco mais o sistema criativo das HQs e o quão repleto de riquezas são essas poderosas ferramentas artísticas de entretenimento e comunicação.
Editora: Marca de Fantasia; ano de 2010; 102 páginas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Brutal Exuberância - Território Perdido

Com vários anos de experiência e muito carisma conseguido com este tempo, principalmente nos bairros da periferia da cidade de Manaus, a banda de thrash/heavy metal Brutal Exuberância mostra neste seu CD debut intitulado “Território Perdido”, lançado no ano de 2011, que seu legado já se faz histórico com conseqüências notáveis e significantes em seus arranjos e produções.
Arte gráfica do CD feita pelo contrabaixista Afrânio Pires, que
também é tatuador e artista plástico.
A “bolachinha” abre com uma sinistra introdução que reflete muito bem o clima caótico da música que emenda em seguida. “Apocalipto” vem com uma cadência rápida, quase extrema, que até mostra indícios de hard core e convida qualquer um que goste de música pesada a, no mínimo, bater a mão acompanhando a bateria. Depois do segundo refrão há uma quebrada com diminuição no ritmo, típica do estilo, para um estrofe retornando à pancadaria, após um certo destaque com dois bumbos e encerra com um solo arrasador. A segunda “Alcoholic Domination”, é a única cantada em inglês do disco. Uma porrada que infelizmente só possui 25 segundos de duração. Em terceira posição está aquela que nomeia o álbum. “Território Perdido” abre com um grande riff que conduz ao aceleramento para entrada da voz. As palhetadas na segunda parte da canção são o grande destaque e casam muito bem com os vocais de Naldão. “Metal, Essa É Minha Vida” é a próxima faixa que demonstra toda a influência das bandas dos anos 80 e como isto é levado de um modo bastante sadio, no tocante à diversão. Em seguida está “Zona Leste Town” que afirma o carisma da banda, citado no início deste texto, para com seu local de origem. Atenção para seu solo de guitarra. Na penúltima posição está a divertidíssima “Morro de Fome Mas Não Trabalho”. Infelizmente com apenas 1 minuto e 27 segundos de duração. Bem que o grupo poderia pensar em estender um pouco mais essas pérolas. Pra fechar o disco com chave de ouro, vem a ótima “Futuro Incerto”. Certamente que se trata da faixa mais trabalhada, com melhor letra, melhor levada, melhor solo de guitarra (apesar de curto, está dividido em duas partes, sendo a segunda o desfecho da música) e com influências inegáveis do magnífico Dorsal Atlântica.
A excelente arte gráfica traz fotos, letras, agradecimentos, créditos e tudo que se espera de um álbum de metal. Em suma, “Território Perdido” é um excelente registro da Brutal Exuberância, que se torna obrigatório para quem gosta do estilo e deseja possuir um grande CD em sua coleção.